Tal como o fizeram as duas galáxias visiveis no Hemisfério Sul, no século XVI, durante a circunavegação de Fernão de Magalhães, também a nuvem negra de magalhães que paira sobre o basquetebol português pode ajudar a trilhar novos caminhos para a modalidade. Por mais negra que a nuvem pareça.
A saída de Luis Magalhães e a recusa de Mário Palma ao convite para treinar a Selecção (preferindo um salário faraónico na Jordânia e a possibilidade de disputar um Mundial), são «negas» demasiado inesperadas ao nosso basquetebol para que tudo deva (não arriscamos o «possa») ficar na mesma.Primeiro, porque as razões que levam o ex-treinador da Ovarense a embalar a trouxa (falta de aquecimento no pavilhão, não contratação de jogadores para colmatar lesões de atletas importantes do plantel alegadamente por falta de verbas, falta de motivação pelo domínio quae total na Liga e falta de competitividade na ULEB Cup) são machadadas fortes no profissionalismo que muitos alegavam (e ele próprio defendia com unhas e dentes). E se em Ovar se anda assim, a vida noutras paragens da Liga deve andar bem pior…
Depois, porque se Mário Palma, por mais euros que os jordanos lhe coloquem na conta bancária, não aceita treinar a Selecção Nacional (um objectivo de carreira de qualquer treinador) num contexto altamente favorável, de confiança elevada depois de uma qualificação histórica para um Europeu e um dignificante 9ºlugar, então isso é bastante elucidativo da capacidade da modalidade em Portugal fixar os melhores em torno de objectivos colectivos como o é reconhecidamente a Selecção Nacional.
A passagem da Nuvem de Magalhães pelo nosso basquetebol é assim uma oportunidade única (mais uma) para se começar a colocar um ponto final na pseudo Liga Profissional remodelando ao mesmo tempo o quadro competitivo, para sentar à mesma mesa os responsáveis dos clubes e da Federação, para se projectar o futuro.
Nuvem negra? Nah, que 2008 traga antes bom feeling ao basquetebol português: