À conversa com Jonah Callenbach

Agosto 23, 2009

Jonah Callenbach 03

Durante o Europeu de Sub16 Masculinos tive a oportunidade de falar com Jonah Callenbach, o miúdo luso-holandês que jogava no Estoril Basket e que o ano passado se mudou para Espanha para jogar no Fuenlabrada, e seguir em busca do sonho de jogar na ACB.

Na minha opinião era um dos melhores jogadores da nossa selecção de Sub16, e de todos os atletas com quem falei, Jonah foi sem dúvida um dos que mais maturidade e inteligência demonstrou – talvez por isso acredite que este poderá ser um caso de sucesso no basquetebol português. Por ter alguma curiosidade face ao que o jovem jogador encontrou em Espanha, e por pensar que o testemunho deste jovem poderá ajudar treinadores e jogadores a trabalhar melhor, resolvi falar com ele, e dar a conhecer como tem sido a experiência de Jonah Callenbach em Espanha.

A entrevista foi publicada no Planeta Basket, e quem não teve oportunidade de ler, ficam aqui os links de uma entrevista de duas partes que vale a pena ler.


Rui Fonseca, o treinador campeão em sub-18

Maio 23, 2009

Rui Fonseca, timoneiro dos sub-18 vascaínos que se sagraram campeões nacionais no último fim de semana, marca  o regresso das entrevistas ao Seis25. Discurso simples e objectivo, aos 27 anos e com o curso de nível II já feito,  o treinador do Vasco aborda a formação e projecta o estado actual do seu clube do coração.

Seis25  -  Tens um percurso de vida peculiar, já foste tudo no Vasco da Gama – de jogador a líder de claque, passando por adepto e dirigente – … como é que decidiste ser treinador?

yuran2Rui Fonseca – É um facto, já fiz de tudo no Vasco, sendo que continuo a fazer mas agora também acumulando as funções de treinador. Com 15 anos (ainda era atleta na equipa de cadetes), comecei a colaborar no minibasquete a pedido do falecido Manuel Nunes. O entusiasmo foi crescendo e estive 7/8 anos no minibasquete, depois o clube propôs-me outro escalão, os cadetes,  onde estive 2 anos (sendo que nunca treinei iniciados). Finalmente tive a oportunidade de treinar os Juniores B (sub-18).

Seis25  -  Naturalmente, treinar Juniores B é muito diferente  de treinar minibasquete…

RF – Sim, claro. Com o minibasquete fazem-se uns treinos de basquetebol com muita brincadeira pelo meio, que é essencial naquelas idades. Nos Juniores B é preciso outro tipo de postura, é necessário outra mentalidade, uma forma diferente de interagir e falar com os atletas…

Seis25  -  Quais são as tuas referências como treinadores de Basquetebol?

RF – Muitas das coisas que aplico e sei, aprendi-as com o Fernando Sá. Fui jogador dele, fomos inclusivamente campeões nacionais em 1999/2000, no último título do Vasco anterior ao que acabámos de conquistar. Deu-me muitas opiniões. O que aprendi como atleta, aquilo que retive das épocas em que joguei, mesmo ao nível dos exercícios de treino, aplico agora como treinador.

Seis25  -  Para ti é mais importante o ataque ou a defesa? Passas a maior parte do treino a trabalhar que momento do jogo?

RF – Procuro trabalhar naturalmente ambos os aspectos. Mas sou mais apologista do trabalho de defesa. Acredito que a defender é que se ganham jogos. A nossa equipa é a prova disso, pois este ano tem uma média de pouco mais de 60  pontos sofridos por jogo. A boa defesa acaba por fazer parte também da cultura do Vasco da Gama. Em termos ofensivos é que já não somos tão eficazes, há dias em que os lançamentos não saem tão bem (um exemplo disso foi o 2ºjogo da final four contra o Algés).

Seis25  -  Como te procuras relacionar com os teus atletas? É difícil gerir o facto de seres treinador, mas também um amigo?

RF – Eu tento ser treinador e amigo dos meus atletas. Muitas vezes lhes digo que tenho de saber estar no papel deles e estar no meu ao mesmo tempo. Mas quero que eles também saibam fazer o contrário. Durante a hora de trabalho temos de trabalhar. Acabando os treinos ou mesmo antes dos treinos, brinco muito com eles, pois eu também já fui atleta e sei que isso é importante. Por exemplo, o Fernando Sá era para mim como um irmão, um braço direito, mas durante a hora de trabalho éramos diferentes, queríamos trabalhar para os objectivos. Tem de existir disciplina, nós sem ela não teríamos chegado ao título nacional.

Seis25  -  Sempre foi um objectivo ser campeão nacional de sub-18? No Vasco trabalha-se para ganhar títulos ou para formar jogadores?

RF – Não se trabalha para ganhar títulos, tanto é que eles aparecem de vez em quando, de 10 em 10 anos. O ano da minha equipa foi sendo projectado patamar por patamar. Primeiro tentámos vencer o distrital e conseguimos, depois chegámos à Fase Final Nacional com muitas dificuldades, e finalmente, uma vez lá, só podíamos jogar para ganhar . No ano passado, com os cadetes também fomos à fase final, sendo que não eram todos os que jogaram este ano pois 4/5 eram de outra geração. Para o próximo ano praticamente toda a equipa jogará novamente no mesmo escalão. Outro aspecto digno de registo é que este ano fomos a única equipa que tinha um cadete de primeiro ano (de 94) no plantel, e ainda por cima a jogar no cinco inicial.HPIM0378

Seis25  -  O Vasco este ano não teve seniores, mas teve boas prestações na formação – nomeadamente sub-20, sub-18. É difícil trabalhar na região do Porto?

RF – Em Sub-20 tivemos um ano com algumas dificuldades por causa do número de atletas mas acabámos por fazer uma boa época, indo à fase final distrital e conseguindo um 5ºlugar na zona norte do nacional. Em relação aos escalões mais baixos, cada vez temos mais dificuldades. Aliás os nossos miúdos já não são como os de antigamente, não são assim tantos da Sé ou da Ribeira, deixámos de ser tanto um clube de Bairro como as pessoas dizem. Temos alguns é certo, mas também temos de Rio Tinto, de Valongo, de Gaia…os pais precisam de trazê-los cá, é complicado…No minibasquete estamos com uma média de 26/27, precisávamos de mais, é pouco, enquanto nos iniciados temos uma equipa de 24/25…

Seis25  -  Em relação ao teu futuro como treinador tens objectivos de carreira?

RF – Não penso nisso. Para já estou no Vasco, dá-me muito prazer ganhar títulos no Vasco. À partida ficarei com o mesmo grupo, já se falou igualmente nos seniores, mas também não me importo de andar para trás e treinar uma equipa de iniciados pois é preciso pensar no futuro do clube e dos que estão nos escalões mais abaixo. A nova direcção tem tentado levantar o clube e levá-lo para bom porto, tem colaborado muito com os treinadores, tem ouvido os que estão cá há mais tempo como eu e isso agrada-me. Já disse aos meus atletas, “quem me dera daqui a 4/5 anos ver-vos a todos a jogar nos seniores do clube”, isso dar-me-ia prazer.

Seis25  -  Achas possível que algum dia os treinadores de basquetebol possam viver somente da sua actividade desportiva?

RF – Não penso que seja possível, até porque os clubes vivem cada vez pior financeiramente. Eu neste momento ganho um ordenado  como funcionário do clube – pois faço secretaria, trato de inscrições, etc.. – e ganho outro como treinador. Mas ando cá mais por gosto, pois o que o clube dá é mesmo o que o clube pode dar…[risos] Agora, não duvido é de outra coisa, há muitos clubes piores que o Vasco da Gama neste momento….

Seis25  -  Como analisas o estado do Basquetebol Português?

yuranRF – Este ano não acompanhei muitos jogos de Liga e Proliga. Estive mais ocupado a ver jogos de cadetes, jogos dos campeonatos nacionais de Juniores A e B de várias equipas, estive concentrado na formação. Acompanhei apenas um jogo do VtGuimarães…Acho que não faz sentido nenhum o modelo competitivo das jornadas cruzadas, que tem como consequência muitos jogos desequilibrados e um acréscimo nas despesas dos clubes com deslocações e arbitragens

Seis25  -  Uma mensagem para os jovens que querem seguir a carreira de treinador de basquetebol..

RF – Penso que é importante percorrer um caminho por etapas, ir aprendendo, apostar na formação (acho que foi muito importante por exemplo no meu caso fazer o Nível II, onde aprendi muito com treinadores como Carlos Gouveia, Carlos Pinto, Gradeço ou o Prof.Barata quer ao nível da minha postura com atletas quer ao nível técnico e táctico). É preciso aprender também a ser um treinador amigo.

Seis25  -  Este foi um ano especial para o Vasco, por causa da morte do Sr Nunes, este título é para ele?

RF – Naturalmente, este título é dedicado ao Sr Nunes. Fomos homenageá-lo  inclusivamente ao cemitério.

——————————–LANCE LIVRE———————————-

LeBron James ou Kobe Bryant?  Kobe Bryant

Francesinha ou Tripas? Francesinha

Fino ou Imperial? Fino

Ribeira ou Foz? Ribeira

NBA ou ACB? ACB

Jorge Araújo ou Luis Magalhães? Jorge Araújo


Notícias de Belgrado

Abril 15, 2009

Foi publicada hoje no site da FIBA uma entrevista com João Soares, o jovem extremo português que no passado Verão trocou Ovar por Belgrado para evoluir no Partizan e no basquetebol sérvio. Emprestado à equipa do Vizura Belgrado, João Soares tem conhecido uma realidade diferente, trabalhando todos os dias para melhorar o seu jogo, no sentido de alcançar um dos seus objectivos: jogar na Euroliga.

Leia aqui a entrevista de João Soares em FIBA.com!


Fernando Sá – a entrevista

Junho 19, 2008

Voltam as entrevistas ao Seis25, desta vez com Fernando Sá, actual treinador da equipa do Vitória M. Couto Alves. Em dois anos ao serviço do Vitória M. Couto Alves, Fernando Sá conquistou um Campeonato Nacional e uma Taça de Portugal, e mais recentemente levou a formação vimaranense à sua segunda final consecutiva da Proliga. A sua liderança forte, e o espírito colectivo, solidário e combativo que consegue transmitir para os seus jogadores têm dado resultados evidentes. Nesta entrevista destaca a importância da Defesa para o sucesso colectivo, e ainda a Paixão pelo Basquetebol – algo bastante presente nas equipas que orienta.

Falemos da época que recentemente terminou: O Vitória era uma equipa muito unida dentro de campo, agressiva, que defendia muito bem. Tinha Tommie Eddie, um dos melhores estrangeiros a actuar em Portugal (senão o melhor). Tem percentagens de tiro exterior bastante razoáveis. Joga sem quebrar o ritmo com 7 jogadores. Qual é para si a imagem de marca do Vitória que construiu nestes dois últimos anos?

A imagem de marca desta equipa, é acima de tudo a paixão que demonstra por aquilo que faz, neste caso a prática de Basquetebol, com uma vontade de vencer enorme e consequentemente em melhorar, em termos individuais, o que se reflecte obviamente no colectivo.

A defesa press 3×2 a meio campo (com Tommie Eddie à frente) que o Vitória tem utilizado em alguns jogos nos últimos minutos (com excelentes resultados por exemplo contra o Física na Taça ou em Ilhavo para o campeonato) é inspirada na defesa press do Benfica nos seus tempos áureos?

Esta é uma defesa que usamos em circunstâncias muito especiais, não só, como pode parecer ,para recuperar resultados, mas também para uma mudança de atitude dos meus jogadores. Não é inspirada no Benfica, é simplesmente a defesa que optei usar na minha equipa, por se adequar melhor às características dos meus jogadores.

Na nossa opinião, e na opinião de muitos seguidores de basquetebol, o Vitória é a equipa que melhor defende na Proliga. A importância que atribui à defesa, e a solidez que a sua equipa apresenta são reflexo do excelente defensor que era quando jogava?

Poderá ser sim. No meu ponto de vista a defesa é o parâmetro que menos se desenvolve no Basquetebol do nosso país, e é através dela que se vencem títulos e ao contrário do que muita gente pensa que mudar a atitude dos jogadores relativamente a este aspecto é praticamente impossível, eu não concordo, se lhe dermos a mesma importância que aos outros aspectos os resultados aparecem, agora é verdade que dá muito trabalho.

Que importância atribui ao tempo em que esteve a treinar na formação? Sente-se um treinador de seniores ou acha que um dia se sentirá tentado a voltar a treinar outros escalões?

Foi uma decisão que tomei na minha formação como treinador e de que em nada estou arrependido. Na verdade sinto que a minha formação como treinador não acabou, nem vai acabar nunca, porque quanto mais leio, ouço ou observo mais dúvidas me surgem, aumentando a minha responsabilidade de formação contínua como treinador, no entanto voltar à formação neste momento não faz parte dos meus planos.

Como avalia o trabalho de formação que se faz em Portugal?

Não sou provavelmente a pessoa mais indicada para avaliar o trabalho dos outros e muito menos da formação visto que já não sou treinador destes escalões à algum tempo acredito que se não fazem melhor é porque muitas vezes não lhes são criadas as condições necessárias, no entanto olhando para as nossas provas e observamos que quem continua a fazer a diferença são jogadores de gerações passadas, ex: Nuno Marçal no FCP, Pedro Nuno no Vagos, José Costa no CAB, etc…

Enquanto treinador sénior quais considera serem as principais lacunas dos jogadores nacionais? Perguntando de outra forma, quais considera que deviam ser os aspectos técnicos e tácticos a que os treinadores da formação deveriam dar mais atenção?

A defesa sem dúvida! Temos jogadores muito desenvolvidos tecnicamente, mas sem noções defensivas. Como já referi defender não é só atitude tem muita técnica e muitas noções teóricas para se transmitirem aos nossos jogadores.

Considera a Proliga um bom espaço para o jovem jogador português desenvolver as suas capacidades?

Todo o espaço é bom quando temos paixão por aquilo que fazemos, não é na competição que isso se trabalha. Acima de tudo temos que saber transmitir esse sentimento aos jogadores para que eles não desistam nunca. Os nossos jogadores têm alguma culpa pelo que estão a passar, passam muito a reclamar por oportunidades sem fazerem nada por merecerem. Temos primeiro que dar e provar, para depois recebermos.

O Fernando está muito ligado ao Sporting Clube Vasco da Gama, um clube histórico da modalidade em Portugal, com uma massa adepta muito característica, inserido numa rede social diferente das demais e onde foi treinador e jogador. O que é para si «jogar à Vasco» e «ser do Vasco»?

Ser Vascaíno é algo que eu sei o que é e felizmente já muita gente também o sabe. Muitas das coisas que referi anteriormente, foi neste clube que aprendi, a vontade de vencer, a paixão pela modalidade, o sacrificarmo-nos em prol da equipa, a felicidade que sentimos por precisarmos uns dos outros e para além disso e mais importante, é um sítio que sabemos que vamos sempre encontrar lá AMIGOS, seja em que altura ou com que frequência for.

Muitas vezes referiu em entrevistas que não abdicou da sua carreira de professor porque em Portugal não é sustentável viver apenas do Basquetebol. Gostaria de um dia poder viver apenas do seu trabalho como treinador?

Sim, gostaria de um dia fazer só aquilo que mais gosto de fazer, mas infelizmente o desporto nacional não nos dá estabilidade nenhuma.

Recentemente quando o comparavam com Mourinho referiu que não tinha nada a ver, mas que «ambos compreendiam que para “ganhar” os jogadores, o respeito tinha de ser reconhecido e não imposto». No seu entender, quais são as características necessárias para se conseguir liderar uma equipa?

Principalmente o respeito, a honestidade, justiça e obviamente o trabalho sério e rentável. Tento transmitir aos jogadores constantemente, a necessidade de continuamente traçarem novos objectivos individuais para que a sua evolução seja continua e permanente. A nossa aprendizagem nunca está completa.

Qual a(s) sua(s) referência(s) como treinador de Basquetebol?

Prof. Jorge Araújo.

Que conselhos gostaria de deixar aos jovens que se estão a iniciar na carreira de treinador de basquetebol?

Que não tenham pressa, que criem para eles mesmos novos desafios e sempre que sentirem que quanto mais se formam, mais dúvidas tem, estão no bom caminho.

 

Da Linha Dos Seis 25:

Esquerda ou Direita? Esquerda

Michael Jordan ou Magic Johnson? Michael Jordan

Tripas ou Francesinha? As duas e ao mesmo tempo se possível

No Banco ou dentro de campo? Dentro do campo

Profissionalismo ou Semi-profissionalismo? Profissionalismo


Um dois três, diga lá outra vez

Abril 9, 2008

Aqui, aqui e também aqui. Esta última foi genial, não acham?

E já agora, Fernando Sá em discurso directo, aqui e aqui

Boas leituras


André Martins – a entrevista

Janeiro 22, 2008

André Martins

As entrevistas estão de volta ao Seis25. Depois de Cátia Lírio e Samuel Lóio, André Martins é o senhor que se segue. O jovem treinador do Queluz explica como vê o basquetebol, as suas preocupações em relação ao futuro da modalidade, o trabalho que tem desenvolvido com os jovens do Queluz e algumas das suas ambições pessoais. O seu trabalho tem sido elogiado e é apontado várias vezes como um treinador de grande qualidade, cujas equipas apresentam um estilo de jogo mais alegre e intenso do que a grande maioria das equipas em Portugal.

Como começou a sua carreira de treinador, e o que o motivou a seguir esse caminho?

Durante a minha formação enquanto jogador, joguei um ano no Ateneu Comercial de Lisboa e depois 12 anos nos escalões de formação do Benfica. Pelos vários escalões por onde passei fui sempre capitão de equipa e gostava de liderar grupos. Foi daí que veio esse gosto por liderar equipas, e quando entrei para a Faculdade surgiu a oportunidade e optei por seguir a carreira de treinador.

Comanda equipas com grande coesão defensiva, muito agressivas e que, normalmente, imprimem muita velocidade e grande intensidade ao jogo. Concorda que essa começa a ser a “imagem de marca” das suas equipas?

Não sei se há imagens de marca…pela minha forma de ver o jogo é na defesa que tudo começa. As equipas que não defendem não podem atingir objectivos. E em termos ofensivos, fazemos um pouco aquilo que as outras equipas nos deixam fazer. Nós procuramos jogar rápido de forma agressiva, mas se a outra equipa nos obrigar a jogar a meio-campo é isso que procuramos fazer com sucesso. É desta forma que entendo o jogo.

Como é a sua relação com jogadores mais velhos? São os primeiros a respeitá-lo ou já teve algum problema?

Na minha opinião, o que é fundamental para um treinador é que ele dê o exemplo. Ou seja, eu cometo os meus erros, e tenho as minhas limitações como qualquer outro treinador, mas há uma coisa que eu procuro fazer sempre que é dar o meu melhor e os jogadores são justos quando percebem que do outro lado está uma pessoa que dá o seu melhor e que respeita os jogadores. Por isso nunca tive problemas desse género.

Esta equipa do Queluz tem muitos jovens (Tiago Pinto, Rui Araújo, Cristóvão Cordeiro, Diogo Moisão e Gil Cruz). É “politica do treinador”, ou politica do clube e a prova de que o Queluz tem vindo a realizar um bom trabalho na formação?

Foi um conjunto de factores que levou a esta situação. Tivemos de dar um passo atrás, e a aposta para este ano é realmente essa: a aposta em jogadores portugueses. Temos um misto de jogadores constituído por dois norte-americanos jovens, alguns jogadores nacionais ainda jovens e que podem atingir patamares mais altos em Portugal e depois jogadores da formação que estão na equipa sénior com a perspectiva de que no futuro, e até já no presente como é o caso do Tiago Pinto, possam dar a sua perspectiva à equipa sénior porque os clubes necessitam muito de referencias para trazer mais gente aos pavilhões. Isso é fundamental.

Acha que, para estes jovens, o facto de o Queluz estar agora a Proliga é benéfico para que desenvolvam as suas capacidades, já que poderão ter mais minutos de jogo do que se estivessem na Liga?

O mais importante nem é tanto a competição, importante é que eles tenham o seu espaço. Muitas vezes diz-se “tem que se apostar nos jovens e eles têm que jogar”. Não, eles jogam se merecerem e se mostrarem que têm qualidade, não é por serem jovens ou por serem da formação do Queluz.

Na minha opinião, aquilo que dificulta mais a evolução de um jogador Júnior para Sénior é que nessa fase de transição, muitas vezes, é quando os jogadores trabalham menos. E o que procuro fazer com estes jogadores é que eles trabalhem muito nesta fase. Eles treinam todos os dias com a equipa Sénior, algumas vezes treinam com a equipa Júnior, vão aos jogos dos Seniores, vão aos jogos da CNB2 e vão aos jogos de Juniores A. Chegam ao final de um ano de trabalho com muitos jogos, muitos treinos, muita experiência acumulada e, na minha opinião, isso é a única maneira de desenvolver os jovens jogadores portugueses.

André Martins

Já se jogou metade do campeonato da Proliga. Qual a sua opinião sobre a qualidade desta competição e dos seus participantes? Considera que está melhor do que quando esteve como treinador na Física?

Penso que o campeonato está mais equilibrado. Há mais equipas com argumentos que podem discutir as coisas. Inevitavelmente o Benfica e o Queluz vieram trazer um valor acrescentado a esta competição e as próprias equipas reforçaram-se mais tendo em conta isso mesmo. E sim, penso que a qualidade claramente subiu esta época.

O ano passado treinava uma equipa profissional de basquetebol. Este ano, com a sua equipa numa competição diferente continua a ser treinador profissional de basquetebol?

Não, não…Nem o ano passado era profissional. Era exactamente como este ano! Treinamos de manhã, treinamos à tarde, os treinadores estão lá sempre em todos os treinos – tenho essa possibilidade porque a outra actividade profissional assim o permite. Tenho o sonho de um dia ser 100% profissional mas para isso é preciso haver condições. Esse é o caminho que se deve seguir, mas tem de se trabalhar para oferecer às pessoas condições para seguir esse profissionalismo. Não podemos exigir que os treinadores e jogadores sejam profissionais se depois não têm contrapartidas desse profissionalismo. Assim é um falso profissionalismo.

Tenho a ambição de fazer, profissionalmente, aquilo que mais gosto que é ser treinador de basket, mas é preciso criar condições para isso. Não basta dizer que querem que as pessoas sejam profissionais. Assim que as condições estiverem criadas, eu assumo esse profissionalismo a 100%.

Qual a sua opinião sobre este “ano turbulento” do basquetebol português: participação histórica no Eurobasket 2007, e as divergências entre a FPB e a LCB.

Vejo com preocupação porque a Federação e a Selecção, treinadores e jogadores fizeram um trabalho notável, extraordinário. Aquilo que se conseguiu fazer no Europeu excedeu todas as expectativas e o basket português não conseguiu aproveitar isso para se projectar para outro patamar mais elevado e isso preocupa-me.

Acha que estas divergências entre FPB – LCB, ou entre as pessoas que as dirigem, poderão pôr em risco o futuro da modalidade? É evidente a projecção que outras modalidades conseguiram ganhar, nomeadamente o rugby que ganhou imensa visibilidade e novos praticantes…

Que as coisas não estão bem, toda a gente sabe. Que as coisas têm que melhorar, também toda a gente tem consciência. Agora, na minha opinião, o que penso que as pessoas responsáveis têm de procurar é um modelo de desenvolvimento para o basquetebol que faça crescer a modalidade. Essa é que tem de ser a primeira preocupação. As pessoas deviam perguntar-se “Porque é que temos quase sempre os pavilhões vazios?”, “Porque é que o jogador português não se assume ao mais alto nível, salvo raras excepções?”. Se formos a ver, não vemos quase nenhum jogador de 20 anos a jogar na principal competição portuguesa. Os jogadores continuam a ser o Marçal, o Seixas, o José Costa, etc. Porque é que não aparecem jogadores novos todas os anos? São este tipo de interrogações que deviam ser feitos para se começar a pensar num modelo que sirva os interesses do basket em Portugal.

Parece-me que esta época que devia estar a ser de transição não está a ser aproveitada para desenvolver esse modelo de desenvolvimento para a modalidade.

Treinos bi-diários, outra actividade profissional. Como ocupa tempos livres? Tudo dedicado ao basket?

Não, não…Tive um filho à dois meses e meio e os tempos têm sido ocupados com ele. Mas como qualquer outra pessoa, obviamente que tenho outras actividades. É como aquela célebre frase “Quem é só médico, nem médico chega a ser”. Um treinador tem de ter outras ocupações, até porque isso acaba por ser importante para o seu processo formativo e para o ajudar na sua carreira de treinador. Como qualquer outra pessoa gosto de ir ao cinema, gosto de praia, de viajar, de passear e conviver com amigos.

Por fim, gostaria de deixar alguma mensagem a outros treinadores jovens que estejam a começar?

Aquilo que um treinador uma vez me disse foi que a partir do momento que os jovens sentem que têm essa vocação e que gostam dessa actividade, a persistência, o querer aprender todos os dias, e a vontade de ser melhor de dia para dia vão fazer dele um bom treinador. Ou pelo menos irá ter as bases para isso.


Samuel Lóio – a entrevista

Outubro 29, 2007

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Depois da entrevista à Cátia Lírio, damos agora a conhecer um pouco mais o jovem jogador do Esgueira, Samuel Lóio. Aos 17 anos era já o base titular do Esgueira OLI, e nesta sua terceira época é uma das principais figuras desta jovem equipa.Nesta entrevista mostra a ambição natural de um jovem, amparada por uma clara noção da realidade do basquetebol em Portugal.

Fizeste a tua estreia na Proliga quando tinhas apenas 16 anos. Tem algum significado especial para ti seres um dos jogadores mais jovens de sempre, se não o mais jovem de todos, a estrear-se nesta competição?

Sim, claro. Nunca pensei ir para a equipa sénior do Esgueira com 16 anos. Ainda para mais para uma equipa que tinha um plantel muito forte. E se fui mesmo o mais novo de sempre a ir para a Proliga então, fico muito orgulhoso.

Nestas duas primeiras épocas sentias que os bases adversários te pressionavam por saberem que eras mais novo? Se sim, como lidaste com isso?

Sem dúvida. Acho que até houve bases, principalmente na segunda época, que de certa maneira me subestimaram por eu ser mais novo. Na primeira época não tive muito tempo de jogo, e então não notei tanto isso.

Na época 2005/06 fizeste alguns jogos pela equipa principal, mas grande parte da temporada alinhaste pela equipa de Séniores B do Esgueira. Quando começou a época 2006/07 assumiste-te como titular na equipa principal do Esgueira. Na altura, vocês eram os vice-campeões e uma das melhores equipas da competição. Este aumentar significativo de responsabilidades condicionou a tua forma de jogar?

Acho que este aumento de responsabilidade me fez reflectir bem e aumentar os meus índices de concentração. Senti alguma pressão adicional, principalmente desde que ficamos apenas comigo para a posição de base e com o Jomané apenas de vez em quando. Esta situação levou-me a ter mais tempo de jogo, coisa que de modo algum eu imaginava no início da época mas que sem duvida me tornou mais maduro dentro de campo. Assim acho que esta responsabilidade acrescida não condicionou, pelo menos de forma negativa, a minha forma de jogar, ajudando-me a crescer tacticamente.

Ter na equipa um base muito experiente, e que além disso é uma das referências do Esgueira, como é o Jomané ajudou ao teu desenvolvimento? E ter como treinador o Prof. Carlos Gouveia, conhecido por apostar em jovens jogadores, também foi uma forte ajuda? Reconheces que a experiência deles, por vezes facilitava o teu ‘trabalho’?

Sem dúvida. O Jomané ajudou-me muito. Acho que foi uma sorte e um privilégio fazer parte da mesma equipa que ele e acho que todos os jogadores novos que tenham em vista um futuro no basquetebol deviam ter um “Jomané” na equipa porque sem duvida que se iriam tornar melhores jogadores. O Prof. Carlos Gouveia foi o treinador que apostou em mim e a ele lhe devo as minhas últimas 2 épocas. Não pensei estar na equipa sénior tão cedo mas o Prof. acreditou em mim e a experiencia toda que ele tem no basquetebol foi uma grande ajuda no meu desenvolvimento como jogador. Tanto um como outro facilitaram-me o trabalho dando-me regularmente dicas, ajudas, conselhos essenciais para a minha performance e para a minha evolução como jogador e como pessoa.

Samuel Loio

No teu primeiro ano de sénior o Esgueira chegou à final da Proliga. No segundo ano, chegaram às meias-finais. De jogo para jogo, havia cada vez mais público nas bancadas, sendo que em alguns jogos o pavilhão estava mesmo cheio. Este aumento de notoriedade aliado às tuas prestações dentro de campo faz-te sentir referência para os jogadores mais novos do clube?

Bem, esta é uma pergunta difícil. Fico muito contente se alguns jogadores mais novos do clube me virem como uma referência, mas não me sinto como tal. Acho que ainda sou muito novo e como tal ainda tenho muito para aprender, e as referencias que esses jovens como eu devem ter são os grandes jogadores, que são mundialmente conhecidos devido a qualidade do seu jogo.

Nesta última época representaste a selecção nacional Sub18 no Campeonato da Europa. Para a época que está agora a começar, ser convocado para os Sub20 é um objectivo pessoal? Ou o teu pensamento está centrado em ajudar o teu clube a alcançar os seus objectivos?

Nesta última época também fui chamado a um estágio dos Sub 20 e por isso sem dúvida que um dos meus objectivos para esta época é voltar a merecer a confiança do seleccionador, mas acho que apesar da chamada a selecção ser um objectivo o facto de ser ou não chamado não vai condicionar de maneira nenhuma o meu papel no meu clube e espero conseguir ajudar a equipa a alcançar os objectivos propostos para esta época.

Para ti, é mais difícil jogar na Proliga ou num Europeu de Sub18?

Num Europeu de Sub 18. Em primeiro lugar porque a pressão é muito grande, depois porque não tenho tanta liberdade para jogar como tenho na Proliga e por último porque os bases num Europeu em regra, apesar de serem menos fortes fisicamente que um base na Proliga, defendem com muita mais pressão.

Este ano, com os estágios da selecção e os treinos e jogos no Esgueira, conseguiste conciliar bem os estudos com o basquetebol?

Consegui. Nem sempre foi fácil e até tive que faltar a alguns exames por causa dos estágios. Mas acho que tive um bom desempenho tanto nas actividades desportivas (Esgueira e Selecção) como na Universidade. Com um pouco de esforço tudo se consegue e se para atingirmos os nossos objectivos temos de batalhar e passar por alguns sacrifícios.

Quais os teus objectivos no basquetebol?

Chegar a uma equipa profissional. Se possível no estrangeiro uma vez que o basquetebol em Portugal está cada dia pior. Tenho noção que não vai ser nada fácil e talvez seja mesmo impossível mas vou lutar para atingir os meus objectivos.

Para terminar, lembraste de algum conselho dado por alguém (pais, treinador, colega, dirigente, etc) que aches importante deixar aos jogadores que se estão a iniciar nesta modalidade?

Sim. O primeiro conselho que me deram foi que é essencial ser sempre muito humilde em tudo aquilo que fazemos para que consigamos ter sucesso, e quem me deu esse conselho foi o meu antigo treinador Carlos Bio. Outro conselho que é importante e que foi sempre o que os meus pais me disseram é que os estudos têm que estar sempre em primeiro lugar.


Cátia Lírio – A entrevista

Setembro 21, 2007

Começa hoje uma nova ‘rubrica’ no Seis25. É um espaço destinado a dar a palavra às jovens promessas do nosso basket: jogadores e treinadores. No entanto, também tentaremos dar a visão de outros intervenientes, como são os árbitros, dirigentes, jornalistas, etc.

A primeira entrevista foi feita a uma das maiores promessas do basquetebol feminino português, Cátia Lírio. Nesta série de perguntas e respostas mostrou uma maturidade acima da média, demonstrando que tem os pés bem assentes no chão e que está consciente das dificuldades que terá de ultrapassar para atingir os seus objectivos, tanto no basket como na sua vida em geral.

Cátia, actualmente és uma das principais figuras do basquetebol feminino em Portugal. No entanto, tiveste de trabalhar muito até chegares onde estás. O que queremos saber foi como tudo começou: como chegaste ao basket, e quem te levou a experimentar esta modalidade?

Quando era mais nova e andava no infantário o meu passatempo preferido era jogar futebol com os rapazes. Tinha um gosto especial por esta modalidade, pelo que pedi aos meus Pais para me porem a treinar num clube. Escusado será dizer que não fui muito bem sucedida na satisfação deste meu desejo, pois os meus Pais entendiam que o futebol não era propriamente o desporto mais adequado para meninas. Bem, mas o ‘bichinho’ do desporto mantinha-se e então tentei novamente a minha sorte e pedi-lhes que em alternativa me pusessem no basket. Não sei muito bem como surgiu a ideia de jogar basket, mas o que é certo é que comecei a jogar no FC Gaia aos 9 anos. Estive lá uma época, entretanto parei e, mais tarde, fui convidada para ir para o Coimbrões onde estou há já 5 épocas e pouco.

Cátia_L�rio.02Desde então tem sido sempre a subir e este ano quase nem tiveste férias. Primeiro foi o Europeu de Sub18, depois o de Sub20 e mais recentemente a Fase de Apuramento já com a Selecção Sénior. Como encaras tudo isto e quais as principais diferenças e dificuldades que encontras de escalão para escalão?

Para mim as chamadas às Selecções funcionam como um ‘complemento vitamínico’ – não só aumentam o meu índice de confiança como reforçam a minha vontade de fazer sempre mais e melhor. No fundo, considero-as como um prémio resultante do trabalho que vou desenvolvendo ao longo do ano.

As principais diferenças que encontrei de escalão para escalão foram precisamente no grau de dificuldade que o próprio escalão apresenta em termos de competição/adversários. No fundo não encarei esse facto como uma dificuldade, mas apenas como mais um obstáculo a ser ultrapassado.

Esta não foi a primeira vez que foste convocada para a Selecção Sénior. Como reagiste quando foste convocada para participar nos Jogos da Lusofonia 2006 em Macau? Eras júnior de primeiro ano, a tua equipa sénior nem competia na Liga Feminina e és chamada para integrar um grupo em que estavam algumas das melhores jogadoras portuguesas…

A ambição de qualquer atleta é ser chamada à Selecção Nacional e, claro, eu não sou excepção. A Selecção Sénior é o topo quase inatingível e a minha chamada foi uma surpresa total. Não me é possível descrever o que senti. Para além da responsabilidade que recaía sobre mim, pois se tenho vindo a trabalhar para ir conquistando um lugar nas doze melhores atletas do meu escalão, eu teria que ser muito mais exigente comigo para merecer a confiança que depositaram em mim em representar a Selecção A.

Estiveste integrada nos trabalhos do Centro de Alto Rendimento. Sentes que essa experiência fez-te crescer mais como jogadora ou como pessoa?

O período que estive no CAR (3 anos) foi sem dúvida algo muito enriquecedor a todos os níveis. Se por um lado não é fácil aos 15 anos afastar-nos, ainda que só 5 dias por semana, da nossa família, da nossa casa e dos nossos amigos, a distância que nos separa de tudo isto ajuda-nos a sedimentar a formação que vamos recebendo ao longo da nossa vida. Em termos emocionais fui sabendo controlar esta situação, pois para além de ter sempre o apoio dos meus Pais encarei este facto como uma oportunidade de evoluir e as oportunidades não se devem desperdiçar.

Como jogadora? Tenho a certeza que a minha evolução estaria muito aquém se eu não tivesse ido para o CAR. O grau de exigência é muito grande, a forma como nos trabalham não tem comparação possível com o tipo de treinos que temos nos clubes. Emocional e fisicamente temos que estar preparados para treinos diários e, por vezes, bi-diários, temos que saber conciliar os treinos/jogos com a nossa vida escolar e os momentos de lazer que também nos são proporcionados.

Em suma, foi uma experiência muito, muito positiva em todos os aspectos; em momento algum me arrependi de ter aceite o convite para integrar o CAR Jamor.

Falemos agora um pouco sobre o teu futuro: na próxima época vais continuar a representar o Coimbrões, ou pensas mudar-te para um clube que participe na Liga Feminina?

Atendendo que cada dia que passa tenho de fazer sempre melhor, o meu objectivo é representar um clube que participe na Liga Feminina uma vez que apresenta um campeonato mais competitivo e que me vai obrigar a trabalhar muito mais para poder ultrapassar as dificuldades evidentes desse mesmo campeonato. Mas como todas as coisas boas da vida são aquelas que se conseguem quando se ‘molha’ a camisola, creio que é a opção certa.

Falou-se que era uma forte possibilidade a tua mudança para os Estados Unidos para estudares e jogares numa Universidade de lá. A mudanç foi cancelada ou simplesmente adiada? É um objectivo teu estudar e competir nos EUA?

Efectivamente no decorrer deste ano abordaram-me com a possibilidade de ir estudar e jogar para os EUA. Devo confessar que inicialmente fiquei um pouco assustada com a ideia. No entanto, depois de reflectir e falar com algumas pessas que já viveram essa experiência, posso dizer que há a possibilidade de vir a aceitar o convite, pois considero-o enriquecedor a todos os níveis e poderá ser uma boa oportunidade para me ajudar a crescer, não só como atleta, mas também como pessoa. Será mais um medir de forças e um teste à minha capacidade de adaptação e evolução, mas o estar longe da família e dos amigos é um pouco doloroso.

Em suma, não posso dizer que a mudança para os EUA foi cancelada ou simplesmente adiada, posso dizer apenas que quero viver um dia de cada vez e que as oportunidades vão surgindo naturalmente. Se para o ano ou daqui a dois anos, não sei, as coisas se proporcionarem talvez quem sabe, vá até ao outro lado do Atlântico. Neste momento essa possibilidade está em aberto.

Que lugar tem o basket no teu futuro? Estás apostada em seguir uma carreira profissional nesta modalidade, possivelmente no estrangeiro, ou a tua formação académica é mais importante?

As coisas vão surgindo naturalmente e as oportunidades vão-se agarrando conforme as nossas possibilidade e disponibilidades. As minhas opções em relação ao basquetebol vão ter sempre em conta a minha vida académica pois, hoje em dia, nada se consegue na vida sem um curso superior, mas é claro que ambiciono chegar o mais longe possível desde que consiga concilar os estudos com a prática desportiva.

Cátia_L�rio.01Como vês o basquetebol feminino em Portugal? Qual a tua opinião sobre o seu potencial de crescimento no nosso país?

Relativamente ao basquetebol feminino no nosso país penso que está cada vez mais ‘pobre’. Na minha opinião estamos a perder qualidade de ano para ano, as jogadoras que mais alegria e espectáculo davam nos nossos pavilhões estão cada vez mais a ir para fora, principalmente para Espanha onde encontram uma maior competitividade e melhores condições de trabalho.

Acerca do crescimento, penso que se continuarmos a ver as nossas melhores jogadoras partirem, daqui a alguns anos os amantes do basquetebol feminino desinteressar-se-ão totalmente da modalidade tal é a ‘pobreza’ do mesmo. Para contrariar o que está a acontecer de ano para ano os clubes deveriam apostar cada vez mais numa boa formação e começar a pensar em melhorar as condições de trabalho para assim conseguir manter as suas jogadoras.

Com tanto tempo dedicado ao basket (treinos, jogos, estágios, viagens, torneios) como aproveitas o pouco tempo livre que tens?

As poucas férias que tenho são aproveitadas para descansar e estar com os amigos. Confesso que os dois primeiros dias são sempre passados em casa a descansar e a relaxar, e os restantes dias aproveito para me encontrar com os meus amigos, ir ao cinema, etc.

Tens algum ídolo ou referência no basquetebol?

Tenho alguns jogadores de quem gosto mais sinceramente não tenho um ídolo. Como referência tenho todos os atletas que praticam basquetebol com qualidade e que me servem como exemplo a seguir.

Sentes que começas a ser uma referência para as jovens que jogam basket no Coimbrões? Queres deixar alguma mensagem para elas e para todas as que se estão a iniciar nesta modalidade?

Acho que ainda não posso ser considerada uma referência. Para já ainda é cedo para ser reconhecida pelos mais novos….ainda tenho muito que aprender mas, quem sabe um dia não venha a ser um exemplo de atleta que os mais novos queiram seguir! Mas para isso é necessário continuar a trabalhar.

A mensagem que gostaria de passar a todas as atletas que ambicionam ir a uma selecção, seja ditsrital ou nacional, é de que nada se consegue sem dedicação e espírito de sacrifício. A ambição, a força, a humildade e a mentalidade de querer ser sempre melhor devem fazer parte da personalidade de qualquer atleta, quer seja atleta de selecção ou de um mero clube. Todas estas pequenas mas grandes coisas colocar-nos-ão no caminho certo…é só esperar que tudo isto seja reconhecido. Nunca desistam dos vossos sonhos e objectivos e nunca se esqueçam que é mais fácil esperar do que desistir!!