Arranque directo – em vias de extinção

Na nossa realidade nacional quantos jogadores utilizam com mais frequência o arranque em drible directo do que o arranque em drible cruzado? Quantos jogadores utilizam na mesma proporção o arranque directo e o cruzado? Poucos…! Ainda, quantos jogadores conseguem executar igualmente bem o arranque em drible directo com a mão esquerda como com a direita? Pouquíssimos…E a resposta mantém-se quer estejamos a falar de jogadores do escalão de iniciados, de cadetes, juniores ou seniores.

As justificações para este facto podem gerar um ciclo vicioso sem que se consiga distinguir muito bem se os argumentos apresentados são considerados causa ou efeito da menor utilização deste importante argumento técnico – o arranque em drible directo.

Os praticantes com poucos anos de prática executam o arranque em drible cruzado mais facilmente, talvez por se tratar de um movimento mais natural. Por se sentirem mais confortáveis na execução deste gesto técnico, utilizam-no com maior frequência. O arranque em drible directo, requer um pouco mais de coordenação e controlo corporal. Desta forma, o arranque em drible directo começa desde cedo a ser menos utilizado pelos atletas. Chegados ao jogo – o teste do que aprenderam durante a semana – executam os movimentos que melhor dominam e com os quais se sentem melhor. As dificuldades em executar correctamente este gesto técnico levam a que muitos jogadores cometam violações, pelo que muitas vezes lhes é assinalado “passos”. Assim se explica, também, a predominância do arranque em drible cruzado relativamente ao arranque em drible directo.

Também os árbitros, habituados a ver com maior frequência o arranque em drible cruzado, têm a tendência de apitar “passos” quando os jogadores executam o arranque em drible directo. Muitas vezes, tomam decisões acertadas quando assinalam essas violações, no entanto, muitas são as vezes em que o apito é inadequado e desnecessário. Talvez por se tratar de um gesto técnico menos comum, os árbitros também não estejam muito à vontade para interpretar este momento específico do jogo e daí advenham algumas decisões incorrectas. Isto faz com que alguns jogadores dêem ainda mais preferência ao arranque em drible cruzado “Oh, ao menos assim não faço passos…”.

Aos treinadores cabe corrigir, e incidir maior tempo de treino nos aspectos em que os jogadores são menos consistentes, nos aspectos que os seus jogadores menos dominam. Aos jogadores pede-se que sejam capazes de se concentrarem na execução dos gestos técnicos, que tenham vontade em melhorar as suas falhas, e que se sintam motivados para o “auto-treino”. Dos árbitros espera-se melhor capacidade de interpretação de alguns momentos do jogo, e a capacidade de admitir que tal como os jogadores, também eles falham neste capítulo do jogo.

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