Rui Fonseca, timoneiro dos sub-18 vascaínos que se sagraram campeões nacionais no último fim de semana, marca o regresso das entrevistas ao Seis25. Discurso simples e objectivo, aos 27 anos e com o curso de nível II já feito, o treinador do Vasco aborda a formação e projecta o estado actual do seu clube do coração.
Seis25 - Tens um percurso de vida peculiar, já foste tudo no Vasco da Gama – de jogador a líder de claque, passando por adepto e dirigente – … como é que decidiste ser treinador?
Rui Fonseca – É um facto, já fiz de tudo no Vasco, sendo que continuo a fazer mas agora também acumulando as funções de treinador. Com 15 anos (ainda era atleta na equipa de cadetes), comecei a colaborar no minibasquete a pedido do falecido Manuel Nunes. O entusiasmo foi crescendo e estive 7/8 anos no minibasquete, depois o clube propôs-me outro escalão, os cadetes, onde estive 2 anos (sendo que nunca treinei iniciados). Finalmente tive a oportunidade de treinar os Juniores B (sub-18).
Seis25 - Naturalmente, treinar Juniores B é muito diferente de treinar minibasquete…
RF – Sim, claro. Com o minibasquete fazem-se uns treinos de basquetebol com muita brincadeira pelo meio, que é essencial naquelas idades. Nos Juniores B é preciso outro tipo de postura, é necessário outra mentalidade, uma forma diferente de interagir e falar com os atletas…
Seis25 - Quais são as tuas referências como treinadores de Basquetebol?
RF – Muitas das coisas que aplico e sei, aprendi-as com o Fernando Sá. Fui jogador dele, fomos inclusivamente campeões nacionais em 1999/2000, no último título do Vasco anterior ao que acabámos de conquistar. Deu-me muitas opiniões. O que aprendi como atleta, aquilo que retive das épocas em que joguei, mesmo ao nível dos exercícios de treino, aplico agora como treinador.
Seis25 - Para ti é mais importante o ataque ou a defesa? Passas a maior parte do treino a trabalhar que momento do jogo?
RF – Procuro trabalhar naturalmente ambos os aspectos. Mas sou mais apologista do trabalho de defesa. Acredito que a defender é que se ganham jogos. A nossa equipa é a prova disso, pois este ano tem uma média de pouco mais de 60 pontos sofridos por jogo. A boa defesa acaba por fazer parte também da cultura do Vasco da Gama. Em termos ofensivos é que já não somos tão eficazes, há dias em que os lançamentos não saem tão bem (um exemplo disso foi o 2ºjogo da final four contra o Algés).
Seis25 - Como te procuras relacionar com os teus atletas? É difícil gerir o facto de seres treinador, mas também um amigo?
RF – Eu tento ser treinador e amigo dos meus atletas. Muitas vezes lhes digo que tenho de saber estar no papel deles e estar no meu ao mesmo tempo. Mas quero que eles também saibam fazer o contrário. Durante a hora de trabalho temos de trabalhar. Acabando os treinos ou mesmo antes dos treinos, brinco muito com eles, pois eu também já fui atleta e sei que isso é importante. Por exemplo, o Fernando Sá era para mim como um irmão, um braço direito, mas durante a hora de trabalho éramos diferentes, queríamos trabalhar para os objectivos. Tem de existir disciplina, nós sem ela não teríamos chegado ao título nacional.
Seis25 - Sempre foi um objectivo ser campeão nacional de sub-18? No Vasco trabalha-se para ganhar títulos ou para formar jogadores?
RF – Não se trabalha para ganhar títulos, tanto é que eles aparecem de vez em quando, de 10 em 10 anos. O ano da minha equipa foi sendo projectado patamar por patamar. Primeiro tentámos vencer o distrital e conseguimos, depois chegámos à Fase Final Nacional com muitas dificuldades, e finalmente, uma vez lá, só podíamos jogar para ganhar . No ano passado, com os cadetes também fomos à fase final, sendo que não eram todos os que jogaram este ano pois 4/5 eram de outra geração. Para o próximo ano praticamente toda a equipa jogará novamente no mesmo escalão. Outro aspecto digno de registo é que este ano fomos a única equipa que tinha um cadete de primeiro ano (de 94) no plantel, e ainda por cima a jogar no cinco inicial.
Seis25 - O Vasco este ano não teve seniores, mas teve boas prestações na formação – nomeadamente sub-20, sub-18. É difícil trabalhar na região do Porto?
RF – Em Sub-20 tivemos um ano com algumas dificuldades por causa do número de atletas mas acabámos por fazer uma boa época, indo à fase final distrital e conseguindo um 5ºlugar na zona norte do nacional. Em relação aos escalões mais baixos, cada vez temos mais dificuldades. Aliás os nossos miúdos já não são como os de antigamente, não são assim tantos da Sé ou da Ribeira, deixámos de ser tanto um clube de Bairro como as pessoas dizem. Temos alguns é certo, mas também temos de Rio Tinto, de Valongo, de Gaia…os pais precisam de trazê-los cá, é complicado…No minibasquete estamos com uma média de 26/27, precisávamos de mais, é pouco, enquanto nos iniciados temos uma equipa de 24/25…
Seis25 - Em relação ao teu futuro como treinador tens objectivos de carreira?
RF – Não penso nisso. Para já estou no Vasco, dá-me muito prazer ganhar títulos no Vasco. À partida ficarei com o mesmo grupo, já se falou igualmente nos seniores, mas também não me importo de andar para trás e treinar uma equipa de iniciados pois é preciso pensar no futuro do clube e dos que estão nos escalões mais abaixo. A nova direcção tem tentado levantar o clube e levá-lo para bom porto, tem colaborado muito com os treinadores, tem ouvido os que estão cá há mais tempo como eu e isso agrada-me. Já disse aos meus atletas, “quem me dera daqui a 4/5 anos ver-vos a todos a jogar nos seniores do clube”, isso dar-me-ia prazer.
Seis25 - Achas possível que algum dia os treinadores de basquetebol possam viver somente da sua actividade desportiva?
RF – Não penso que seja possível, até porque os clubes vivem cada vez pior financeiramente. Eu neste momento ganho um ordenado como funcionário do clube – pois faço secretaria, trato de inscrições, etc.. – e ganho outro como treinador. Mas ando cá mais por gosto, pois o que o clube dá é mesmo o que o clube pode dar…[risos] Agora, não duvido é de outra coisa, há muitos clubes piores que o Vasco da Gama neste momento….
Seis25 - Como analisas o estado do Basquetebol Português?
RF – Este ano não acompanhei muitos jogos de Liga e Proliga. Estive mais ocupado a ver jogos de cadetes, jogos dos campeonatos nacionais de Juniores A e B de várias equipas, estive concentrado na formação. Acompanhei apenas um jogo do VtGuimarães…Acho que não faz sentido nenhum o modelo competitivo das jornadas cruzadas, que tem como consequência muitos jogos desequilibrados e um acréscimo nas despesas dos clubes com deslocações e arbitragens
Seis25 - Uma mensagem para os jovens que querem seguir a carreira de treinador de basquetebol..
RF – Penso que é importante percorrer um caminho por etapas, ir aprendendo, apostar na formação (acho que foi muito importante por exemplo no meu caso fazer o Nível II, onde aprendi muito com treinadores como Carlos Gouveia, Carlos Pinto, Gradeço ou o Prof.Barata quer ao nível da minha postura com atletas quer ao nível técnico e táctico). É preciso aprender também a ser um treinador amigo.
Seis25 - Este foi um ano especial para o Vasco, por causa da morte do Sr Nunes, este título é para ele?
RF – Naturalmente, este título é dedicado ao Sr Nunes. Fomos homenageá-lo inclusivamente ao cemitério.
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LeBron James ou Kobe Bryant? Kobe Bryant
Francesinha ou Tripas? Francesinha
Fino ou Imperial? Fino
Ribeira ou Foz? Ribeira
NBA ou ACB? ACB
Jorge Araújo ou Luis Magalhães? Jorge Araújo