A Festa dos Sub16

O escalão de Sub16 Masculinos foi um dos mais acompanhados pelo público durante todo o Torneio, e a qualidade, intensidade e paixão bem demonstrada por alguns atletas presentes em Portimão deixava antever que tanto as Meias-Finais como a Final seriam jogos de grande qualidade e emotividade. E as expectativas não foram defraudadas pois as equipas de Porto, Setúbal, Aveiro e também Lisboa (embora num patamar inferior às restantes 3 equipas) proporcionaram jogos muito interessantes de seguir.

A Final, transmitida em directo num dos canais da SportTv opunha a invicta selecção da A.B. Porto, à selecção de A.B. Setúbal, e tal como tinha acontecido no jogo da Fase de Grupos, a equipa portuense voltou a ser mais forte, conquistando assim um título que lhes tinha escapado na edição anterior – perderam na Final frente a Lisboa.

Frente a frente na Final estavam as duas equipas mais capazes em termos defensivos neste escalão. Nenhuma equipa conseguiu marcar mais de 60 pontos ao Porto, enquanto que a Setúbal apenas o seu rival da final conseguiu superar a marca dos 60 – e aconteceu em ambos os jogos realizados entre ambas as equipas. No restante trajecto para a Final, Setúbal conseguiu limitar a forte selecção de Aveiro a marcar 55 pontos num jogo e 48 no outro.

Em Portimão, a equipa portuense era vista como a principal favorita a vencer o Campeonato de Portugal de Sub16 – com muitas soluções individuais, o Porto conseguiu ter a intensidade defensiva que costuma caracterizar as suas equipas, revelando ainda uma grande qualidade ofensiva que lhes permitia encontrar quase sempre as soluções certas. A juntar a isso, nos jogos equilibrados o Porto conseguiu sair sempre por cima, com os seus principais jogadores a assumirem nos momentos decisivos. Foi então este misto de ‘querer e poder’ que fez do Porto campeão, tendo vencido a Final por 65-57.

Grande capacidade de lançamento exterior, jogadores com boa capacidade técnica individual, boas leituras de jogo tanto a atacar como a defender e muita intensidade defensiva – assim vi esta equipa do Porto! O quarteto formado por Miguel Maria Cardoso (#10), Miguel Soares (#7), Nuno Amorim (#13) e Hugo Sotta (#6) revelou-se forte demais para os seus adversários que não conseguiam contrariar o poderio ofensivo portuense – Miguel Maria muito bem a comandar o ataque (na final o seu lançamento exterior não esteve como costume, mas a liderança que tem nesta equipa não se esfumou, Miguel Soares pareceu-me um jogador muito completo, Nuno Amorim um guerreiro e bom lançador, e Hugo Sotta a principal referência interior desta equipa. Contudo, a equipa do Porto não se resumia a este núcelo de jogadores, e a rotação que conseguiam fazer permitia que quem estivesse dentro de campo mantivesse sempre um elevado ritmo de jogo. Esta foi uma das principais vantagens da selecção portuense face aos seus adversários – a maior frescura física aliada ao maior número de soluções, permitia que nas alturas decisivas os atletas do Porto estivessem menos fatigados e em melhores condições para tomar as decisões correctas. Na Final, todos os 12 jogadores da selecção do Porto jogaram no mínimo 10 minutos. Na selecção de Setúbal houve dois jogadores que nem 1 minuto jogaram.

Setúbal veio para a Festa do Basquetebol basicamente com a equipa do Barreirense, o que poderia deixar adivinhar uma maior facilidade de entendimento entre jogadores e maior facilidade na criação dos mecanismos ofensivos e defensivos que a equipa necessitaria para vencer. Bem comandados pelo base João Álvaro (#13), e com Junior Destino (#9) a continuar a demonstrar a sua qualidade e o seu já temível lançamento exterior, Setúbal conseguiu chegar à Final com apenas uma derrota no seu trajecto – e isto depois de terem defrontado duas vezes a selecção de Aveiro. No jogo da Meia-Final frente a Aveiro, foi a defesa a principal arma de Setúbal que conseguiu anular algumas das principais armas da equipa aveirense. Foi um jogo decidido nos momentos finais, e que exigiu algum esforço extra aos atletas setubalenses. Mas para vencer na Final faltaram mais soluções ofensivas a Setúbal para conseguir vencer na Final. O maior cansaço acumulado, e a menor frescura de alguns jogadores poderá ter comprometido as aspirações setubalenses neste Torneio.

Perdendo por 48-50 no jogo da Meia-Final frente a Setúbal, Aveiro acabou por ficar arredada da Final. Desde o início que Aveiro, Setúbal e Porto eram consideradas as equipas mais fortes, e uma delas teria de ficar fora da Final – a fava calhou aos aveirenses. Com alguns jogadores a renderem menos do que o esperado, foi o jovem João Gallina (#15) – ele que o ano passado defendeu as cores da A.B. Madeira – a merecer o maior destaque na formação de Aveiro. Sendo ainda Cadete de primeiro ano, Gallina demonstrou o porquê de ser considerado um dos jogadores com maior potencial desta geração e fez um Torneio de grande qualidade, sendo a principal referência ofensiva da sua equipa. Com o base-extremo Pedro Costa (#14) também a exibir-se a bom nível, e a levar para casa algumas recordações físicas da sua presença em Portimão, faltou aos aveirenses um melhor contributo de alguns dos seus jogadores mais experientes. Aveiro apenas falhou nos momentos finais do jogo contra Setúbal, e por 2 pontos de diferença teve de disputar o último lugar do pódio.

 

No final, os 4 primeiros lugares ficaram entregues a :

  1. A.B. Porto
  2. A.B. Setúbal
  3. A.B. Aveiro
  4. A.B. Lisboa

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