Ao passar os olhos no site da LCB encontra-se uma notícia sobre uma, interessante, proposta de acordo sugerida pela LCB à FPB. Ora, segundo essa proposta de acordo “no final da presente época (2007/08), os oito clubes do Campeonato da Liga e as equipas classificadas nos 1º e 2º lugares da competição não profissional imediatamente inferior devem exercer o seu direito desportivo, candidatando-se à participação nas competições profissionais da época desportiva seguinte.”
Acrescenta-se ainda que “a partir da próxima temporada (2008/09 e seguintes), a mesma obrigação de exercer o direito desportivo seja válida para as dez formações do Campeonato da Liga e para os dois emblemas finalistas da competição não profissional imediatamente inferior.” Assim, parece que o objectivo da LCB será ter em competição na época 2014/2015 nada mais nada menos que 22 equipas. Já que nenhuma pode ‘descer de divisão’ e as finalistas da competição imediatamente inferior têm o ‘direito obrigatório’ de se inscreverem na LCB…Ou nas contas dos responsáveis da Liga já entram os projectos que terão de ficar pelo caminho dado não terem condições de suportar o profissionalismo?
E o que acontecerá a quem não pretender exercer esse seu direito? Segundo a proposta “a não candidatura aos Campeonatos da Liga pelos clubes titulares do direito desportivo equivale à desistência de qualquer competição desportiva desenvolvida no âmbito da Federação Portuguesa de Basquetebol, com a consequente despromoção ao escalão competitivo mais baixo existente na modalidade.”
Portanto, o que agora é um direito, pretende-se que passe a ser um dever. E a consequência para quem não exercer esse ‘direito’ será a despromoção automática à última divisão do basquetebol nacional. É possível obrigar-se um clube que não tenha uma estrutura profissional, que não tenha apoios adequados para se aventurar no profissionalismo a seguir este caminho? Dão-se dois meses e meio aos dirigentes (não profissionais) para montarem toda uma estrutura profissional sustentável que perdure mais do que dois anos? É isto adequado à realidade que se vive em Portugal?
Não vamos sequer trazer para este texto os casos extintos de Aveiro Basket, Leiria Basket e Santarém Basket. Referimos antes o exemplo do Basket de Almada, um dos finalistas do II Campeonato da Proliga, que apresentava um plantel interessante em termos de qualidade, mas que por não ter um projecto sustentado vive agora na CNB1, não aguentando as exigências crescentes da Proliga.
E serve este exemplo para quê? Para referir que se isto aconteceu num campeonato sem exigências financeiras consideráveis, num campeonato não profissional, onde não existem salários mínimos, o que será das equipas que se vejam obrigadas a participar no Campeonato da LCB? Duram um ano? Dois? Põem em causa toda a existência de um clube? Pois…Isto de obrigar alguém a aventurar-se em algo para o qual não está preparado tem muito que se lhe diga…
Na cidade-berço mora um clube que parece caminhar de forma segura, dando pequenos passos até chegar a um nível que lhe permita abraçar outros voos. No entanto, no passado Verão muito se falou sobre as tentativas de ’sedução’ por parte da LCB para que o clube vimaranense integrasse os quadros da Liga Profissional. Muito bem fez o Vitória em permanecer na Proliga, crescendo progressivamente, conquistando adeptos, levando mais gente para o basquetebol e demonstrando que está no basquetebol de uma forma responsável e não pretende colocar a carroça à frente dos bois. Esta atitude ponderada deixará de ser possível caso a proposta da LCB seja aceite.
E o que acontecerá caso um clube da Proliga que não esteja minimamente interessado em assumir o profissionalismo se qualifique para as Meias-Finais da competição em que participa? Irá perder propositadamente? Ou joga para ganhar como sempre, e depois tentará safar-se mês após mês de ter uma corda a apertar a garganta? É engraçado imaginar um jogo entre duas equipas nas Meias-Finais que não queiram de modo algum enveredar pelo profissionalismo!
Não podemos no entanto tirar o mérito a esta direcção da LCB já que tem tentado várias abordagens para aumentar o número de equipas inscritas na sua competição: primeiro reduzem as exigências orçamentais, depois tentam transformar um direito num dever! A primeira parece adequada e acertada, a segunda……enfim!
Para finalizar fica uma curta definição de ‘Direito’ retirada da Nova Enciclopédia Larousse, e que vai um bocadinho contra aquilo que a LCB pretende pôr em prática: Direito – s. masc; Faculdade de realizar ou não algo, de exigir algo de outrem, em virtude de regras reconhecidas, individuais ou colectivas; poder, autorização.
Fevereiro 18, 2008 ás 16:57 |
Meu Deus tá tudo doido, mas se um clube não reunir os devidos apoios vai para a CNB2????
Tão loucos certamente, parece Fundos de Poupança, garantir que de ano para ano mais dois entram, mais juros….
Querem acabar com o Basket em Portugal e estão a deixar.
Assim não vamos lá mesmo e temos um desporto em sérios riscos.
Março 1, 2008 ás 16:49 |
A mim, a proposta não me parece tão ridicula assim…
Ridiculo seria perdermos o profissionalismo. era andar 20 anos para trás. A Liga não está bem mas a culpa não é só da propria Liga. A Liga este ano tem apenas oito clubes porque o Benfica e a Federação não ajudaram. É tão simples como isto. E em qualquer Liga europeia, há equipas que descem e equipas que têm que subir de divisão, Só aqui isso nao acontece.