
Terminou hoje, dia 24 de Agosto, o Torneio Olímpico de Pequim e o ouro voltou ao peito dos norte-americanos que assim voltam a vencer uma grande competição a nível mundial, algo que já não acontecia desde 2000 quando venceram as Olimpíadas em Sidney (sim, quando Vince Carter resolveu voar por cima do francês Frederic Weis).
Mas, tal como era de prever, e como tínhamos dito em ‘A luta pelo ouro’, Espanha vendeu cara a derrota, lutando até ao fim, dando assim uma imagem do seu real valor e dando ainda mais valor à vitória dos norte-americanos que tiveram de se aplicar a fundo para conseguir levar de vencida o seu rival, tendo o jogo terminado com o resultado de 118-107 a favor dos Estados Unidos da América.
A esta final só faltou uma coisa: acerto defensivo. De resto, foi um grande, grande jogo de basquetebol! A um maior individualismo e poderio físico dos norte-americanos os espanhóis respondiam com o seu estilo de jogo mais colectivo e com grande capacidade técnica. Ambas as equipas proporcionaram um espectáculo digno desse nome, oferecendo momentos que serão relembrados sempre que se falar na final do Torneio Olímpico de Basquetebol Masculino – não custa muito adivinhar que aquele afundanço de Rudy Fernandez em Dwight Howard vai ser procurado e visto, e procurado e visto uma e outra vez!
Na defesa, os espanhóis não encontravam maneira de parar o jogo do seu adversário sofrendo 13 lançamentos para lá da linha dos 6.25, muitos deles sem qualquer oposição, e quando tentaram defender 2-3 não conseguiram causar muitos problemas aos norte-americanos que se mostraram preparados para esta opção defensiva da equipa de Aito. No outro lado do campo, a equipa orientada pelo Coach K via-se e desejava-se para parar as combinações ofensivas dos espanhóis, principalmente quando jogavam 2×2 com bloqueio directo.
Os Estados Unidos da América não conseguiram utilizar as suas rápidas transições ofensivas com a cadência dos jogos anteriores, mas ainda assim conseguiram surpreender a selecção espanhola, quer após recuperação de bola, ressalto defensivo ou cesto sofrido. Neste capítulo do jogo não há ninguém que o faça tão bem como os EUA, que aproveitam para dar espectáculo sempre que podem. Quando tinham de jogar em meio-campo sentiam mais dificuldades recorrendo, muitas vezes, a situações individuais – Kobe Bryant e Dwane Wade dominaram o jogo e apareceram quando foi preciso. Aliás, quando a Espanha, já no 4º período, encostou a 2 pontos de diferença, Kobe Bryant mostrou o que raramente tinha mostrado neste Torneio Olímpico mas que é a sua imagem de marca na NBA – assumiu o jogo, resolveu, ganhou. Ele que cresceu em Itália, bem pode usar a expressão Veni, Vidi, Vici…
A Espanha desfalcada do seu base principal, Jose Calderón, teve em Ricky Rubio o seu general em campo. E em 29 minutos de utilização o base do DKV Joventut cometeu apenas 2 turnovers! Tendo em conta a importância do jogo, a capacidade física e de pressão defensiva do adversário, e os 17 anos de Rubio, parece que o rapaz não tem problemas em controlar o jogo da equipa. Mas o maior destaque nos espanhóis deve ir para o trio Pau Gasol, Juan C. Navarro e Rudy Fernandez. Os dois primeiros provaram o que já tínhamos dito: Gasol é melhor que qualquer dos interiores dos EUA e Juan C. Navarro aparece sempre nos jogos decisivos (e neste até teve de jogar a base). Quanto a Rudy…bem, deu espectáculo! Desde o já referido afundanço em D. Howard, ao triplo na frente de T. Prince após ter passado a bola umas 5 ou 6 vezes entre as pernas e fazer o seu típico ’step-back’, ou as assistências para Pau finalizar!
Desta Final ficam algumas certezas, mas também algumas dúvidas. Fica a certeza de que os Estados Unidos da América foram a melhor equipa da competição e que respeitaram os seus adversários ao longo do Torneio. Fica também a certeza que a Espanha tem uma grande equipa e que vai continuar a ter grandes resultados no futuro próximo. Quanto às dúvidas, será que os Estados Unidos da América venceriam se não tivessem contado com a experiência, vontade de vencer e capacidade de decidir de Kobe ou voltariam a ser a mesma equipa do Mundial de 2006? A Espanha com Calderón teria maiores hipóteses de vencer?
No jogo de atribuição da medalha de bronze, a Argentina superiorizou-se à Lituânia, 87-75, conseguindo o último lugar do pódio. Que falta fez Pepe Sanchez à equipa argentina…