Qual o limite de jogadores estrangeiros em cada equipa da Liga UZO e da Liga Feminina? As opiniões dividem-se e assim continuará a ser, não só em Portugal como em qualquer outro país. No nosso país o número permitido tem variado nos últimos anos: três, quatro, cinco, seis, cinco, quatro. Isto na competição masculina, já que na feminina, continuamos a poder ver apenas duas jogadoras estrangeiras por equipa.
Muitos defendem que um reduzido número de atletas estrangeiros daria maiores oportunidades aos jogadores nacionais. Sim, isso é evidente. Mas, dessa forma o nível médio das nossas principais competições não seria ainda mais fraco? Imaginemos uma Liga que permitisse apenas 3 estrangeiros por equipa: isto significaria que muitos dos jogadores que agora têm pouco tempo de jogo passariam a jogar muitos minutos. Ora, se agora estão no banco, é porque estão lá outros jogadores com mais qualidade. Ao retirarmos a possibilidade de captar esses jogadores de maior qualidade, não significa que estamos a baixar o nível da Liga?
Além disso, isto apenas levaria os clubes a dar início a uma série de processos de naturalização - como acontece em Espanha e tanta polémica tem provocado - para continuarem a contar com jogadores estrangeiros. E em Portugal muitos são os casos de naturalização: de Mike Plowden a Ian Stanback, passando por Kevin Van Veldhuizen, Matt Nover ou David Vik. Nestes casos, não foram só os clubes a beneficiar mas também a selecção nacional (pois…à excepção de Mike Plowden não sei se os outros ajudaram muito), já que passavam a ter um jogador interior com maior poderio físico.
Pessoalmente, não concordo com o “temos de dar oportunidades aos jogadores portugueses porque são portugueses”, ou com o “tem de jogar porque é português”. Não! Tem de jogar se for melhor que os que lá estão e integram a equipa! Não acredito que na hora de escolher os jogadores para o jogo do fim-de-semana os treinadores olhem para o Bilhete de Identidade ou Passaporte dos jogadores. Acredito que joguem porque merecem e fizeram por merecer durante a semana de trabalho. Aliás neste espaço destinado a falar de basquetebol, já foi publicada a entrevista feita a um treinador – André Martins – que revela isso mesmo, neste caso em relação aos jovens jogadores que integram a equipa do Queluz “eles jogam se merecerem e se mostrarem que têm qualidade, não é por serem jovens ou por serem da formação do Queluz.” E uma vez que neste tipo de competições o que mais interessa é o rendimento da equipa e os resultados obtidos, acredito que têm de ser os atletas a demonstrar que merecem jogar e que são melhores que os outros, e não se devem dar oportunidades só por dar, esperando que os jogadores atinjam níveis mais elevados de qualidade de jogo.
Sou ainda da opinião que um jogador desenvolve as suas capacidades se treinar todos os dias com jogadores melhores que ele, ou que lhe coloquem dificuldades que o obriguem a melhorar. E é também dessa forma que os jogadores estrangeiros ajudam os portugueses: provocando-lhes dificuldades, obrigando-os a melhorar para suprimir as dificuldades que têm em alguns aspectos do jogo. E superando essas dificuldades, estarão mais aptos para competir com jogadores de melhor qualidade.
Não compreendo alguns jogadores nacionais queixarem-se da falta de oportunidades. Como já foi referido, numa competição em que o mais importante são os resultados e o rendimento colectivo, se um jogador joga menos tempo que os seus colegas, é porque não dá garantias ao treinador de acrescentar qualidade à equipa. E se é este o caso, porque será que os jogadores preferem culpar os treinadores que não os põem em campo em vez de criticarem a sua própria capacidade de trabalho, entrega e espírito de sacrifício? Alguém acredita que os jogadores portugueses trabalham tanto como os eslovenos, espanhóis ou franceses? Alguém acredita que os nossos jovens treinam com tanta intensidade, qualidade e regularidade como os russos, gregos ou italianos?
E hoje em dia, os jovens portugueses já não se podem refugiar na desculpa do “Para que vou eu dar o máximo todos os dias, se o basquetebol profissional em Portugal não compensa?”. Na era da globalização e da livre circulação de pessoas – sobretudo no continente europeu – os jogadores não se devem limitar a jogar em Portugal. A possibilidade de ir para fora e procurar melhores condições de trabalho deveria ser cada vez mais uma realidade para todos os que aspiram a ‘ganhar a vida’ a jogar basquetebol.
O assunto nunca gerará consenso entre todos, e certamente continuará a ser falado sempre que se debater a qualidade das competições desportivas, mas sou da opinião que reduzir o número de jogadores estrangeiros irá reduzir a qualidade da competição em causa.
Março 6, 2008 ás 16:23 |
Será que com o preço de 4 estrangeiro de baixa qualidade não se iria buscar 2 estrangeiros e de boa qualidade, não seria mais vantajoso?
Outra questão onde estão a jogar a maioria dos jovens atletas portugueses na LIGA????? Ou noutras competições onde o numero de estrangeiros é mais reduzido.
Penso sim, que não é com grandes alterações e estudo do basquetebol sénior que mudará a qualidade dos jovens basquetebolistas portugueses, acredito que é na sua formação, a sua competição, todo o percurso que o jovem leva até la chegar.
Vale apenas como já referenciou algumas vezes no seu site, olhar para a porta do vizinho que mora mesmo aqui ao nosso lado.
Março 7, 2008 ás 5:06 |
Claro q não é só passar para 2 o nr de estrangeiros permitidos em cada plantel da liga profissional. Esta medida por si só não resolve o problema da qualidade do nosso Basquetebol. Mas assistir aos play-offs ou ás finais e ver durante 80-90% do tempo de jogo 7 a 8 jogadores dos 10 que estão em campo não poderem jogar pela SELEÇÃO NACIONAL…é triste!!! Elvis Évora, Jorge Coelho, Francisco Jordão não servem para defender ou atacar os americanos que mandamos vir jogar na nossa liga, mas depois chegam ao EUROBASKET e batem-se com os melhores da Europa! Os bases a mesma estória, veja-se o caso do Mário Fernandes, desconhecido, convocado á justa e passa a base titular…Ovarense,Benfica,Fcp…gastam rios de dinheiro com americanos de qualidade mais q duvidosa! Mas a culpa principal é dos treinadores, veja-se o caso do Magalhães comparativamente com o actual treinador da Ovarense, até um miudo de 90 (junior B) tem minutos…no jogo contra o Belenenses, o 2º periodo foi jogado na totalidade com jogadores PORTUGUESES. É uma diferença tremenda entre um treinador e outro, um clube como a Ovarense tem de ter um treinador a pensar desta forma…a Ovarense é um clube formador de jogadores e se chegam a seniores e não jogam está tudo em questão! A época passada o Benfica procedia de maneira igual, tivesse a ganhar por 20 ou a perder por 20, os 5 portugueses que estavam no banco nunca entravam…uma vergonha! Enquanto que os americanos que chegavam todos os 15 dias levaram-nos a algum lado? Não? ou melhor, sim…á falência!! Quando dois dos apelidados treinadores de topo em Portugal procedem desta forma, como é que podemos esperar que os caciques dos clubes e os caciques federativos e da liga façam alguma coisa para melhorar a qualidade do nosso jogador…
É claro que o jogador Português também ajuda um bocadinho, a capacidade de trabalho não é muito elevada, a concentração, o compromisso…eu fui ver alguns treinos da Seleção na semana de estágio efectuado na Quinta dos Lombos, antes de partirem para Espanha…e confesso que muitas vezes senti vergonha e revolta pelo comportamento de algumas daquelas Prima-Donas, que tinham uma forma de estar em treino execrável…uma falta de respeito á paciência de um Grande HOMEM e Grande TREINADOR, que, se lá fomos e fizemos o campeonato que fizemos, não tenho a mínima dúvida que se deve única e exclusivamente a VALENTYN. Cada vez que parava um exercício para explicar o que queria tinha de ficar sempre á espera que 2 ou 3 terminassem a conversa, na mudança de exercício para exercício, a mesma espera, que os dignissimos chegassem e estivessem prontos para o trabalho…um comportamento ao melhor estilo TUGA! Depois sofrem todos do síndrome do EMIGRANTE, quando vão lá para fora até lavam escadas se for preciso e orgulham-se disso…”lá é que se trabalha, lá é no duro…em Portugal trabalha-se pouco…”.
Todos tem CULPA uns mais do que outros, mas penso que passará numa primeira fase pelos 2 estrangeiros – recuperar clubes financeiramente, qualidade nos dois q se vai buscar, obrigatoriedade de trabalhar/formar/apostar no jogador nacional de forma a render no campo, melhorar a qualidade de treino e exigir mais compromisso ao jogador e necessidade do treinador Português trabalhar para o BASQUETEBOL NACIONAL em 1º LUGAR e depois para a sua “quintinha”…
João Marques
Março 8, 2008 ás 14:42 |
Eu tb sou a favor da redução do número de estrangeiros… Especialmente na nossa Liga abundam jogadores que não trazem nada, nem são melhores do que o que cá temos. E também acredito que haja muitos jogadores portugueses, que se lhe forem dadas oportunidades e minutos de jogo vão evoluir muitissimo.
No campeonato Russo é obrigatório ter sempre 2 jogadores no 5 de nacionalidade Russa.
Em Portugal é habitual ver em campo…. ou melhor é habitual não ver em campo jogadores de nacionalidade portuguesa.
Março 9, 2008 ás 0:40 |
Estou de acordo com o sentido global do texto apresentado. Interessa qualidade venha de onde vier, pois só aprendemos com quem é melhor do que nós.
Sistematicamente vamos lendo na nossa imprensa lamentos da falta de competitividade da globalidade dos nossos campeonatos (e também do Basquetebol), mas depois estruturamos a competição à medida dos nossos (pequenos) anseios.
A mola desportiva das equipas é dada pelos respectivos jogadores e os melhores vão para onde lhes são oferecidas melhores condições, quer estruturais, quer financeiras. Por outro lado temos de olhar para o Basquetebol como um produto para vender e os eventuais interessados (televisões) só o vão comprar se possuir qualidade.
Hoje os sponsors pagam exposição mediática, querem estar associados a grandes espectáculos. Ora sem artístas não há espectáculos e sem dinheiro não há jogadores de qualidade que acabarão por fazer entusiasmar a juventude e de os fazar ascender a um patamar de excelência.
Para além disso interessa reflectir sobre a progressiva desertificação de algumas zonas do nosso país e ao mesmo tempo no aumento (ainda bem) da oferta desportiva na globalidade do território nacional e nas mais diversas modalidades.
Não posso entender como se pode permitir a presença de jovens atletas dos PALOPS nas competições de Juniores A e depois lhes seja vedada a hipotese de jogar em seniores (CNB2 e 2ª Divisão Feminina).
Para além da questão desportiva que é importante para a nossa modalidade, há também questões de integração plena na sociedade portuguesa que deste modo não são levadas em consideração.
A questão também se pode colocar de outro modo. Serão assim tantos os (as) jogadores (as) portugueses? Já se olhou para o número de equipas existentes e a sua distribuição geográfica? Será que podemos desperdiçar esta disponibilidade humana que nos é oferecida?
Penso ser uma matéria sobre a qual se deve reflectir para melhor o global do Basquetebol no nosso país.
Março 15, 2008 ás 15:20 |
Sò levanto uma pequena questão:
se as equipas profissionais são “empresas desportivas” e devem ser tidas como tal, não se lhes devem aplicar os fundamentos empresariais?
se eu tiver uma empresa de calçado com 12 trabalhadores existe alguma limitação quanto às nacionalidades dos individuos?
quais são os requisitos?terem contractos validos, descontarem para a segurança social, terem vistos e etc’s….
Basket profissional é isto mm!empresas a tentar ter o melhor resultado possivel!com os melhores profissionais possiveis!12 americanos, caso seja o entendimento do clube!
FALO APENAS DE BASKET PROFISSIONAL