As escolhas do treinador (III)

No último domingo de 2007 assistia ao Lusitânia Angra Património Mundial – CAB Madeira, jogo da 9ª jornada da Liga UZO e transmitido pela RTP2. Mais uma vez os comentários estavam a cargo de Pinto Lopes.

Francisco Fernandes

A equipa da ilha Terceira esteve sempre na frente do marcador, amealhando uma vantagem na casa dos 10 pontos e controlando uma partida nem sempre bem jogada. No banco madeirense João Freitas começava a ficar com calores e já se tinha afastado do seu casaco. O CAB ameaçava recuperar e João Freitas cada vez mais empolgado e vibrante: cumprimentando efusivamente os seus jogadores quando tinham acções que eram do seu agrado. Freitas contagiava os seus atletas mas não perdia o discernimento. O jogo aproximava-se do final e o CAB Madeira tinha encostado no marcador.

Com 31 segundos para o final do encontro, o Lusitânia está na frente com 3 pontos de vantagem e tem posse de bola. Manuel Povea pede desconto de tempo e prepara as suas tropas para os derradeiros segundos. Freitas, já com a camisa por fora das calças, reúne os seus jogadores e diz-lhes o que fazer para vencer o jogo. Os treinadores cumprem a sua missão e o comentador não podia ficar atrás, pelo que também dá o seu palpite: o CAB tem de fazer falta para parar o relógio. E depois relembra os telespectadores que no 4º período o CAB só tem 2 faltas acumuladas, pelo que tem de fazer falta para levar o Lusitânia para a linha de lance-livre. Ora, segundo as minhas contas o CAB tinha de fazer não uma mas sim três faltas até que o Lusitânia tivesse direito a dois lances.

As equipas voltam ao campo e o CAB, ao contrário do que ditava o comentador Pinto Lopes, vem disposto a defender a posse de bola adversária com o objectivo de a recuperar sem sofrer ponto tentando nos segundos que restassem empatar o jogo para o levar a prolongamento.

Pela televisão chega a discordância de Pinto Lopes, dizendo que é um erro estratégico e que José Costa deveria ter feito logo falta. No entanto o jogo continua a correr, o CAB defende e bem, contesta o lançamento do jogador do Lusitânia, recupera a posse de bola e sai para ataque. Com cerca de 10 segundos para jogar, o CAB perde por 3 e tem posse de bola. Não conseguiram o tal lançamento que empatasse o jogo, mas conseguem ter José Costa na linha de lance-livre após ter sofrido uma falta, inteligentemente feita, pelos açorianos. Marca o primeiro, falha o segundo mas recuperam posse de bola porque um jogador do Lusitânia tocou para fora. 

Com 1 segundo para jogar, Pinto Lopes avança com uma leitura ‘correctíssima’: o CAB teve sorte. Sorte? Bem, eu prefiro dar mérito ao treinador João Freitas que no meio de tanto fervor conseguiu tomar uma excelente decisão: acreditou nos seus atletas, acreditou na qualidade defensiva da sua equipa. Soube que iam recuperar a bola sem sofrer ponto e que ainda teriam oportunidade de empatar o jogo. E foi exactamente isso que aconteceu.

Pinto Lopes chamou-lhe sorte. Sorte seria o CAB fazer três faltas em menos de 10 segundos, esperar que o jogador que sofresse a terceira falta fosse para a linha, e falhasse os dois lançamentos, e depois os homens da Madeira conseguissem concretizar. Isso sim, seria sorte. Dar dois lançamentos fáceis, sem oposição alguma a um jogador adversário quando este está a ganhar por 3 pontos e esperar que ele falhe os dois…é abusar da sorte!

O CAB acabou por perder o jogo porque não conseguiu concretizar o último lançamento, mas com esta decisão João Freitas deu crédito aos seus atletas, confiou na atitude defensiva da sua equipa e assim deu a decisão aos seus homens ao invés de dar a decisão do jogo ao adversário que fosse para a linha de lance-livre.

Com esta decisão, fiquei a gostar ainda mais de João Freitas. Com este comentário, contínuo com a mesma opinião de Pinto Lopes…

Uma Resposta para “As escolhas do treinador (III)”

  1. Pat Diz:

    Bela leitura da situação! Aproveitei para tirar umas dicas. ;) Qt ao Pinto Lopes, já se sabe..O João Freitas emana todo o espírito do clube madeirense!

Deixar uma Resposta