
A época não está a correr bem à equipa do FC Porto Ferpinta!
Com 12 vitórias e 11 derrotas nos 23 jogos disputados, a equipa vice-campeã nacional ocupa 0 8º lugar na Classificação da Liga Portuguesa de Basquetebol, e apenas tem melhor registo que Casino Ginásio (11v e 11d) e Física de Torres Vedras (8v e 14d), equipas que nesta altura contam com um jogo a menos do que o seu rival da cidade do Porto.
Desde que nos finais da época passada se começou a falar na extinção da LCB e na possibilidade de a FPB assumir a organização do principal campeonato de séniores masculinos em Portugal, o FC Porto Ferpinta mostrou-se renitente em relação a esta remodelação competitiva, ameaçando inclusive não participar na prova. Tal não veio a acontecer e um dos principais clubes nacionais inscreveu-se mesmo para competir na LPB, tendo escolhido como homem do leme Júlio Matos.
Um homem da casa sucedia a outro homem da casa. Após o afastamento de Alberto Babo, Júlio Matos surgia como a escolha natural para o lugar de treinador principal da equipa do FC Porto Ferpinta. A continuidade parecia decorrer de forma natural e sem grandes revoluções, sendo que se mantinha o núcleo duro – Nuno Marçal, Paulo Cunha e João Figueiredo – ao qual se juntava uma das revelações da época anterior, Daniel Monteiro. Ou seja, a equipa do Porto garantia dois bons bases nacionais, bem como dois dos melhores extremos portugueses. A isto junta-se o grupo de jovens que nos últimos anos têm integrado o plantel sénior, alguns com mais oportunidades, outros nem por isso -Fábio Fernandes, Augusto Sobrinho e os irmãos Diamantino. Com o regresso de José Almeida, reunia-se uma das melhores fornadas da formação do Porto dos últimos anos. Com o grupo de jogadores portugueses definido, apenas faltava escolher os 3 norte-americanos, que segundo Júlio Matos seriam criteriosamente escolhidos - “a escolha dos novos jogadores foi feita com rigor para evitar depois as trocas”.
A época esperava-se de continuidade, e o FC Porto Ferpinta era apontado como um dos principais candidatos ao título juntamente com o reforçado Benfica e a tri-campeã em título, Ovarense Dolce Vita. Mas cedo se percebeu que a equipa portista teria uma época difícil pela frente, tendo de superar as lesões em alguns jogadores importantes, como João Figueiredo, Nuno Marçal, Paulo Cunha, Daniel Monteiro, e mais recentemente, Augusto Sobrinho. E, ao contrário do que o seu treinador previa, também encontrou problemas nos jogadores estrangeiros, tendo de proceder a trocas para reequilibrar e reforçar a sua equipa.
Tudo isto foi acontecendo à medida que as derrotas se iam acumulando para os lados do Porto. Apesar de contar com 12 vitórias na presente época, apenas 3 foram conseguidas em jogos da LPB: vitórias caseiras frente a Académica (82-59) e Casino Ginásio (80-67), e vitória em Ovar frente à Ovarense Dolce Vita (67-73). De resto, são já 10 as derrotas acumuladas em jogos frente a equipas da LPB. Apesar do elevado número de derrotas, apenas por duas vezes a diferença pontual foi superior a 10 pontos. De resto, perdeu uma vez por 1 ponto de diferença, três vezes por 2 pontos de diferença, uma vez por 3 pontos, uma vez por 4 de diferença e outra por 5 pontos. Ou seja, tudo derrotas por uma pequena margem pontual, o que mostra que em jogos equilibrados, o FC Porto Ferpinta acaba por deixar escapar a vitória, tal como aconteceu no jogo da Taça de Portugal, frente ao Benfica.
Tem sido nas Jornadas Cruzadas que o FC Porto Ferpinta tem conseguido amealhar vitórias, contando por 9 vitórias em 10 jogos disputados, tendo perdido em casa frente ao Sampaense Tecoimbra. Nos restantes jogos realizados, e apesar das vitórias alcançadas, a equipa de Júlio Matos mostra uma preocupante insegurança quando joga na condição de visitante frente às equipas da Proliga – vitória por 2 pontos de diferença no Galitos FC Tley, vitória após prolongamento por 8 de diferença no recinto do Esgueira OLI, e vitória por 7 pontos de diferença na visita ao Basquete de Barcelos.
A par dos resultados negativos caminha a natural desmotivação e começam a surgir alguns problemas entre jogadores e elementos técnicos. Ao FC Porto Ferpinta tem faltado capacidade colectiva, capacidade defensiva, tem faltado liderança de fora para dentro, têm faltado alternativas para os momentos mais complicados, e a contestação ao treinador vai subindo de tom, sendo que no jogo da última jornada, em que o Porto perdeu em casa frente à Ovarense Dolce Vita por 59-80 tirou a pouca paciência aos adeptos portistas que não se coibiram de assobiar a sua equipa.
Estará o lugar de Júlio Matos em perigo? Precisará o FC Porto Ferpinta de um novo impulso para a fase decisiva da época? Ou conseguirão resolver internamente um problema que parece estar a crescer de semana para semana? Tal como aconteceu no final da época passada, após a saída de Alberto Babo, o nome de Fernando Sá volta a surgir como uma das possibilidades para assumir o comando técnico dos dragões. Aguentará Júlio Matos a pressão dos maus resultados e voltará a colocar o FC Porto Ferpinta no trilho certo, ou continuará a seguir por um caminho pouco condizente com a história recente do clube nesta modalidade?