Uma a menos

Novembro 28, 2009

A desistência da equipa do Sporting Figueirense da sua participação na Liga Feminina 2009-2010 confirmou-se. Uma notícia que surgiu como um boato, mas que alguns dias depois veio mesmo a confirmar-se.

É mais um momento pouco feliz para o basquetebol nacional, com mais uma equipa a abdicar da sua participação na principal competição do basquetebol português: na temporada passada foi o Belenenses a desistir da Liga Portuguesa de Basquetebol após alguns jogos realizados, agora foi a vez do Sporting Figueirense.

Recordamos que esta equipa da Figueira da Foz competiu no Campeonato Nacional da 2ª Divisão na temporada anterior, e demonstrou uma superioridade incontestável neste campeonato garantindo a subida ao Campeonato Nacional da 1ª Divisão. No entanto, e face às desistências de outros emblemas que militavam na Liga Feminina (Esgueira e Desp. Póvoa) a equipa figueirense acabou mesmo por subir directamente para a competição máxima do basquetebol feminino. Chegou Novembro e a sua participação terminou. Não estavam reunidas condições financeiras para continuar.

Esta é uma forte machadada numa competição que procura ganhar maior credibilidade e visibilidade tanto no panorama do basquetebol nacional – no qual continuam a dizer que são o patinho feio da FPB – como na comunicação social e na população em geral.

No comunicado da direcção do Clube, podem ler-se mais críticas à FPB e aos custos de arbitragem que os emblemas nacionais têm de suportar para participar nestas competições. Muitos são os clubes que se queixam das avultadas quantias a pagar à FPB por mês. Numa fase em que as empresas continuam renitentes em apoiar clubes desportivos e nas quais as verbas dos organismos estatais tendem a escassear, a maioria dos clubes vai baixando os seus orçamentos. No entanto, uma fatia do bolo parece não diminuir e os custos de arbitragem vão sendo um obstáculo cada vez maior para alguns clubes.

Não haverá nada que a Federação Portuguesa de Basquetebol possa fazer para diminuir os custos que os clubes têm para com a FPB relativamente à arbitragem? Quem quer participar nas principais competições tem de reunir dinheiro para pagar aos seus: atletas, equipa técnica, equipa médica, transportes, policiamento, etc., etc. E a comissão que rege a arbitragem não deveria ter de fazer algo semelhante com os que estão sob a sua alçada? Ou isso custa muito?


E se Ricky Rubio fosse português?

Novembro 20, 2009

Porque o texto está muito bom, deixo aqui a ligação: E se Ricky Rubio fosse português?


24h Esgueirabasket

Novembro 13, 2009

Para mais informações visite o weblog do 24h Esgueirabasket e fique a par das novidades deste torneio.


Sinais de mudança?

Novembro 10, 2009

Confesso que a partir do momento em que os jornais desportivos passaram a utilizar a internet como meio de divulgação dos seus conteúdos, deixei de comprar tantos jornais como antigamente. A consulta dos tais websites é bem mais cómoda e barata.

No entanto, e nas vésperas do início da Liga Portuguesa de Basquetebol dei uma olhadela as edições impressas dos diários desportivos, e ainda bem que o fiz, pois fiquei agradavelmente surpreendido com a atenção dada ao basquetebol, e ao início do campeonato da LPB. Apresentação da competição, comentários ao momento do basquetebol nacional, constituição das equipas, nomes dos principais protagonistas. Enfim… é bom ver o nosso desporto receber um pouco mais de atenção na comunicação social.

No final do dia pode ser apenas e só isso mesmo: só um pouco mais de atenção! Mas não há qualquer dúvida que é melhor receber um pouco mais de atenção do que não receber nada.


Duas realidades que se afastam

Outubro 26, 2009

No domingo assistia via RTP2 ao jogo de andebol entre Porto e Benfica, disputado no Dragão Caixa. Ao longo da partida facilmente ia fazendo paralelismos com a modalidade que mais me agrada, o basquetebol.

O primeiro de todos, prende-se com a transmissão do ‘Clássico’ em canal público. É uma realidade que já aqui abordámos, mas que nunca será referida em excesso, dada a sua importância. Dois dos maiores clubes desportivos portugueses em confronto, seja em que modalidade for, suscitam sempre maior atenção por parte do público em geral. O jogo de andebol entre Porto e Benfica foi transmitido na RTP2. Quando houver um Porto vs Benfica em basquetebol, se for transmitido, será na SportTv.

Depois, e quando já decorria a segunda parte do jogo, o Prof. Jorge Tormenta referiu algo no qual o Andebol começa a ganhar uma larga distância em relação ao Basquetebol: o número de jovens atletas que competem neste campeonato! Depois da brilhante participação no Campeonato do Mundo de Sub21, muitos dos jovens jogadores ganham o seu espaço nos Clubes a que pertencem, e até os candidatos ao título apostam em alguns jovens. Mas também jovens das selecções Sub19 começam a ter minutos de utilização no campeonato Andebol 1. Esta é uma grande diferença relativamente ao nosso basquetebol, e que também já abordei.

Esta época surgem alguns jogadores de 20 e 21 anos em algumas equipas da LPB, mas os mais novos continuam agarrados a competições de Sub18 e Sub20. Como falava no outro dia com alguns colegas, em Portugal um jogador de 24 anos ainda é uma jovem promessa. Na Europa, aos 24 anos já é um jogador experiente, pois jogam na equipa de seniores do seu Clube desde os 16 ou 17 anos de idade.

Há uns anos, o Andebol sofreu com o fim da Liga Profissional, e com as picardias entre FPA e a Liga de Clubes (onde é que já vimos isto??). Agora parece caminhar para bom porto, com novos valores a aparecerem na modalidade.

Conseguirá o Basquetebol seguir o mesmo trajecto?


Descansa em paz

Outubro 26, 2009

Kevin Widemond faleceu no intervalo do jogo entre a Ovarense Dolce Vita e a Académica. Que descanse em paz!
Neste doloroso momento, enviamos as nossas condolências a toda a família vareira.

Expectativas sobem, expectativas descem

Outubro 19, 2009

No passado Sábado assisti às Meias-Finais da Taça Vitor Hugo. Em Vagos reuniram-se 4 das melhores equipas do basquetebol feminino em Portugal, faltando ‘à festa’ a equipa que nas últimas épocas tem dominado as competições mais importantes de Seniores Femininos – o Olivais. Marcaram presença a equipa da casa, ESSA, Boa Viagem e CAB.

Gostei do primeiro jogo. Bom ritmo, bons desempenhos individuais de algumas jogadoras, jogo disputado a alguma velocidade – foi um jogo interessante de se assistir, no qual os desempenhos de Carla Freitas (grande jogo da madeirense, não só a lançar mas também nas leituras acertadas que teve na grande maioria dos lances), Candice Champion, Ana Sousa e Chevon Keith se destacaram das demais jogadoras. Tive vontade de assistir a mais jogos da Liga Feminina.

Fiquei um pouco mais no pavilhão para ver o jogo seguinte entre Vagos e ESSA. Depois do jogo anterior as expectativas para a segunda Meia-Final tinham subido um pouco – também apoiadas pela qualidade individual existente na equipa do Vagos, e pela juventude e forma de jogar da equipa do Barreiro – e esperava outro jogo de boa qualidade.

Assisti apenas à primeira parte, pelo que a minha opinião se restringe apenas a esses 20 minutos de jogo. A segunda parte pode ter sido completamente diferente, mas apenas posso falar do que vi. Gostei da equipa de Nuno Manaia! Gostei das transições ofensivas rápidas, dos pontos marcados enquanto as jogadoras do Vagos festejavam. Gostei da agressividade defensiva das jogadoras da Margem Sul, e da forma como disputaram o jogo contra uma equipa com mais e melhores soluções individuais. Jogavam a correr, tentavam tirar a monotonia que tantas vezes caracteriza o basquetebol português. Monotonia essa que do outro lado ia dominando.

Muito jogo a meio-campo, pouca velocidade nas transições ofensivas e defensivas, enquanto que nas tarefas defensivas permitiam vários lançamentos sem oposição às jogadoras do ESSA. Não gostei do que vi da equipa do Vagos.

Será provavelmente a equipa com mais soluções individuais de qualidade na Liga Feminina, mas das quatro equipas presentes na Final Four deste Torneio de início de temporada, o Vagos foi a equipa de que menos gostei. Acabou por ganhar a competição, muito por ‘culpa’ do que já referi relativamente às soluções no plantel. Mas a equipa vaguense está muito longe da qualidade de jogo condizente com os elementos que compõe o grupo de jogadoras.


A palavra a quem a merece

Outubro 8, 2009

Li a entrevista de José Gomes, capitão da equipa sénior do Maia Basket, ao site da Federação Portuguesa de Basquetebol, e só posso dizer que concordo com o discurso do jogador que nos últimos anos tem sido uma das figuras da equipa maiata. Também a entrevista dada por João Freitas, treinador do CAB Madeira, focava alguns pontos com os quais estou de pleno acordo.

Os principais agentes da modalidade dão boas soluções para o basket voltar aos bons velhos tempos. O que falta para se por essas ideias em prática? Falta de dinheiro não pode ser a única resposta…


Um dia quero jogar como tu…

Outubro 4, 2009

No seguimento do anterior texto ‘Causa ou efeito?’ continuamos a debater a questão da visibilidade do basquetebol. Mas se no referido texto optámos por abordar o tema de uma forma macro, desta feita a preocupação é mais virada para o micro-mundo do basquetebol.

Posto isto, vamos directos ao assunto, começando com uma simples pergunta: Quem são as referências do nosso basquetebol para os jovens que começam a jogar basquetebol?

Falando a um nível nacional, olho para o basquetebol português e vejo poucos jogadores com qualidade e carisma para serem referências para os mais jovens. Carlos Andrade parece-me ser um dos melhores exemplos, talvez Betinho. Há ainda José Costa, Sérgio Ramos e Nuno Marçal que já assumiam esse papel há 10 anos.

Claro que a nível mais local existem referências bem definidas em alguns clubes – talvez o exemplo mais gritante seja o de Nuno Manarte na sua Ovarense. No entanto, é preocupante saber que nem todos os clubes de LPB e Proliga conseguem ter essas referências internas para os jogadores dos escalões de formação. Além disso, apenas 24 clubes competem nestas duas competições nacionais – e todos os restantes clubes que não participam nestas competições? E os jogadores das regiões em que durante uma temporada não se realizam jogos das principais competições nacionais de seniores?

Quem são as referências para estes casos?

Lembro-me de crescer e ver os triplos de Lisboa: à meia-volta depois de sair de um bloqueio, a sair do drible, de qualquer maneira mais ou menos ortodoxa. Lembro-me de Pedro Miguel a comandar as tropas. De Rui Santos a jogar com Jared Miller, e com aqueles lançamentos de longa longa distância e com as assistências que só ele descobria. Lembro-me do esforço incansável de jogadores como José Carlos Guimarães, Flávio Nascimento ou Fernando Sá. Lembro-me de Mário Leite que fim-de-semana após fim-de-semana levava às costas a sua Ovarense, do domínio e do poderio físico de Jean Jacques ou ainda de Rubin Cotton que tantas vezes parecia alheado do jogo, mas que fazia sempre a diferença, no ataque e na defesa. Havia também a equipa do Porto com os jovens Nuno Marçal, Paulo Pinto, João Rocha ou Nuno Quidiongo – eram eles os jovens à procura dum ‘lugar ao sol’ que nós ambicionávamos copiar. Lembro-me ainda das referências no meu clube: a liderança e o simbolismo de Carlos Moutinho, de um jovem José Costa a ganhar o seu espaço no basquetebol nacional, das capacidades físicas de Paulo Duarte e das suas jogadas que nós, os mais novos, tentávamos copiar. Lembro-me de estarmos à tarde no pavilhão a ver Jimmy Moore no seu auto-treino: fazíamos de apanha-bolas, a bola entrava no cesto e nós já a devolvíamos para mais um lançamento em suspensão. Víamos a estrela da companhia treinar sozinho, o drible e manejo de bolas com ‘luvas de trabalho’ e tentávamos copiar.

Para quem olham hoje os jovens jogadores? Quem são as referências nacionais? Ou num Mundo cada vez mais global não faz sentido ‘fechar as fronteiras’ e falar de referências nacionais, deixando espaço para as referências europeias que brilham na Euroliga, ACB, Lega A, Pro-A, Superliga Russa, Liga Adriática ou na AI Ethniki, ou ainda para as estrelas milionárias da NBA?


Causa ou efeito?

Setembro 22, 2009

Em mais uma tertúlia em pleno Ramona com outros treinadores amigos, falávamos da diminuição da visibilidade do basquetebol, e também da diminuição de importância em termos de número de praticantes face às restantes modalidades desportivas.

Alguém dizia que o basquetebol, outrora a modalidade desportiva a seguir ao futebol com mais praticantes (não se incluem nesta contagem a columbofilia e o campismo), era agora a 5ª modalidade desportiva com mais atletas em Portugal. Ora, se até aumentou o número de praticantes de basquetebol, a importância relativa desta modalidade tem decrescido ano após ano, ao passo que outros desportos vão continuando a subir.

Ao mesmo tempo, o basquetebol desapareceu da televisão pública. Após a extinção da LCB, não me lembro de um jogo de basquetebol de clubes ter voltado a passar na televisão pública – mas já nesse tempo, a qualidade de quem comentava o jogo dava alguma vontade de mudar de canal. Não há jogos da LPB, não há jogos da Liga Feminina, não há jogos da Proliga, não dão jogos da Taça de Portugal. Nem All-Star Game. Nunca mais se repetiu a experiência de transmitir uma Final4 de Sub20, não dão jogos da Selecção Nacional de Seniores Femininos. Não dá ao domingo o jogo NBA da semana. Deram algumas partidas dos Jogos da Lusofonia, mas mesmo assim alguns foram transmitidos na RTPN (também canal de cabo). De resto, nada…

O basquetebol basicamente desapareceu da televisão pública. Tudo o que é relativo ao desporto de bola ao cesto, passa na SportTv. Não vamos aqui discutir se as transmissões são em número suficiente ou não. Penso até que a SportTv tem ajudado a divulgar o basquetebol, com transmissões de jogos da LPB, Proliga, jornadas Cruzadas, jogos de apuramento para o Eurobasket, chegando até a transmitir a Final do Inter-Selecções Sub16 Masculinos. Sim, foi na SportTv3 e foi de manhã, mas passou na TV.

No entanto, este canal é privado. Além de ser obrigatório ter os canais do Cabo ou satélite, ainda tem de se pagar um extra para se poder ter a SportTv. Ao passo que para se ver a RTP2 só tem de se pagar a televisão e a electricidade.

Na vossa opinião, o desaparecimento do basquetebol da RTP2, e o desaparecimento de comentadores entusiastas desta modalidade são causa ou efeito da descida de lugares do basquetebol no que ao número de praticantes federados diz respeito?


Basquetebol à moda do Porto

Setembro 6, 2009

Por concordar com quase tudo o que é escrito pelo Pata Negra no seu Basquetebol à Moda do Porto, deixo aqui a ligação para os seus textos!


Nós na Europa

Agosto 29, 2009

Portugal

Em alguns sítios na web tem-se verificado a tendência de apontar os resultados das selecções nacionais nos Europeus disputados neste Verão. Penso que é normal em todos os países do Mundo, e especialmente em Portugal, discutir o trabalho dos outros, e especialmente, dos que representam o nosso país. Por vezes, também eu o faço.

Até este Verão, e com excepção do Eurobasket 07 que decorreu em Espanha, nunca tinha acompanhado um Campeonato da Europa dando tanta atenção às classificações, às possibilidades de apuramento desta ou daquela equipa, às contas que muitos fazem para se poderem apurar, ou à diferença na qualidade exibicional das equipas após verem goradas as possibilidades de integrarem uma fase na qual pretendiam entrar.

Pois bem, quando acompanhei o Europeu de Sub16 Masculinos percebi, finalmente, que a distância que separa um 5º lugar de um 13º pode ser uma simples derrota num jogo que correu mal. E que treinador ou jogador nunca teve um jogo desses? Numa competição tão curta, disputada em tão pouco tempo, um momento desses ganha especial importância. Se a tua equipa entra numa dinâmica de vitória e com uma atitude sempre positiva em relação ao jogo, podem conseguir resultados que à partida seriam pouco previsíveis, levando alguns a perguntar ‘Como é que estes gajos, sem saber jogar nada de especial, sem terem nenhum grande jogador, ganham este jogo e estão nesta fase da competição?’. No entanto, o contrário também é verdade, e sair de uma onda de derrotas e negativismo pode não ser nada fácil. E nisso, acho que nós portugueses somos especialistas.

A distância que separou as Sub16 portuguesas de disputar o acesso à Divisão A, do 8º lugar em que terminaram a competição foi um estranho jogo da campeã Holanda frente à Dinamarca: se a Holanda vencesse, Portugal passava às Meias-Finais. Se a Dinamarca ganhasse, Portugal iria disputar um lugar entre o 5º e o 8º classificado. A Dinamarca venceu, fazendo um parcial de 21-9 no quarto período, levando o jogo para prolongamento onde ganhou por dois de diferença. Foi o suficiente para Portugal ficar fora da luta pela subida de Divisão. Nos dois jogos seguintes o desgaste, muito provavelmente tanto físico como mental, não permitiu a Portugal repetir as exibições até então, deixando a jovem selecção feminina no 8º lugar. E isto, depois de ter estado a um pequeno passo das portas do céu…

Sim, os resultados do sector masculino não foram promissores, nem agradáveis. Penso que os jogadores e treinadores que integraram estes projectos são os primeiros a reconhecer isso mesmo. Penso ainda que em alguns escalões talvez fosse possível fazer algo mais, pois os jogadores demonstram qualidade, falhando depois em alguns aspectos do jogo como a agressividade, velocidade, espírito de luta, preparação mental. Mas a culpa é, mera e exclusivamente, de quem está nos CNT’s ou CAR’s? Apesar de ter sido isso que ouvi de diversas pessoas que assistiam aos jogos de Portugal neste Europeu, penso que não, que a culpa não é apenas dos referidos responsáveis. Aliás, parece-me que a grande quota parte de culpa continua a ser de todos os restantes treinadores espalhados pelo país, e também de todos os jovens jogadores que por terem algum sucesso dentro de portas pensam que são muito bons. Mas quando confrontados com a realidade internacional apercebem-se do muito que ainda têm de trabalhar.

Era bom que muitos mais jovens atletas tivessem marcado presença no Europeu de Sub16 disputado em Portugal, e percebessem a diferença que nos separa dos restantes países. Como alguns puderam notar, temos alguns jogadores com capacidade, temos alguns jogadores que conseguem jogar, mas isso não chega. Gostei de ver alguns dos jovens integrados no projecto do CNT Paredes a assistir a quase todos os jogos e a prepararem-se para uma realidade que terão de enfrentar no Verão de 2010. Talvez tenham aprendido algo, e tenham percebido como têm de jogar num Europeu. Talvez alguns deles até tenham percebido aquilo que precisam de melhorar no seu jogo para conseguir atingir um nível satisfatório – e sei que alguns deles o perceberam.

Era bom que tal como os jovens atletas, também os treinadores tivessem olhado para este Europeu como uma forma de aprendizagem para melhorar as nossas lacunas, que por sinal, são mais que muitas. Ao invés, parece-me que viram este Campeonato da Europa como mais uma possibilidade de falar mal e cuspir veneno em todas as direcções. Enquanto viam os jogos, o que perceberam que temos de melhorar no treino? O que perceberam que temos de melhorar para aproximar os nossos jogadores da qualidade que se viu em alguns dos atletas presentes em Portugal?


O que se segue no calendário

Agosto 27, 2009

Qual o quadro competitivo masculino que espera Portugal nos próximos tempos? A renovação da selecção vai fazer-se com a tentativa de entrada no Europeu de 2011 na Lituânia, para o qual se começarão a discutir as qualificações apenas em Setembro de 2010. Até lá, Portugal ver-se-á afastado das duas mais importantes competições, o Eurobasket 2009 da Polónia* e o Mundial 2010 da Turquia**. Ocupamos actualmente o 16º lugar no ranking da FIBA europeu e o 48ºlugar no ranking global da FIBA.

* Que vamos ver literalmente por um canudo…como se pode atestar aqui

** Para o qual está qualificado Mário Palma e a sua Jordânia


À conversa com Jonah Callenbach

Agosto 23, 2009

Jonah Callenbach 03

Durante o Europeu de Sub16 Masculinos tive a oportunidade de falar com Jonah Callenbach, o miúdo luso-holandês que jogava no Estoril Basket e que o ano passado se mudou para Espanha para jogar no Fuenlabrada, e seguir em busca do sonho de jogar na ACB.

Na minha opinião era um dos melhores jogadores da nossa selecção de Sub16, e de todos os atletas com quem falei, Jonah foi sem dúvida um dos que mais maturidade e inteligência demonstrou – talvez por isso acredite que este poderá ser um caso de sucesso no basquetebol português. Por ter alguma curiosidade face ao que o jovem jogador encontrou em Espanha, e por pensar que o testemunho deste jovem poderá ajudar treinadores e jogadores a trabalhar melhor, resolvi falar com ele, e dar a conhecer como tem sido a experiência de Jonah Callenbach em Espanha.

A entrevista foi publicada no Planeta Basket, e quem não teve oportunidade de ler, ficam aqui os links de uma entrevista de duas partes que vale a pena ler.


Crescimento interrompido

Agosto 6, 2009

Quando chega o Verão e acabam os campeonatos nacionais e regionais, a grande maioria dos jogadores entra de férias. Uns descansam, outros aproveitam para participar em campos especializados e melhorar alguns aspectos do seu jogo, outros afastam-se um pouco do basket para entrar na nova época de ‘cabeça limpa’, outros ainda passam horas no pavilhão ou no playground a treinar sozinhos nos seus fundamentos técnicos, ou a participar em jogos de 2×2, 3×3, 4×4 ou 5×5 – o que houver! No entanto, há sempre um restrito grupo de jogadores que durante o Verão participam em estágios, concentrações e representam Portugal defrontando as selecções integradas na Divisão B dos diversos escalões de competição.

É nesta altura que as diferenças para o resto da Europa melhor se percebem. É nesta altura que se pode perceber se em Portugal estamos a trabalhar bem ou mal, melhor ou pior, se nos estamos a afastar do resto da Europa, ou se estamos a subir lugares e a tornar-mo-nos melhor neste desporto que tanto gostamos.

E tem sido evidente a tendência de à medida que os anos avançam e que os jogadores se vão aproximando do escalão de seniores, a distância para os restantes países aumenta, e em alguns casos somos mesmo ultrapassados pelos nossos adversários na progressão individual e colectiva. Nas próximas linhas tentaremos mostrar a nossa opinião sobre este assunto.

Então, quais as razões que ajudaram a criar esta tendência?

Começamos por onde tudo começa na carreira e na época de cada jogador: o treino! Precisamos de aumentar a intensidade, qualidade e dedicação com que treinamos. No treino, os objectivos devem passar por eliminar sempre as nossas lacunas –  melhorar a nossa capacidade técnica todos os dias! Ir para o pavilhão mais cedo e trabalhar os arranques em drible, mudanças de direcção em drible, mecânica de lançamento, e diversos tipos de passe! Os treinadores não podem fazer os seus jogadores crescer em centímetros, mas podem torná-los mais rápidos e explosivos! Depois de apreendidos e aprendidos os gestos técnicos, temos de exigir que os jogadores os executem na máxima velocidade, não ficando satisfeitos com o mediano e com o ganhar jogos do campeonato regional ou nacional!

E no jogo? Conseguimos que as nossas equipas joguem a um ritmo elevado, sempre com grande intensidade defensiva e com constante agressividade ofensiva? Se não utilizamos mais do que 6 atletas por jogo, ou se continuamos a deixar no banco, durante todo o jogo, metade dos jogadores à nossa disposição não podemos imprimir constante velocidade e intensidade no nosso jogo! Temos de ter jogadores preparados – não 5, não 6, não 7! Mas sim 10, 11 ou 12 jogadores! Praticamente em todos os Clinics e Acções de Formação a que tenho assistido esta ideia tem sido regularmente defendida, como a ideal para melhorarmos as nossas prestações dentro e fora de portas. Em quase todas estas acções de aprendizagem muitos são os treinadores que abanam a cabeça e que dizem que sim, que são boas ideias. Quantos têm a capacidade de as utilizar nas suas equipas?

Quantos dos melhores jogadores portugueses do escalão de Sub18 têm minutos de utilização nas equipas seniores dos seus clubes? Quantos dos melhores jogadores portugueses do escalão de Sub20 têm minutos de utilização nas equipas seniores dos seus clubes? São poucas as equipas onde os jovens da formação consigam ter alguns minutos ou alguma contribuição! Vários são os jogadores com qualidade no escalão de Sub18 e Sub20, sem qualquer espaço para crescer nas equipas seniores dos seus clubes. Se não jogarem não desenvolvem, não melhoram! E acredito que pela qualidade que demonstram, se alguns dos nossos melhores jogadores jovens tivessem lugar no plantel sénior dos seus clubes, fariam por merecer algumas oportunidades para entrar em campo e jogar. Certamente não teriam papel de destaque, mas teriam oportunidade de melhorar, de competir contra atletas mais evoluídos, que lhes iriam criar diferentes dificuldades, levando os jovens a perceber as suas limitações e o que teriam de melhorar para poderem merecer maior confiança do seu treinador, e consequentemente merecerem mais minutos! Há clubes que são verdadeiros cemitérios para alguns jovens jogadores! Apostam no recrutamento e prospecção de jovens talentos, mas raramente conseguem apostar nos jovens que formam.

Na sequência do parágrafo anterior, vem o problema que se põe por alguns destes jogadores com mais capacidade competirem em campeonatos onde brilham, e onde a oposição que enfrentam não se apresenta como um desafio para a melhoria das suas capacidades individuais. Por vezes este problema surge da ambição e dos objectivos dos clubes em que actuam – na ânsia de ganhar campeonatos, os directores preferem ter os melhores atletas a jogar no escalão a que pertencem, esquecendo-se que se os jogadores melhorarem, o clube fica a ganhar no médio-longo prazo. Além disso, se os melhores jogadores de cada escalão estiverem a competir no escalão etário seguinte, ou se estiverem a integrar o plantel sénior, abrem-se espaços e oportunidades para que os jogadores que ficam nesse escalão também melhorem já que terão de assumir maiores responsabilidades e maior destaque. Mais uma vez, o clube e os jogadores ficariam a ganhar! Se calhar não em taças, mas sim na qualidade dos seus atletas.

Esta é uma situação bastante complicada de se alterar, e com muitas variáveis a terem de se controlar e transformar para se caminhar na direcção certa e para que a competitividade e qualidade dos nossos jogadores não estanque.