Identifico-me com aquele modelo, apesar de ser evidente que não é aplicável em todas as equipas, nem com todos os jogadores, tal como refere o próprio João Freitas.
Sou eu que estou a ver mal a situação, influenciado pela distância temporal, ou hoje em dia os treinadores têm de ensinar aos atletas argumentos, técnicas e tácticas que há uns anos os jovens jogadores acabavam por descobrir ‘sozinhos’, fora do treino?
Tim Grover foi o treinador pessoal de Michael Jordan durante largos anos da carreira de ‘His Airness’. Aliás, o preparador físico era muitas vezes apontado como um dos factores de sucesso de MJ, pondo em forma um corpo que raramente foi afectado por lesões, e que noite após noite era massacrado pelas defesas contrárias.
Tim Grover ganhou reputação e hoje em dia, o seu local de trabalho e os seus métodos são procurados por algumas das maiores estrelas da NBA. Deixamos aqui os casos de Gilbert Arenas, e também o de Dwyane Wade – dois jogadores mais do que talentosos, mas regularmente afectados por lesões e que querem deixar essas malapatas para trás. Sintomática a frase de Gilbert ‘Agent Zero’ Arenas no final do clip ‘He saved my carrer’.
‘First, I just loved the game, and let my skills develop. So, I believe in learning late! Playing early for learning late.’
A frase é de Michael Jordan, ditada no documentário ‘Michael Jordan to the MAX’. E o quer MJ dizer com isto? Que primeiro tem de se aprender a gostar do jogo: jogar, jogar, jogar, jogar até o jogo estar completamente em nós. Só depois se aprende a jogar com sucesso, desenvolvendo as capacidades necessárias para se ser um grande jogador de basquetebol.
Ao visitar o blog do Professor, encontrei o vídeo que a seguir apresentamos. No vídeo é possível ver a qualidade com que a equipa espanhola utiliza as transições ofensivas rápidas, e as vantagens que consegue por jogar a correr, e ‘chegar a jogar’. Até aqui tudo normal, e já muito se falou sobre este tema e a aplicação ao caso português – se ao nível da estatura não conseguimos ser das selecções mais dominantes, temos de ter outras armas, e a velocidade e intensidade de jogo terão de ser soluções para os nossos problemas.
No entanto, ao ver o vídeo lembrei-me da intervenção do seleccionador espanhol Evaristo Pérez num Clinic de Formação levado a cabo pela Associação de Basquetebol do Porto na passada temporada. Este Clinic teve lugar na Póvoa do Varzim nos dias 24 e 25 de Novembro de 2007, e na sua última intervenção, Evaristo Pérez apresentou as ideias que tem tentado implementar na Selecção Nacional de seniores femininos de Espanha.
Jogar rápido, sim senhor. Defender forte e rápida transição ofensiva sempre, sempre. Criatividade e liberdade de movimentos para as jogadoras, grande capacidade individual de todas as atletas, como não podia deixar de ser. Até aqui tudo normal. Alguns olhos abriram-se de curiosidade quando Evaristo Pérez demonstrou como fazia a transição ofensiva: bola conduzida pelos corredores laterais. Alguns dos treinadores presentes estranharam, discordaram, e Evaristo Pérez deu algumas justificações teóricas do porquê desta escolha. Mas nem assim pareceu convencer alguns dos presentes. No entanto, essa é uma reacção normal, tal como disse o seleccionador espanhol – também as suas jogadoras estranharam e demoraram até conseguirem o que o treinador lhes pedia. Quando conseguiram aplicar este modelo foram vice-campeãs no Europeu de 2007.
Ao verem o vídeo, atentem por onde é que as jogadoras com bola correm, na transição ofensiva espanhola. Vejam também se quem corre é a bola, ou a jogadora com bola. E já agora, qual a vossa opinião sobre este tema?
Faltam 9 segundos para acabar o prolongamento no United Center. Os Bulls perdem por 3.Pedem desconto de tempo. Preparam a jogada. Ben Gordon põe a bola em jogo. Vai recebe-la após um bloqueio indirecto. Lança de 3 pontos. Marca. Empata o jogo. Festeja. Agarra-as!
Ben Gordon teve-as no sítio, e Chicago bem pode agradecer ao seu atirador a vitória que, por enquanto, dá o empate a 2 na série frente aos campeões. A série segue agora em Boston.
PS – Excelente o jogo do gato e do rato nesta jogada decisiva. Chicago a libertar bem o seu lançador, depois de este ter posto a bola em jogo e ter recebido um bloqueio indirecto. Boston a pôr em campo 5 jogadores mais móveis (Marbury, Rondo, R. Allen, T. Allen e Pierce) para melhor reagirem aos movimentos dos seus adversários que pretendiam libertar um jogador para lançamento exterior. Boa troca no bloqueio, com Paul Pierce a ficar com o homem das decisões, e a contestar o lançamento lá em cima tentando evitar fazer falta. A bola entrou, por isso a questão que se põe é: ‘Os Celtics defenderam bem?’.
Gosto de ver jogar Deron Williams! Na minha opinião, faz aquilo que um base tem de fazer, e sempre com uma simplicidade e eficácia tremendas. Nesta jogada que aqui deixamos, retirada do jogo contra os Lakers, Deron Williams aplica aquilo que tantos treinadores tentam transmitir aos seus atletas: mudança de direcção, mudança de velocidade. Com este simples gesto técnico deixou para trás Derek Fisher, o seu defensor directo, ganhando assim o espaço necessário para cravar a bola na cabeça de Andrew Bynum.
Mas este vídeo é aqui disponibilizado, não pela espectacularidade do afundanço, mas sim pela eficácia da mudança de direcção e de velocidade. Se muitas vezes digo que a NBA está repleta de maus exemplos para os mais novos, desta vez só posso reconhecer que este é um daqueles vídeos para ver e mostrar a quem quer aprender e tornar-se melhor jogador!
Num dos haibituais jantares de quarta-feira em que o basket é sempre tema de conversa, alguém falou da objectividade dos treinadores espanhóis quando têm de passar mensagens aos seus jogadores. Lembrei-me logo deste vídeo de Aito G. Reneses que tinha visto há algum tempo no blog Pizarisas, da autoria de Piti Hurtado.
Compreendo que em certos momentos do jogo, ou em certos jogos, é necessário apelar à atitude em campo, tentar passar alguma intensidade para os jogadores que por vezes parecem amorfos ou desligados do jogo. Mas à parte esses momentos, a objectividade de Aito é notável e, na minha opinião, saber o que dizer e quando dizer é uma das grandes virtudes de um bom treinador de basquetebol.
John Scheyer da Universidade de Duke parece ter alguma liberdade para se movimentar no campo com a bola na mão… Já por várias vezes nos referimos à incapacidade dos árbitros da NBA em marcarem as violações da regra dos apoios, mas parece que essa incapacidade se estende aos árbitros da Conferência ACC do campeonato da NCAA, pois já não é a primeira vez que esta situação acontece.
Duas mãos na bola, dentes cerrados, o Mundo em suspenso. Toda a vontade impressa no gesto técnico ainda imperfeito. Os braços esticados e o salto final acompanhado de um grito abafado de esforço ajudam a perceber o enquadramento da acção. Quando a bola nos sai das mãos leva toda a esperança. E fica, na maior parte das vezes, muito longe do cesto. É assim que “lançamos” quando começamos a jogar em pequenos. Acredito que é o período em que estamos mais perto de duas das capacidades mais preciosas na vida e no jogo de basquetebol – a ambição de querermos ser melhores e o prazer de fazermos aquilo de que gostamos. Sem ninguém nos ensinar aprendemos que é sempre possível. Sempre. Quando a bola não entra no cesto, recuperamos facilmente do desgosto e depositamos a mesma crença no roubo de bola ao adversário que ganhou o ressalto. Cada um de nós e todos ao mesmo tempo, o que confere aos jogos de mini-basquete aquela dose de correria, intensidade e entrega muito próprias. Não compreendo aqueles que insistem em ensinar a técnica antes do gozo (ou se quiserem, a técnica em detrimento do gozo). É preciso saber correr, saber lançar, saber as regras. Certo. Mas é preciso brincar, rir, gostar do Jogo. Isso terá seguramente implicações mais fortes no futuro.
No dia 21 janeiro, o Clube Povo Esgueira vai realizar pelas 21:00 horas no seu pavilhão, uma Acção de Formação em Basquetebol subordinada ao tema: O jogo contínuo-transições ofensivas. Esta Acção terá como prelector o Professor Orlando Simões, actual seleccionador nacional de sub 20 e responsável pelos Centros de Alto Rendimento.
A Acção será gratuita e aberta a todos os treinadores interessados. Inscrições através dos seguintes contactos: cpe@esgueirabasket.com, pedromsc4@hotmail.com, telefone 234315409, telem. 968306263
Numa noite em casa de uns amigos que também têm no basquetebol o seu desporto preferido, passámos alguns minutos a apreciar a execução técnica, o bailado, e consequentes reacções de colegas, adversários, adeptos e comentadores quando Chuck Hayes ganha viagem até à linha de lance livre.
Já aqui tínhamos deixado dois vídeos do incansável extremo-poste dos Houston Rockets na linha de lance-livre, e agora voltamos a mostrar um belo momento retirado da série dos Playoff 08 entre os Houston Rockets e os Utah Jazz. Se nos anteriores vídeos se destacavam as acções de Allen Iverson e de Kenyon Martin, neste vídeo o destaque tem de ir para o ‘oh shiiiiiit’ de Carlos Boozer, ou para a reacção de Andrei Kirilenko como que a dizer ‘então onde está a bola?’
PS – Ainda assim Chuck Hayes merece ser elogiado, pois é evidente o progresso dos primeiros vídeos, para este último.
Dos jogos nacionais, mas principalmente dos jogos internacionais que tenho acompanhado no último ano (Euroliga, ULEB Cup, Jogos Olímpicos e respectivos torneios de preparação, bem como Fase Apuramento Eurobasket 2009) fico com a ideia de que existe uma tendência cada vez maior de se marcarem faltas aos jogadores que fazem bloqueios ofensivos: menos nos bloqueios directos, mais nos bloqueios indirectos.
Na verdade a evolução dos últimos anos tem tornado o jogo mais físico, permitindo maior contacto entre jogadores, e sobretudo tem-se tornado bastante mais rápido. Isto leva a que os movimentos ofensivos tenham de ser executados mais rapidamente, e tendo em conta que praticamente todos os ataques incluem bloqueios (directos ou indirectos) talvez por aqui se compreenda um pouco esta tendência das faltas ofensivas nos bloqueios indirectos.
Na maioria das vezes, os bloqueios são feitos por jogadores interiores para libertar os exteriores. Quase na sua totalidade, os jogadores interiores são os mais altos e mais pesados em campo, e por norma os menos rápidos. Ora, esta falta de velocidade dos referidos jogadores condiciona as movimentações rápidas que têm de fazer no sentido de libertar espaço para os seus colegas. No entanto, nem sempre a culpa é só dos jogadores interiores, já que se nota que várias vezes os jogadores exteriores não iniciam os seus movimentos no ‘timing’ correcto, o que faz com que percam a vantagem que o bloqueio lhes poderia dar. Controlar os tempos de ataque é cada vez mais uma tarefa dos 5 jogadores em campo, não apenas do base. Ter a capacidade de olhar para o jogo, ver o posicionamento e deslocamento dos seus colegas de equipa e escolher o tempo certo para iniciar o movimento é uma função que todas devem dominar.
É o problema dos timings e da velocidade de deslocação em ataque a principal razão para este crescente número de faltas ofensivas nos bloqueios? Sim, penso que sim! No entanto, nota-se que muitos dos jogadores que vão receber os bloqueios para se libertarem, não têm a capacidade de levar o seu defensor até ao bloqueador, passando longe do bloqueio, desviando-se da trajectória correcta, perdendo a vantagem criada. E face ao erro do jogador bloqueado, o que acontece na maior parte das vezes é que o jogador bloqueador desloca-se da sua posição definida para conseguir levar a efeito a sua tarefa: ‘prender’ no bloqueio o defensor do seu colega. Em que resulta este movimento? Falta ofensiva…
Deixamos aqui um vídeo – retirado do http://rjmbasket.blogspot.com/ - de Henk Norel, poste holandês que passou pela formação do Joventut Badalona, e que agora integra o plantel do DKV Joventut. Reparem como é que ele se desloca para fazer os bloqueios, e reparem nas vantagens que isso proporciona à sua equipa.
Na nossa realidade nacional quantos jogadores utilizam com mais frequência o arranque em drible directo do que o arranque em drible cruzado? Quantos jogadores utilizam na mesma proporção o arranque directo e o cruzado? Poucos…! Ainda, quantos jogadores conseguem executar igualmente bem o arranque em drible directo com a mão esquerda como com a direita? Pouquíssimos…E a resposta mantém-se quer estejamos a falar de jogadores do escalão de iniciados, de cadetes, juniores ou seniores.
As justificações para este facto podem gerar um ciclo vicioso sem que se consiga distinguir muito bem se os argumentos apresentados são considerados causa ou efeito da menor utilização deste importante argumento técnico – o arranque em drible directo.
Os praticantes com poucos anos de prática executam o arranque em drible cruzado mais facilmente, talvez por se tratar de um movimento mais natural. Por se sentirem mais confortáveis na execução deste gesto técnico, utilizam-no com maior frequência. O arranque em drible directo, requer um pouco mais de coordenação e controlo corporal. Desta forma, o arranque em drible directo começa desde cedo a ser menos utilizado pelos atletas. Chegados ao jogo – o teste do que aprenderam durante a semana – executam os movimentos que melhor dominam e com os quais se sentem melhor. As dificuldades em executar correctamente este gesto técnico levam a que muitos jogadores cometam violações, pelo que muitas vezes lhes é assinalado “passos”. Assim se explica, também, a predominância do arranque em drible cruzado relativamente ao arranque em drible directo.
Também os árbitros, habituados a ver com maior frequência o arranque em drible cruzado, têm a tendência de apitar “passos” quando os jogadores executam o arranque em drible directo. Muitas vezes, tomam decisões acertadas quando assinalam essas violações, no entanto, muitas são as vezes em que o apito é inadequado e desnecessário. Talvez por se tratar de um gesto técnico menos comum, os árbitros também não estejam muito à vontade para interpretar este momento específico do jogo e daí advenham algumas decisões incorrectas. Isto faz com que alguns jogadores dêem ainda mais preferência ao arranque em drible cruzado “Oh, ao menos assim não faço passos…”.
Aos treinadores cabe corrigir, e incidir maior tempo de treino nos aspectos em que os jogadores são menos consistentes, nos aspectos que os seus jogadores menos dominam. Aos jogadores pede-se que sejam capazes de se concentrarem na execução dos gestos técnicos, que tenham vontade em melhorar as suas falhas, e que se sintam motivados para o “auto-treino”. Dos árbitros espera-se melhor capacidade de interpretação de alguns momentos do jogo, e a capacidade de admitir que tal como os jogadores, também eles falham neste capítulo do jogo.