O estado da nação

Outubro 30, 2007

O estado do basket nacional em muito se assemelha ao estado de Portugal. Entidades com a corda no pescoço, bolsos vazios, credibilidade a ir pelo cano abaixo, críticas a chover de todos os lados, aumento de notoriedade daqueles que se deveriam manter na penúmbra e a tal luz ao fundo do túnel cada vez mais distante.

Eu ainda sou do tempo em que os principais protagonistas, da modalidade que adoro, eram os jogadores. Eu ainda sou do tempo em que nos cafés se comentava ‘Uma das coisas boas do basket é que os adeptos nem sabem os nomes dos presidentes, ou directores. Sabem os nomes dos que proporcionam o espectáculo. Sabem o nome dos jogadores’.

Esse tempo, infelizmente, já lá vai, e os homens que deveriam manter-se nos bastidores surgem muitas vezes sob as luzes da ribalta. De entre esses inúmeros protagonistas, no último ano destacam-se claramente dois “grandes” intervenientes: Mário Saldanha e Paulo Mamede. Nada mais nada menos que os presidentes das duas principais instituições do basquetebol português. Aqueles que supostamente deveriam trabalhar para fazer evoluir o basket nacional são protagonistas pelas piores razões, apesar de nenhum dos dois parecer ter noção disso mesmo.

Já perdi a conta ao número de vezes que cada um surgiu em cena a vangloriar o seu trabalho, a criticar o outro, a defender a sua dama de uma forma que, apenas aos próprios, parece a melhor, a mais correcta. A juntar a estes dirigentes, surgem depois outros responsáveis de clubes a atiçar mais o fogo – nomeadamente os dirigentes do SLBenfica e do FCPorto, curiosamente os dois emblemas futeboleiros.

No entanto, quer Saldanha quer Mamede conseguiram ser consensuais no que toca a um aspecto muito particular: fechar os olhos às irregularidades de algumas equipas. Nomeadamente Queluz, Seixal e Lusitânia.

LusitaniaNo caso do Lusitânia os responsáveis da Liga dizem que foi tudo regular e legal, e que a Liga UZO começou de uma forma legal. O que poderão questionar é a “legalidade moral”. Mas o que conta isso? O Lusitânia até pode dever dinheiro ao plantel inteiro, mas desde que consiga encontrar no Regulamento uma pequena lacuna que possa aproveitar em seu favor, então está tudo bem. Afinal de contas, estamos em Portugal e quem consegue contornar a Lei é que é Rei. E para Mamede é melhor atacar a FPB e criticar os aliciamentos a Benfica e Queluz do que resolver os seus próprios problemas.

Quanto ao caso do Queluz…bem, nem sei por onde começar, tamanha a confusão. Ora trocam de nome para poderem participar na Liga (e até aqui tudo bem, segundo Mamede), ora se mudam para a Proliga e voltam ao nome original sem que alguém os obrigue a pagar todas as dívidas acumuladas nos últimos anos (e aqui volta o ‘ai Jesus’ e nem sei como a FPB permite tal crime)! E pelos vistos, são mais do que muitas…

O Seixal há muito arredado das principais competições depois de ter, finalmente, concluído que não tinha condições para o profissionalismo, volta agora à Proliga. No entanto, enquanto viajava pelo maravilhoso mundo da web, descobri no blogue do Prof. que afinal o clube da região de Setúbal ainda lhe deve dinheiro, sendo que essa dívida é do conhecimento da FPB – assim, trata-se de mais uma inscrição “irregular”, mas Saldanha nem sequer fala disso. Prefere falar da Liga moribunda…

OvarMas calma, nem tudo é grave. Mamede continua a pensar que Portugal tem condições mais do que suficientes para uma Liga Profissional competitiva (pergunto, dos 8 clubes participantes, quantos são profissionais?!?), e não se cansa de referir o crescimento espectacular da Liga no último ano, o aumento de audiências, o número de pessoas nos pavilhões, o número de jogadores portugueses. Espectacular de facto! Mas está a falar de que pavilhões? O de Ovar, o de Matosinhos e o da Luz! Certo? Ou está a falar do da Figueira, sempre deserto, do da Madeira, quase sempre às moscas ou ainda do de Belém que infelizmente esvaziou nas últimas épocas? Entretanto, tem levado negas dos clubes da Proliga que conquistam o direito desportivo de subir à Liga UZO – como foram os casos do Sampaense, Vit. Guimarães e Esgueira nas duas últimas épocas. Lá devem ser clubes com dirigentes realistas e que preferem manter os clubes a funcionar do que levá-los à pseudo-ribalta para que passado dois anos tenham de fechar as portas.

PortugalPor outro lado, Saldanha refuta a ideia de que o crescimento do número de praticantes de basquetebol em Portugal seja cada vez menor. Defende que o Compal Air põe milhares de adolescentes a jogar basket. Pergunto, há algum registo que comprove quantos dos participantes no Compal Air não sejam atletas federados? E quantos passaram a ser federados depois de terem participado no Compal Air? É esta a grande campanha da Federação? Não consegue aprender nada com outras modalidades, nomeadamente com o rugby que tão bem aproveitou a participação histórica numa grande competição? Como potenciou a FPB a excelente participação da selecção no Euro2007? Não consegue seduzir os media a dar mais atenção à nossa modalidade? Não estranha as constantes queixas dos clubes da Proliga quando dizem que a FPB nada, ou quase nada faz para promover esta competição? Mas calma, que agora está cá o Benfica e o trabalho da FPB fica facilitado porque os jornais até começam a dar alguma atenção à Proliga. E claro que isto é mérito da FPB e não da ‘força’ que o Benfica tem…

Acho que é tempo de o protagonismo voltar aos jogadores. É tempo de os agentes dos bastidores se ficarem por aí, e devolverem ao público o espectáculo do basket. E para isso, é importante darem sinais de credibilidade, e é fundamental que em vez de estarem de costas voltas uns para os outros, sintam que somos poucos para ajudar e que se cada um puxa para o seu lado, o basket em Portugal nunca mais sai do estado de hibernação.


Samuel Lóio – a entrevista

Outubro 29, 2007

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Depois da entrevista à Cátia Lírio, damos agora a conhecer um pouco mais o jovem jogador do Esgueira, Samuel Lóio. Aos 17 anos era já o base titular do Esgueira OLI, e nesta sua terceira época é uma das principais figuras desta jovem equipa.Nesta entrevista mostra a ambição natural de um jovem, amparada por uma clara noção da realidade do basquetebol em Portugal.

Fizeste a tua estreia na Proliga quando tinhas apenas 16 anos. Tem algum significado especial para ti seres um dos jogadores mais jovens de sempre, se não o mais jovem de todos, a estrear-se nesta competição?

Sim, claro. Nunca pensei ir para a equipa sénior do Esgueira com 16 anos. Ainda para mais para uma equipa que tinha um plantel muito forte. E se fui mesmo o mais novo de sempre a ir para a Proliga então, fico muito orgulhoso.

Nestas duas primeiras épocas sentias que os bases adversários te pressionavam por saberem que eras mais novo? Se sim, como lidaste com isso?

Sem dúvida. Acho que até houve bases, principalmente na segunda época, que de certa maneira me subestimaram por eu ser mais novo. Na primeira época não tive muito tempo de jogo, e então não notei tanto isso.

Na época 2005/06 fizeste alguns jogos pela equipa principal, mas grande parte da temporada alinhaste pela equipa de Séniores B do Esgueira. Quando começou a época 2006/07 assumiste-te como titular na equipa principal do Esgueira. Na altura, vocês eram os vice-campeões e uma das melhores equipas da competição. Este aumentar significativo de responsabilidades condicionou a tua forma de jogar?

Acho que este aumento de responsabilidade me fez reflectir bem e aumentar os meus índices de concentração. Senti alguma pressão adicional, principalmente desde que ficamos apenas comigo para a posição de base e com o Jomané apenas de vez em quando. Esta situação levou-me a ter mais tempo de jogo, coisa que de modo algum eu imaginava no início da época mas que sem duvida me tornou mais maduro dentro de campo. Assim acho que esta responsabilidade acrescida não condicionou, pelo menos de forma negativa, a minha forma de jogar, ajudando-me a crescer tacticamente.

Ter na equipa um base muito experiente, e que além disso é uma das referências do Esgueira, como é o Jomané ajudou ao teu desenvolvimento? E ter como treinador o Prof. Carlos Gouveia, conhecido por apostar em jovens jogadores, também foi uma forte ajuda? Reconheces que a experiência deles, por vezes facilitava o teu ‘trabalho’?

Sem dúvida. O Jomané ajudou-me muito. Acho que foi uma sorte e um privilégio fazer parte da mesma equipa que ele e acho que todos os jogadores novos que tenham em vista um futuro no basquetebol deviam ter um “Jomané” na equipa porque sem duvida que se iriam tornar melhores jogadores. O Prof. Carlos Gouveia foi o treinador que apostou em mim e a ele lhe devo as minhas últimas 2 épocas. Não pensei estar na equipa sénior tão cedo mas o Prof. acreditou em mim e a experiencia toda que ele tem no basquetebol foi uma grande ajuda no meu desenvolvimento como jogador. Tanto um como outro facilitaram-me o trabalho dando-me regularmente dicas, ajudas, conselhos essenciais para a minha performance e para a minha evolução como jogador e como pessoa.

Samuel Loio

No teu primeiro ano de sénior o Esgueira chegou à final da Proliga. No segundo ano, chegaram às meias-finais. De jogo para jogo, havia cada vez mais público nas bancadas, sendo que em alguns jogos o pavilhão estava mesmo cheio. Este aumento de notoriedade aliado às tuas prestações dentro de campo faz-te sentir referência para os jogadores mais novos do clube?

Bem, esta é uma pergunta difícil. Fico muito contente se alguns jogadores mais novos do clube me virem como uma referência, mas não me sinto como tal. Acho que ainda sou muito novo e como tal ainda tenho muito para aprender, e as referencias que esses jovens como eu devem ter são os grandes jogadores, que são mundialmente conhecidos devido a qualidade do seu jogo.

Nesta última época representaste a selecção nacional Sub18 no Campeonato da Europa. Para a época que está agora a começar, ser convocado para os Sub20 é um objectivo pessoal? Ou o teu pensamento está centrado em ajudar o teu clube a alcançar os seus objectivos?

Nesta última época também fui chamado a um estágio dos Sub 20 e por isso sem dúvida que um dos meus objectivos para esta época é voltar a merecer a confiança do seleccionador, mas acho que apesar da chamada a selecção ser um objectivo o facto de ser ou não chamado não vai condicionar de maneira nenhuma o meu papel no meu clube e espero conseguir ajudar a equipa a alcançar os objectivos propostos para esta época.

Para ti, é mais difícil jogar na Proliga ou num Europeu de Sub18?

Num Europeu de Sub 18. Em primeiro lugar porque a pressão é muito grande, depois porque não tenho tanta liberdade para jogar como tenho na Proliga e por último porque os bases num Europeu em regra, apesar de serem menos fortes fisicamente que um base na Proliga, defendem com muita mais pressão.

Este ano, com os estágios da selecção e os treinos e jogos no Esgueira, conseguiste conciliar bem os estudos com o basquetebol?

Consegui. Nem sempre foi fácil e até tive que faltar a alguns exames por causa dos estágios. Mas acho que tive um bom desempenho tanto nas actividades desportivas (Esgueira e Selecção) como na Universidade. Com um pouco de esforço tudo se consegue e se para atingirmos os nossos objectivos temos de batalhar e passar por alguns sacrifícios.

Quais os teus objectivos no basquetebol?

Chegar a uma equipa profissional. Se possível no estrangeiro uma vez que o basquetebol em Portugal está cada dia pior. Tenho noção que não vai ser nada fácil e talvez seja mesmo impossível mas vou lutar para atingir os meus objectivos.

Para terminar, lembraste de algum conselho dado por alguém (pais, treinador, colega, dirigente, etc) que aches importante deixar aos jogadores que se estão a iniciar nesta modalidade?

Sim. O primeiro conselho que me deram foi que é essencial ser sempre muito humilde em tudo aquilo que fazemos para que consigamos ter sucesso, e quem me deu esse conselho foi o meu antigo treinador Carlos Bio. Outro conselho que é importante e que foi sempre o que os meus pais me disseram é que os estudos têm que estar sempre em primeiro lugar.


E o pavilhão veio abaixo… (II)

Outubro 26, 2007

Também na primeira jornada da Euroliga, os adeptos do Panathinaikos deram o espectáculo do costume. Qual o jogador que não adorava jogar num pavilhão com um ambiente destes?


E o pavilhão veio a baixo…

Outubro 26, 2007

Os adeptos do Partizan a darem espectáculo no jogo da primeira jornada da Euroliga, em que os sérvios ganharam ao Barcelona:


NCAA – o espectáculo vai começar

Outubro 25, 2007

Sou um pouco suspeito para escrever um texto sobre a NCAA, o Campeonato Universitário Norte-americano. Confesso que é uma das minhas competições preferidas, por isso, é natural que seja um pouco tendencioso nas palavras que se seguem. Mas vou tentar manter a coerência…

Tar HeelsApesar das minhas preferências pessoais, acho que é consensual que se trata de um campeonato espectacular e de um tipo de basket bastante agradável de se seguir, sempre jogado a um elevado ritmo fruto da excelente preparação física e também da constante rotação de jogadores que os treinadores levam a cabo durante os jogos. É bastante admirado -por adeptos, treinadores, comentadores, etc – porque ao atleticismo existente junta conceitos técnicos e tácticos que culminam num jogo de basket ‘autêntico’. As transicções são feitas a um ritmo muito elevado, e as alternâncias defensivas são uma constante: ora HxH, Zona, Pressão campo inteiro, Zona Press, e por aí fora dependendo dos jogos e dos adversários. O jogo tem a duração de 40 minutos divididos em duas partes de 20 minutos. O tempo de ataque de cada equipa é de 35 segundos, o que contradiz aqueles que defendiam a redução do tempo de ataque para que o jogo se tornasse mais rápido.

A competição começa em Novembro e termina no fim-de-semana de 5 a 7 de Abril de 2008. Nesse fim-de-semana realizar-se-á em San Antonio um dos eventos desportivos do ano nas terras do Tio Sam: a famosa Final Four da NCAA! Acompanhada por milhões de pessoas, é na Final Four que todas as equipas querem estar. No entanto, das mais de 300 equipas que começam a época regular, ‘apenas’ 64 entram na loucura do March Madness. Essas 64 equipas estão divididas em 4 poules de 16 equipas, e jogam a eliminar até que seja apurado o vencedor de cada poule, que garantirá assim o seu lugar na Final Four. Mais lá para a frente, daremos mais atenção ao March Madness! Por agora, acrescentamos só que o nome se enquadra na perfeição com aquela fase do campeonato, onde nunca faltam emoção, grandes surpresas e muita festa.

KentuckyNo entanto, a festa e a euforia não aparecem só em Março e Abril. Começa logo no início da época. Só para terem uma pequena noção, na noite de apresentação da equipa de Kentucky – denominada Big Blue Madness – estavam no pavilhão 23.313 pessoas para acompanhar de perto os seus jogadores e o primeiro treino que iriam efectuar no Campus. A euforia vivida à volta da equipa de Kentucky e do seu novo treinador – Billy Gillispie – é tanta, que para o Big Blue Madness, os fãs acamparam durante vários dias no Campus Universitário para conseguirem comprar o ingresso.

Pelos vistos, nem as recentes polémicas acerca de irregularidades no acto de convencer alguns atletas a integrarem os programas desportivos de algumas das mais importantes Universidades abalaram a popularidade e a incrível envolvência das pessoas em relação ao basquetebol universitário. No primeiro treino dos Tar Heels, a equipa de North Carolina, estiveram cerca de 6.000 pessoas para assistir ao ‘Late Night Show with Roy Williams’ que incluiu a apresentação da equipa e um primeiro treino para delírio dos fãs. E a Universidade de North Carolina, por onde já passaram algumas das maiores estrelas do basquetebol mundial, foi uma das envolvidas na tal polémica.

Florida GatorsNos dois últimos anos a competição foi dominada pelos Gators da U.Florida, treinados por Billy Donovan. No entanto, a excelente equipa separou-se, com vários jogadores a ingressarem na NBA (Al Horford, Corey Brewer – MVP da Final Four, Joakim Noah, Taurean Green), e agora restam os jovens menos utilizados na última época e algumas promessas vindas do High School. O treinador Billy Donovan – que chegou a ser treinador dos Orlando Magic, durante menos de uma semana – tem agora o papel de tentar reconstruir uma grande equipa que volte a fazer dos Gators uma das melhores equipas da NCAA.

Este ano, há 6 ou 7 equipas apontadas como favoritas: North Carolina, Memphis, Georgetown, Louisville, Kansas, UCLA e Michigan State. Mas num campeonato tão longo e sempre cheio de surpresas, tudo pode acontecer. Vão estando atentos, que regularmente vamos tentando colocar aqui alguma informação sobre este espectacular campeonato.

Nota: Caso estejam interessados em assistir ao vivo à Final Four da NCAA, poderão reservar os vossos bilhetes, mas só para a edição de 2009. É que os bilhetes para a Final Four desta época, a realizar em Abril de 2008, já estão esgotados há algum tempo…


Separados à nascença

Outubro 23, 2007

Neste novo espaço no Seis25, iremos mostrar jogadores, treinadores e outros intervenientes do basket que, por um motivo ou outro, tenham sido afastados dos seus “irmãos gémeos”. Quem encontrar mais “irmãos” por esses campeonatos fora, pode deixar um comentário com a sua sugestão, que posteriormente colocaremos online.


Os candidatos do costume com muito jogo até Madrid

Outubro 22, 2007

Ai está a maior competição de clubes europeus de Basquetebol. Com o habitual formato alargado que permite bastantes jogos, a EUROLIGA inicia-se hoje e só terminará em Maio no Palácio dos Desportos de Madrid. Os candidatos de sempre – Panathinaikos, Maccabi, CSKA Moscovo, Barcelona, Unicaja, Tau Ceramica, Olympiacos,Real Madrid.. - vão esgrimir argumentos durante muitos meses de competição. Primeiro, 24 equipas divididas em 3 grupos de 8 vão lutar por um dos 16 lugares na fase seguinte da competição (passam os primeiros cinco de cada grupo mais o melhor sexto). Numa segunda fase, em Fevereiro, as 16 equipas qualificadas agrupam-se em 4 grupos de 4 e disputam entre si uma nova poule. Apuram-se para os 1/4 Final os dois primeiros de cada grupo. Posteriormente, os vencedores dos 1/4 final (que são disputados à melhor de três jogos) qualificam-se para a já mítica FINAL FOUR, onde meias-finais a eliminar, decidirão os finalistas.

O Panathinaikos, a equipa com mais títulos nos últimos dez anos (3), defenderá o título que conquistou o ano passado numa final frente ao CSKA, a equipa que havia vencido a competição em 2005/06. Precisamente na última década, as equipas que mais finais atingiram foram o Maccabi (5) , o Panathinaikos (4) e o Bologna (4). Este ano participam de Espanha o Barcelona, o Real Madrid, o Unicaja e o Tau Cerâmica, de Itália o Milano, o Roma, o Siena e o Bologna, da Grécia o Olympiacos, o Panathinaikos, o AEK e o Aris, da Polónia o Prokom Sopot, da Rússia o CSKA Moscovo, da Turquia o Fenerbahce e o Efes Pilsen de Israel o Maccabi, da Alemanha o Brose Baskets, da França o Chorale Roanne e o Le Mans, da Croácia o Cibona, da Sérvia o Partizan, da Lituânia o Lietuvos Rytas e o Zalgiris e da Eslovénia o Union Olimpija

A EUROLIGA principiou esta noite, com o embate entre os campeões polacos do Prokom Sopot e os russos do CSKA de Moscovo. O calendário da 1ªJornada:

Segunda   Prokom-CSKA Moscovo 69-88 (Gr A)

Quarta    Siena-Union Olimpja , Bologna-Zalgiris (Gr A) ; Cibona-Efes Pilsen , Aris-Unicaja (Gr B); Panathinaikos-Roma , Partizan-Barcelona (Gr C)

Quinta  Olympiacos-Tau Ceramica (Gr A) ; Milão-Lietuvos Rytas , Maccabi-Le Mans (Gr B) ; Fenerbahce-Real Madrid , Brose Baskets- Chorale Roanne (Gr C)


Defender, o gozo absoluto

Outubro 20, 2007

Não sei se alguma vez pensaram nisto, mas um bom defensor consegue transformar os princípios elementares do Jogo e do bom-senso, convertendo a «figura principal» - o jogador com bola – num elemento ameaçado, amedrontado, perdido num jogo psicológico invulgar. Joelhos flectidos, enquadramento com o cesto, olhos na bola e na cintura do jogador, mãos a perturbar e «deslizar sem levantar». Vontade. Gozo absoluto. Defender proporciona um prazer desmedido em Basquetebol.

Olhar o adversário nos olhos, sentir a sua respiração transtornada, perturbar a condução de bola, tapar caminhos para o cesto, fechar linhas de passe, roubar bolas, sacar faltas atacantes, dobrar um companheiro ultrapassado, comunicar, apreciar as caras de incapacidade e revolta nos adversários quando a defesa resulta. Ver um contra-ataque bem sucedido logo depois de se ter saboreado a impotência inimiga nos 24 segundos anteriores. E renovar a vontade. Defender é solidariedade. É salto para a linha cesto-cesto quando a bola está do lado contrário, é mergulhar no chão para ir buscar uma bola perdida, é fechar a linha final, é bloquear para garantir o ressalto, é saber que se porventura falharmos teremos alguém a dar o corpo ao manifesto por nós.

Pode-se ensinar a posição defensiva mas como se incute gozo? Pode-se estimular a atitude, espicaçar a entrega ao jogo, mas como se transmite  prazer no sacrificio de estar tantos segundos em posição tão incómoda? Pode-se apelar à união mas como se constrói solidariedade?

Como fazer chegar tudo isto aos atletas em formação? No fundo, como ensinar defesa? Qual a vossa opinião?


La Penya: A fábrica de talentos

Outubro 18, 2007

Badalona é uma cidade, especialmente, apaixonada por basket. E quando se fala em Badalona, rapidamente se associa o nome da cidade ao Club Joventut de Badalona: uma das melhores equipas de basquetebol em Espanha, e consequentemente, na Europa. E unânimemente considerada uma das melhores escolas de formação no basquetebol europeu.

Ricky RubioCom uma política de formação bem definida o Joventut enquadra um total de 28 equipas de formação, não contando com a equipa ‘B’, CB Prat, que milita na EBA e da qual fazem parte algumas promessas. Destas 28 equipas, 5 são denominadas de ‘Club’. São as equipas de maior projecção, na qual estão os melhores atletas, divididos por ano de nascimento. As restantes 23 equipas são denominadas “Escuela de Basket”, e nelas estão integradas as equipas de Iniciação, Pre-Mini, Mini e Pre-Infantil. Ainda fazem parte deste lote as equipas de Cadetes ‘C’ e as equipas de Infantis C e D. Ou seja, qualquer jovem que tenha até idade de ‘Cadete’ pode jogar no Joventut de Badalona, independentemente da qualidade do seu jogo. Esta política de ‘clube aberto à comunidade’ permite que tenham um grande número de praticantes, que assim criam importantes laços com o clube.

D. MalletAlém disso, os resultados desportivos, tanto a nível profissional, como a nível das equipas da cantera fazem do Joventut uma das principais potências do basket espanhol. Ainda na época passada conquistaram os títulos de campeões nacionais de Infantis e Cadetes. A nível profissional, chegaram às meias-finais dos Playoff tendo sido eliminados pelo Real Madrid (3-2), que depois se sagrou campeão. Além dos resultados, existe uma filosofia de jogo que lhes dá a oportunidade de praticar um basket rápido e espectacular, tanto em termos ofensivos como defensivos. É um estilo de jogo contagiante para os cerca de 8.500 adeptos que costumam acompanhar a equipa no Palacio de Deportes de Badalona.

Trata-se sem dúvida de um clube ‘especial’. Presidido por uma antiga estrela do clube, Jordi Villacampa, é incrível a ligação que existe com a cidade e isso espelha-se, entre outras coisas, na política de aposta em jogadores provenientes dos seus escalões de formação. Não é de estranhar que o DKV Joventut seja a equipa da Liga ACB (Liga essa que ajudou a fundar, tendo nela competido em todas as épocas) com mais jogadores espanhois no seu plantel: Pau Ribas (aos 20 anos vai para a sua quarta época na principal equipa), Rudy Fernández (22 anos e a iniciar a sétima época com a equipa sénior), os irmãos Ricky Rubio (o mais recente fenómeno: 17 anos, terceira época no DKV Joventut) e Mark Rubio, Pere Tomàs, Ferran Laviña e Eduardo Hernandez-Sonseca. Destes sete jogadores, apenas Laviña e H-Sonseca não são originários das equipas de base do Joventut. A juntar a estes há ainda o russo Dmitry Flis que foi para a Catalunha para ser integrado na equipa junior do Joventut.

RudyTodo este sucesso e credibilidade, fazem com que as empresas queiram estar associadas ao Joventut, e assim surgem parcerias que permitem, por exemplo, que os veículos oficiais do clube sejam todos da Peugeot, e que os atletas da equipa sénior se façam deslocar em viaturas oferecidas por essa marca. Foi também criado o cartão ‘VISA Força Penya’ que dá aos adepos a possibilidade de terem descontos em entradas para os jogos, na compra de merchandising do clube, nas viagens que os adeptos façam para acompanhar o DKV Joventut, nomeadamente a nível de deslocações, alojamento e aluguer de viaturas. E os fanáticos adeptos da Penya (como carinhosamente apelidam o clube, em alusão ao nome inicial da colectividade) agradecem estas iniciativas, apoiando ainda mais o clube. Prova disso foi a forma que alguns adeptos encontraram de agradecer a Rudy Fernandez não se ter transferido para o rival Barcelona durante o último verão: ‘Graciès per dir no al Barça, força Rudy!’.

Posto isto, a pergunta que fica é: Porque é que o Joventut Badalona é um caso único no basquetebol espanhol, ao mais alto nível? Porque não apostam as restantes equipas nos jogadores das suas equipas de base?

Nota: O Joventut está a tentar criar em Badalona algo a que chamam “Capital Europea Del Basquet“. Quem tiver curiosidade, pode consultar aqui o projecto.


Cláudio Fonseca – O futuro já começou

Outubro 17, 2007

C. FonsecaNa passada semana o Pamesa Valencia viu-se sem Rubén Garcés e sem, o veteraníssimo, Zeljko Rebraca. De repente, os valencianos perdiam dois dos seus jogadores interiores para defrontar a equipa do Ricoh Manresa.

Para a maioria dos seguidores da ACB, esta seria a informação essencial a retirar: Garcés e Rebraca de fora. Ou seja, Pamesa ‘à rasca’ com o seu jogo interior. No entanto, para nós portugueses, significava que o jovem Cláudio Fonseca poderia finalmente ser convocado para um jogo da Liga ACB. Até quinta-feira a dúvida e esperança mantinha-se. Na sexta, tudo foi dissipado. O Cláudio foi mesmo convocado, pela primeira vez, para um jogo da equipa do Pamesa Valencia que compete na ACB. Muitos pensávamos que tinha sido convocado para estar no banco. No entanto, o treinador grego Fotis Katsikaris pôs Cláudio em campo durante 1:56 minutos.

No entanto, o tempo de jogo é algo irrelevante para escrevermos as próximas linhas. Para os mais desatentos, Cláudio Fonseca é uma das maiores esperanças do basquetebol nacional dos últimos tempos: aos 18 anos já se estreou numa das mais fortes ligas do mundo, e do alto dos seus 2.06m continuará a evoluir até se afirmar como um valor seguro do basquetebol nacional, e quem sabe, do basquetebol internacional. Para isso, precisa de trabalhar muito os seus índices físicos e também o seu lançamento – gesto no qual poderá melhorar bastante, sobretudo ao nível da eficácia de lançamento.

Por enquanto continuará a evoluir na equipa B do Pamesa – Série E da Liga EBA. Nós continuaremos à espera. À espera que depois de Victor Claver, seja Cláudio Fonseca o próximo jogador da cantera do clube a chegar à equipa principal. À espera que Cláudio se desenvolva e se torne no jogador que muitos esperam.

Para já, continua a ser uma esperança. Mas…e em 2009 como será? Cláudio terá 20 anos e, muito provavelmente, uma capacidade física mais adequada para disputar duras batalhas com os postes adversários. Ganhará peso e força. O seu lançamento será mais consistente, e certamente o trabalho de pés e os movimentos interiores estarão muito mais desenvolvidos. Será aposta para o Euro2009? Será que o país poderá contar com Cláudio já no próximo Europeu?


We really love this Game…

Outubro 16, 2007

“I realized that New York is where I am supposed to be, and the Knick uniform is the one I want to wear [...] I hope to contribute in the weeks and months ahead [...] I don’t know anything, but I feel like I can help. I believe that professional athletes retire when there is no longer a desire to play, but that wasn’t the case for me. It was health, so now I feel that my health has been restored.”

Allan Houston, atleta veterano,36, que vai voltar a jogar pelos New York Knicks depois de 2 anos de interregno de NBA 

O que leva grandes jogadores como Jordan, Malone, Barkley,Pat Ewing, Oscar Schmidt, Payton, Sam Cassell, Rubbin Cotton, Allan Houston ou Robert Horry a jogarem até idades consideradas muito avançadas? O que leva alguns jogadores a ficarem agarrados à vontade de jogar e a terem dificuldade em colocar definitivamente um ponto final nas suas carreiras?E nos casos em que se decidem por um suposto fim, o que os faz voltar ao jogo? As opiniões dividem-se e cada caso terá uma explicação específica.

Certamente que a vontade de conquistar «aquele» título que continuava a escapar terá sido o principal factor em alguns dos atletas. Mas, convenhamos, para muitos outros, isso foi/é completamente irrelevante. Cassell não joga nos Clippers à procura de titulos e Robert Horry já tem alguns aneís de campeão. Pese embora Payton e Malone sejam provas irrefutáveis do contrário [a busca do título em falta], será a paixão pelo jogo que leva alguns dos veteranos a voltar a jogar «só mais uma época»? É aquela vontade de competir que permanece ou – quem terá coragem para o refutar? – o dinheiro que continua a pingar? 

Se atentarem nas palavras de Houston, verificam que há nelas algo de dramático. Arriscaríamos, uma perspectiva existencial de vida. Houston voltou porque se apercebeu que o seu lugar era ali. Pertence ao jogo e o jogo está-lhe nas veias. O mundo não é a preto e branco, mas a utopia associada a esta linha de raciocínio é a que constrói amantes da modalidade e a que traz referências para o futuro. O Garden, não duvidem, voltou a sonhar…infundadamente claro, mas que interessa isso?


Guardem o champanhe!

Outubro 14, 2007

Joan PlazaJoan Plaza tem sido sinónimo de sucesso nos últimos tempos. Sob o seu comando, na época de 2006-07, o Real Madrid conquistou o 30º campeonato da sua história – frente ao Barcelona – e venceu a ULEB Cup. Só lhe faltou ganhar a Taça do Rei: perdeu na Final para o Barça.

Este ano, os sucessos parecem continuar: a equipa do Real Madrid iria defrontar os Toronto Raptors, terminando assim a digressão NBA Europe Live, que trouxe ao Velho Continente as equipas dos Toronto Raptors, Minesotta Timberwolves, Memphis Grizzlies e Boston Celtics. Para os Raptors tratava-se do segundo jogo da pré-época, para o Real Madrid era um jogo de treino entre a 1ª e a 2ª jornada da Liga ACB. Ok, era um pouco mais do que isso! Era um jogo contra uma equipa da NBA, a melhor Liga do Mundo. Resultado final? Os de Madrid ganharam por 104-103.

Os defensores do basquetebol norte-americano podem dizer que era só um jogo de treino, mas eu defendo que ninguém gosta de perder. Podem dizer que Chris Bosh não jogou. Eu acrescento que o Felipe Reyes também não. Podem ainda defender-se dizendo que os Raptors estavam mais preocupados em rodar os seus jogadores. Eu digo que o Real também o estava, como se pode comprovar pelo tempo de jogo dos seus atletas. Aliás, o Real tinha mesmo de ter em conta a rotação dos seus jogadores, uma vez que este fim-de-semana tem uma prova de fogo na Liga ACB: jogo contra o TAU Ceramica, uma das equipas mais fortes da Europa.

Joan Plaza deu tempo de jogo aos seus atletas, deu-lhes a oportunidade de defrontarem uma equipa NBA, viu um jovem de nome Sergi Lull assumir algum protagonismo, e viu a sua equipa a bater uma equipa que na época anterior se apurou para os Playoff da NBA. Mas Plaza mostrou-se pouco efusivo, dando até a entender que a vitória não o surpreendeu assim tanto. ‘Nos gusta dar una alegría y creo que, a la gente que le gusta el baloncesto independientemente del equipo que sea, se la hemos dado. Pero sabemos que el partido importante es el del domingo contra el Tau. Queríamos tener un entreno y ha sido un entrenamiento divertidísimo. Pero no voy a abrir una botella de cava!’

Estarão a chegar os dias em que é normal uma equipa da Europa vencer outra da NBA?


Proliga – (o nosso) Top 10

Outubro 13, 2007

Prometido é devido. Por isso, e porque gostamos de cumprir as nossas promessas, aqui fica a lista dos 10 jogadores da Proliga que, na nossa opinião, devem ser seguidos com atenção. Uma vez que a Proliga é o ‘verdadeiro’ campeonato nacional, optámos por escolher 10 jogadores de nacionalidade portuguesa.

MVP! MVP!

Daniel Félix (Illiabum)

Daniel Félix foi a grande figura portuguesa da Proliga nas duas últimas temporadas. Ao serviço do Esgueira, teve duas épocas fantásticas, sendo reconhecido por todos como um dos melhores jogadores a actuar neste campeonato, disputando com os melhores americanos o título de MVP da Proliga. Nos dois anos passado em Esgueira, brindou os adeptos aveirenses com desempenhos notáveis, demonstrando uma enorme capacidade ofensiva e argumentos técnicos que levam muita gente a interrogar-se do porquê de Daniel não dar o salto para um campeonato mais competitivo. Este ano, ao serviço do Illiabum, a sua influência talvez não seja tão evidente, mas certamente que irá continuar a ser decisivo e será um dos maiores quebra-cabeças para as defesas adversárias.

Amor à camisola

Fernando Sousa (Académica)

Caso perfeito de amor e fidelidade a um clube. Fernando tem merecido o destaque pelas épocas constantes que tem realizado nos últimos anos ao serviço da sua equipa de sempre, a Académica. É um jogador completo que não limita o seu jogo a apenas um elemento do mesmo: marca pontos, ganha ressaltos, assiste os seus colegas, defende, é a verdadeira alma da Briosa. Foi por diversas vezes apontado como reforço de equipas da Liga Profissional, mas nunca trocou a sua Académica por nenhum outro clube, e actualmente até desempenha funções directivas na secção de basquetebol do clube. É um dos melhores jogadores desta competição, e este ano com a ajuda do seu colega Bruno Costa, com quem jogou nos escalões de formação da Académica, para levar o estudantes de novo aos Playoff.

Os consagrados

Miguel Minhava (Benfica)

É provavelmente o melhor jogador deste Campeonato. Pelo menos, o mais conceituado. Foi eleito o MVP da Taça António Pratas, e prepara-se para conduzir o Benfica neste ataque ao título de campeão nacional. Faz da sua estrutura física uma das suas principais armas, e parece que nesta competição irá aparecer em destaque noutras áreas do jogo, como a marcação de pontos (terá tendência para aumentar os seus números) e os ressaltos. Além de tudo isto, a experiência que adquiriu nos últimos anos, e a recente presença no Eurobasket07 fazem de Miguel Minhava um dos jogadores com mais hipóteses de brilhar na Proliga. É sem dúvida um reforço de grande qualidade para este campeonato.

António Tavares (Benfica)

Tal como o seu colega de equipa Miguel Minhava, também António Tavares é um dos ‘reforços’ mais sonantes na Proliga. Se no campeonato da LCB já era um dos jogadores com maior poderio ofensivo, na Proliga essa capacidade ofensiva irá ter ainda maior destaque, tendo em consideração as diferenças físicas de uma competição para a outra. A sua capacidade explosiva e o seu lançamento em suspenção poderão causar inúmeros problemas às defesas contrárias. Depois dos problemas disciplinares que teve na última época, Tavares pretende mostrar que não se deixou afectar pelo período que esteve sem competir, e tem uma excelente oportunidade para voltar a brilhar.

Aqui vou ser feliz!

Nuno Pedroso (Vit. Guimarães)

Depois de uma fugaz passagem pelo Aveiro Basket da LCB, Nuno Pedroso regressou ao Guimarães na época passada e foi, sem dúvida, um dos principais responsáveis pelo sucesso que a equipa vimaranense teve no último ano. É um bom base, com uma interessante capacidade física que também lhe permite jogar a “2″ e defender jogadores que joguem a “2″ e mesmo a “3″. Não é um base exuberante, mas a sua vísivel concentração no jogo permite-lhe desempenhos muito interessantes e que geralmente têm um contributo muito interessante para a sua equipa, nomeadamente ao nível de pontos marcados e de organização do jogo em ataque. É uma das principais armas da equipa de Guimarães, no ano em que procuram revalidar o título conquistado.

Rui Quintino (Galitos FC)

Trata-se de outro jogador que teve uma passagem bastante discreta pela LCB, nomeadamente ao serviço do Benfica, e que encontrou na Proliga o espaço ideal para se afirmar enquanto jogador. Primeiro ao serviço do Algés, agora defendendo as cores do Galitos do Barreiro Rui Quintino é um jogador muito combativo, com grande influência no capítulo do ressalto, e que em ataque também costuma contribuir com alguns pontos marcados. No entanto, pensamos que deveria explorar mais o seu lançamento exterior, pois o seu jogo ganharia uma outra dimensão e iria causar muito mais problemas aos seus opositores. É, muito provavelmente, a principal referência nacional do Galitos FC, e com a chegada do Ângelo Brito ao clube da Margem Sul, é provável que Quintino passe a fazer mais minutos a extremo, aquela que nos parece ser a posição em que mais rende.

Força interior

Pedro Silva (Illiabum)

É a par de Daniel Félix, uma das principais contratações do clube de Ílhavo para esta nova época. Trata-se de um dos melhores jogadores interiores nacionais a actuar na Proliga, e os últimos anos ao serviço do Sampaense comprovam isso mesmo. As suas contribuições para os títulos alcançados pelos homens de S.Paio de Gramaços foram decisivas, e é dos poucos portugueses que cria desiquilíbrios ao nível do jogo interior. Apesar de ter mobilidade algo reduzida, usa bem a força física que tem, e além disso aparece regularmente a lançar de 3 pontos, o que causa algumas dificuldades aos jogadores que têm de o defender: normalmente jogadores menos móveis, e que se vêm obrigados a sair do garrafão devido ao lançamento exterior de Pedro Silva. Também na defesa se destaca, tanto ao nível dos ressaltos conquistados, como ao nível dos desarmes de lançamento.

Pedro Silva (Vit. Guimarães)

Outro jogador do Vitória de Guimarães que conta com alguma experiência a actuar na LCB, onde passou por vários clubes. Ao serviço do Vitória tem-se revelado fundamental, nomeadamente no que toca aos aspectos defensivos e à participação no ressalto – tanto defensivo, como ofensivo. A sua força física era uma das suas principais vantagens, e ao que parece, parte para esta nova época ainda mais forte fisicamente, demonstrando que está preparado para o que der e vier, e que não será problema nenhum para ele continuar a ‘dar tudo o que tem’ sempre que estiver dentro de campo – algo que em muito agrada os adeptos do Vitória. Ao nível ofensivo, apesar de por vezes meter alguns lançamentos longos, pensamos que é pouco constante nesta área do jogo, e que poderia trabalha-lá um pouco mais. No entanto, tem argumentos suficientes para fazer a diferença em muitos jogos. É o principal líder desta equipa.

Jovens ao poder

Tiago Pinto (Queluz)

É uma das esperanças do basquetebol nacional. Tiago Pinto, base da Selecção sub20, e que o ano passado já integrava a equipa sénior do Queluz, que se encontrava a disputar a Liga UZO. Conseguiu médias interessantes de utilização, sendo várias vezes escolhido como a segunda opção para jogar a base. No entanto, e talvez motivado pela sua fragilidade física e normal imaturidade, nem sempre conseguiu demonstrar, na Liga UZO, o potencial que nele se vê. Tem este ano uma boa oportunidade para melhorar o seu jogo e o seus índices físicos, numa perspectiva de poder voltar a competições de maior qualidade. Será certamente uma boa surpresa, e será também uma das principais referências na equipa de Sintra.

Samuel Lóio (Esgueira)

Numa das equipas mais jovens do Campeonato, uma das suas principais figuras é um dos jogadores mais jovens da Proliga. A competir nesta divisão desde os seus 16 anos de idade, Samuel vai para a sua terceira época ao serviço da principal equipa do Esgueira e prepara-se para, aos 18 anos, se afirmar como um dos principais jogadores jovens do país. Na época anterior já conseguiu números interessantes, mas foi algo inconstante nos seus desempenhos. Este ano, é natural que assuma um papel mais decisivo sobretudo na marcação de pontos, uma vez que já não mora em Esgueira o principal anotador das épocas anteriores (Daniel Félix). Samuel esteve este ano no Europeu de Sub18, acabando por ter uma participação algo discreta. No entanto, o potencial está lá, e a facilidade e naturalidade com que assume o jogo da equipa aveirense é impressionante num jovem de 18 anos.


Trabalho sem bola

Outubro 10, 2007

Ao ver jogos e treinos de algumas equipas reparo que muitos são os atletas que não sabem trabalhar sem bola de maneira a criar linhas de passe ao colega que tem a bola, ou até dar-lhe espaço para jogar. Vejo atletas que se cansam exaustivamente, que entram em danças com o seu defensor, que desgastam o piso ao percorrer sempre a mesma superfície. No secto feminino esta dificuldade é ainda mais gritante, sendo comum ver jogadoras paradas a ver a jogadora com bola a tentar safar-se. É, na minha opinião, uma clara lacuna de muitos jogadores.

Aliada a este facto, encontra-se a fraca leitura de jogo de muitos jogadores. Neste caso, penso que a fraca leitura de jogo tanto pode ser causa, como consequência de não saberem jogar sem bola. Na minha opinião é um aspecto em que é importante incidir, dando informação aos atletas sobre como se movimentarem em campo quando não estão na posse de bola. É que, segundo um estudo realizado em Espanha, cada jogador passa apenas 10% do tempo total de jogo com a bola na mão. Ou seja…4 minutos! O restante tempo de jogo, não tem a bola em seu poder. Penso que este dado demonstra a importãncia do saber jogar sem bola.

Fica um vídeo de ‘Rip’ Hamilton – um especialista em jogar sem bola.


Liga Profissional: uma liga que se arrasta e um país não representado

Outubro 9, 2007

 Quando andávamos no inicio da Escola, os professores diziam-nos: os factos memorizam-se e os conceitos apreendem-se. Nunca ninguém vos pediu (e se o fez, fe-lo erradamente) que memorizassem o que era a energia ou a social-democracia. Mas pediram-vos que soubessem a tabuada e a data de formação do condado portucalense. Pois então, memorize-se que esta Liga de Basquetebol não representa o país da modalidade e que este profissionalismo não resolveu as crises financeiras dos muitos clubes portugueses de Basquetebol.Factos são factos. Ficam de fora da principal competição portuguesa (será mesmo?) clubes históricos, que idependentemente dos dieritos desportivos adquiridos ou não nos últimos anos, teriam, num outro modelo competitivo e numa outra lógica de modalidade, outros argumentos para permanecer na Primeira Divisão do Basquetebol. Falamos de Seixal, Sampaense, Queluz, Esgueira, Illiabum, Vitória de Guimarães, Sangalhos, Académica,Atlético. Citem-se os «perdidos» Beira-Mar, Vasco da Gama, Sporting, Imortal, Algés, Olivais. Acrescente-se o Benfica. As agonias financeiras dos que desapareceram servem de alerta, mas não se pense que os que subsistem o fazem sem terem a corda na garganta. Nada de mais errado. A maioria do Basquetebol português vive em constantes dificuldades financeiras. Há os que abdicam de apostar na formação. Há os que deixam de ir buscar americanos. Há os que definham. Achamos que em Portugal não há condições fora do Futebol para Profissionalismos Mamedianos, baseados em utópicas e inadequadas apostas de sobrevivência.A Liga Profissional inicia-se no próximo dia 20 de Outubro. Nela participam:OVARENSECordell Henry, Ben Reed,Graham Brown(ex-Lusitânia), Élvis Évora, Gregory Stempin,Nuno Manarte, João Soares, João Abreu(exCNB1), Miguel Miranda, Rui Mota, Nuno Cortez, André Pinto, Fernando NevesFCPORTOJoão Figueiredo(exLusitânia),Nuno Marçal, Paulo Cunha, João Dimantino, Paulo Dimantino, Augusto Sobrinho, João Gaspar,Fábio Fernandes, Jorge Sing(exGinásio), Frederick Gentry(exPetro Luanda),Toree Morris e Terrance Johnson(ex Dijon)LUSITÂNIA, GINÁSIO, BELENENSES, BARREIRENSE, CAB MADEIRA eVAGOS completam a listaHistorial de campeões da antiga 1ªDivisão: Benfica 20 Sporting 8 Carnide 7 FCPorto 6 Académica 4 Sp.Lourenço Marques 3 Vasco da Gama 3 Barreirense 2 Belenenses 2 Ovarense 1 Queluz 1 Ginásio 1 Malhangalene 1 Sport Luanda e Benfica 1  Conimbricense 1 Uniáo Lisboa 1Historial de campeões da Liga Profissional (inicio 1995): FCPorto 4 Portugal Telecom 3 Ovarense 3 Queluz 1 Estrelas da Avenida 1ps1- Um olhar pormenorizado sobre alguns dos melhores jogadores da Liga fica prometido para mais tarde ps2- dêem uma vista de olhos ao blogue do professor e assistam a 2 resumos antigos do Barreirense. Genialps3- assistam  aqui ao último Ovarense-FCPorto da última época,grande final, a 7 jogos, boa promoção da modalidade.