Lembram-se dele?

Março 18, 2009

Como referido no post anterior, quando começa o Torneio da NCAA, a loucura de Março traz sempre algumas surpresas e as equipas de menor dimensão costumam derrotar as favoritas. É essa uma das principais lições do desporto, e é essa uma das principais emoções do ‘March Madness’.

Em 2005, logo na primeira ronda, Vermont defrontava os Orange de Syracuse que dois anos antes tinham-se sagrado campeões da NCAA, sob o comando da estrela Carmelo Anthony. E no prolongamento, dois triplos seguidos de Vermont deram a vitória à equipa menos favorita, tornando-se a primeira grande surpresa do Torneio nessa época.

Um dos heróis desse jogo foi TJ Sorrentine, com um triplo de longa, longa distância! Idolatrado em Vermont, ficou para a história com aquele longo e decisivo lançamento. Lembram-se dele? Foi um dos bases do Porto Ferpinta no ano de 2007, tendo conduzido a equipa até à Final da Liga UZO.

Ainda jogou na Eslovénia onde se lesionou. Aos 26 anos voltou aos Estados Unidos, e é agora treinador ajdunto na Universidade de Brown.


Ovar em festa

Maio 25, 2008

Pelo terceiro ano consecutivo a Ovarense Aerosoles é campeã nacional de basquetebol! 

Ovar

No último ano de Liga Profissional, a Final dos Playoff foi disputada entre as equipas que dominaram o basquetebol nacional nos últimos anos: Ovarense Aerosoles e Porto Ferpinta. Mais uma vez a decisão final só chegou na ‘negra’ e esse foi um dos poucos pontos positivos da época profissional.

No último jogo viu-se uma casa a abarrotar, jogo transmitido na televisão pública nacional e apoio vibrante e incondicional vindo das bancadas, com os adeptos vareiros a darem um grande espectáculo! Pena que isto só aconteça na altura das decisões finais das temporadas…Compreende-se que com o constante aumento do custo de vida, pagar 10€ para ver um jogo de basquetebol em Portugal pode não ser muito estimulante e cativante, mas…..

Quanto ao jogo em si, pouco há a dizer já que a Ovarense Aerosoles dominou desde início! A pressão defensiva imposta pelos homens de Ovar condicionou e muito as principais armas do Porto Ferpinta, nomeadamente os seus dois extremos Nuno Marçal (7 pontos, 2 em 15 de lançamentos de campo, e 3 perdas de bola) e Paulo Cunha (1 ponto marcado, apenas 3 lançamentos de campo realizados e ainda 4 perdas de bola). Outra das vantagens da equipa orientada por Manolo Povea foi a pressão que impuseram sobre os bases adversários: enquanto que João Figueiredo jogou durante 35 minutos, os bases vareiros – Cordell Henry, Nuno Manarte e João Abreu – dividiram entre si os 40 minutos de jogo! Isto possibilitou uma maior frescura aos pensadores de jogo da Ovarense Aerosoles, e também uma maior pressão defensiva sobre João Figueiredo. Ofensivamente, o trio norte-americano John Waller, Greg Stempin e Graham Brown foram os mais produtivos no jogo do título.

No final a festa foi para os de Ovar com direito a invasão de campo e festa com os jogadores! Nas comemorações, palavra para o bom comportamento dos jogadores portistas, evitando cenas já vistas noutras ocasiões entre estas equipas! O fair-play evidenciado só ajudou à festa, e só assim faz sentido estar-se no desporto!


À sétima é de vez

Maio 24, 2008

Decide-se hoje quem será o vencedor da última edição da Liga Profissional de Basquetebol em Portugal: de um lado Porto Ferpinta – vice-campeão na última temporada e vencedor da Taça da Liga 2008 – do outro Ovarense Aerosoles – bi-campeã nacional. Tal como na época passada, estas duas equipas voltam a defrontar-se numa Final disputada à melhor de 7 jogos. Tal como na época passada, tudo se irá decidir no último jogo. Tal como no época passada, o último jogo será em Ovar.

OvarenseDe tantos confrontos que já tiveram este ano, de tantas horas de vídeo e estudo do adversário talvez as equipas conheçam melhor o seu adversário do que a si próprias. Os movimentos ofensivos e defensivos, as alternâncias defensivas, as características individuais de cada jogador, tudo isso está estudado e os treinadores trataram de passar a informação para os seus jogadores. 

PortoA Arena  Dolce Vita em Ovar vai estar cheia, os melhores intervenientes da Liga UZO vão estar presentes, e a emoção certamente não quererá estar ausente! Pelas 19 horas já se saberá quem o vencedor desta derradeira edição da Liga UZO! Que ganhe o basquetebol nacional!

P.S. – Quem também vai marcar presença em Ovar será a RTP! Por onde andou o serviço público nesta Final? A promoção do basquetebol continua a caminhar pelas ruas da amargura…


Liga UZO – a Final esperada

Maio 12, 2008

A Liga UZO entrou este fim-de-semana na sua fase decisiva: a Final dos Playoff. E como esperado, Porto Ferpinta e Ovarense Aerosoles repetem a presença do ano anterior e disputam aquele que será a última edição desta competição.

Finalmente, os pavilhões enchem-se para ver jogos da Liga Profissional, e os participantes correspondem às expectativas com dois jogos muito equilibrados em que as decisões chegaram nos últimos segundos, deixando, para já, cada equipa com uma vitória. E neste particular o Porto Ferpinta ganha alguma vantagem uma vez que conseguiu vencer em casa do seu rival.

StempinCabe agora à Ovarense Aerosoles ir a Matosinhos vencer, pelo menos, um jogo para anular a vantagem conquistada pela equipa de Alberto Babo. E se Greg Stempin conseguir manter o nível a que esteve no Jogo 2, é possível que isso aconteça. Também Graham Brown merece destaque pela positiva, pela consistência que tem tido nestes Playoff, mas não pode repetir a exibição do primeiro jogo da Final, pois é ele um dos grandes pilares da equipa de Manuel Povea. O treinador espanhol espera ainda pela recuperação total do base Cordell Henry, ele que foi um dos principais responsáveis pela conquista do último campeonato. O base norte-americano já actuou a titular no último jogo, mas ainda não está a 100%.

MarçalEm Matosinhos, espera-se casa cheia para ajudar o Porto Ferpinta a conquistar o que não conseguiu na época anterior: o título de campeão nacional! Nuno Marçal tem estado em grande forma na fase decisiva da época e tem sido as principal figura da equipa do Porto nestes Playoff, bem complementado pela dupla nacional João Figueiredo e Paulo Cunha, e ainda pelo possante Fred Gentry. O Porto Ferpinta, mais limitado em termos de valores individuais, sente algumas dificuldades quando recorre ao seu oitavo jogador. Talvez por isso o cansaço se venha a revelar inimigo dos dragões, e Alberto Babo tenha alguma ‘pressa’ em resolver o assunto.

A Final segue agora para Matosinhos, onde se irão disputar os próximos dois jogos. O primeiro será na próxima quinta-feira dia 15, pelas 21h. Há a garantia de que as equipas terão de se voltar a defrontar em Ovar, pelo menos mais uma vez.


Quem passa das meias?

Abril 24, 2008

Confirmaram-se as nossas suspeitas! Ovarense Aerosoles e Porto Ferpinta avançaram rapidamente para as Meias-Finais dos Playoff, enquanto que Vagos Lusavouga Dewalt e Casino Figueira Ginásio tiveram de recorrer à negra para se apurarem para a fase seguinte. E a fase seguinte começa já esta quinta-feira dia 24, quando na Arena Dolce Vita se iniciar o jogo entre a equipa vareira e a figueirense, numa reedição da Final de 2005/06.

Ovarense Aerosoles vs Casino Figueira Ginásio

Nuno Manarte

Pela qualidade do seu plantel, os de Ovar são claramente favoritos! Ainda por cima beneficiam do facto de terem sido a única equipa a vencer a sua série sem derrotas e do cansaço acumulado da equipa da Figueira da Foz – numa semana o Casino Figueira Ginásio disputou mais dois jogos que os seus adversários das Meias-Finais. O Ginásio, que teve num desfalcado CAB Madeira um forte opositor, prepara-se para defrontar o Campeão Nacional e espera-se que partam para este jogo com uma atitude bem diferente daquela que tiveram nas Meias-Finais da Taça de Portugal. A Ovarense deverá confirmar o seu favoritismo, e aproveitar o bom momento de forma de alguns dos seus jogadores para avançar para a Final da competição! Se assim acontecer será a quarta época consecutiva que os de Ovar disputam a Final da Liga.

3-0 para Ovarense JC || 3-1 para Ovarense MT

 

Porto Ferpinta vs Vagos Lusavouga Dewalt

Paulo Cunha

O Porto Ferpinta sentiu algumas dificuldades perante o seu adversário dos Quartos-Final, o Belenenses Hyundai Lusifor já que nos quatro jogos que teve de realizar, apenas no último conseguiu vencer por uma vantagem considerável: diferencial de 23 pontos. Nos restantes três jogos venceu o primeiro por 3, perdeu o segundo por 6 e ganhou o terceiro por 1 ponto de diferença. O Vagos Lusavouga Dewalt chega a esta fase após ter vencido em 5 jogos a equipa do Lusitânia Angra Património Mundial, beneficiando do factor casa para derrotar a formação da Ilha Terceira e assim avançar para as Meias-Finais da competição. É de realçar o facto de no seu ano de estreia a equipa de Vagos atingir as Meias-Finais dos Playoff. No entanto, o trajecto desta equipa deve ficar-se por aqui já que se a lógica imperar, o Porto Ferpinta sairá vencedor deste embate e avançará para a Final da Liga UZO.

3-1 para Porto JC || 3-1 para Porto MT


Com papas e bolos…

Abril 17, 2008

«Fustigada pela grave crise económica que afecta o país [...] a Liga de Clubes deixou de ter condições para prosseguir na rota do profissionalismo, da qual foi pioneira em Portugal. Foram 13 temporadas a remar contra a maré, num país que continua a preferir o imobilismo e a inércia e que se habituou a viver sob o tecto do Estado Providência. Os principais responsáveis por este marasmo são os próprios clubes, que não souberam criar as condições necessárias para que a competição profissional vingasse, cometendo vários atropelos aos regulamentos e agindo, por vezes, de forma perfeitamente irresponsável, não cumprindo os compromissos assumidos com os principais agentes do espectáculo: jogadores e treinadores.»

Luis Silva, jornalista de ABOLA, numa notícia de hoje

Para esta assertividade jornalistica, ficava melhor pedir uma coluna de opinião ao director do jornal e dissertar à vontade. Como se costuma dizer, com papas e bolos……


Modelos de Playoffs

Abril 16, 2008

Numa altura em que as decisões dos vários campeonatos se aproximam, com a chegada dos playoff, reveste-se de toda a utilidade o debate em torno do melhor modelo para esta fase competitiva.

Há modelos para todos os gostos.

Na Liga Uzo, os quartos de final são disputados à melhor de 5, assim como as meias-finais. Já em relação à final ela é disputada à melhor de 7 partidas. Há jogos durante a semana e não somente ao fim de semana. Na Proliga, o modelo escolhido é diferente. Os quartos de final são disputados à melhor de 3 encontros, enquanto meias finais e final são jogados à melhor de 5 disputas. Um outro aspecto prende-se com o facto de os encontros dos quartos de final serem calendarizados de forma suis generis, com a equipa menos bem classificada a jogar primeiro no seu pavilhão e depois a disputar os outros dois (se necessário) no pavilhão da equipa melhor classificada. As partidas de playoff da Proliga são preferencialmente disputadas ao fim de semana. Na Liga Feminina, os quartos de final são disputados como na Liga Uzo, à melhor de 5, e primeiro em casa dos melhores classificados. A fase seguinte é disputada sob a forma de Final Four. Na Euroliga a Final Four é também a solução defendida para a fase em que só sobram 4 equipas. Mas os quartos de final são disputados à melhor de 2 encontros. Finalmente a NBA. Do principio ao fim, o modelo é o mesmo: eliminatórias disputadas à melhor de 7 partidas, com os dois primeiros jogos e a negra em casa do melhor classificado.

Playoffs

Em todos os modelos há aspectos positivos. Mas é mais fácil realçar os negativos. Por exemplo, a ideia de disputar (como acontece na Proliga) o primeiro jogo em casa do pior classificado não lembra nem ao Diabo, como se diz em português corrente. Aumenta a pressão para a melhor equipa, não beneficia quem esteve melhor na fase regular, e nem o facto de a negra se disputar no pavilhão do favorito dilui o disparate.

As fases finais de competição em Final Four são emotivas mas não tanto como as eliminatórias disputadas à melhor de 5 ou 7 encontros. Há sempre margem de manobra para quem erra, e se erra demasiadas vezes é porque é realmente inferior. Esse modelo defende o espéctaculo e defende as melhores equipas. Não é à toa que é o modelo mais actualizado. A experiência com uma final à melhor de 7 encontros tem bom currículo em Portugal. O ano passado, na Liga Uzo, Ovarense Aerosoles e Porto Ferpinta deram um autêntico espectaculo e contribuiram positivamente para a modalidade.

Para vocês, qual é o melhor modelo?


As decisões aproximam-se

Abril 12, 2008

Começam hoje os Playoff da Liga UZO!

Liga UZO

Numa semana marcada pelas emoções provocadas pela ‘Conquista de Guimarães’, e em que tanto se falou da remodelação, término ou continuidade da Liga Profissional, as equipas desta competição iniciam hoje um dos momentos mais importantes da época, os Playoff!

Uma vez que o campeonato foi disputado por apenas 8 equipas, nenhuma delas fica fora da luta dos Playoff, e desde o início que se anda a jogar sabendo disso mesmo, factor que tirou alguma emotividade a esta competição. Ao mesmo tempo que diminuiu o número de equipas participantes, também a qualidade dos atletas intervenientes diminuiu consideravelmente, o que possivelmente poderá ter sido mais um dos factores de afastamento do público relativamente aos pavilhões onde se joga basket profissional em Portugal.

Em relação às equipas em prova, Ovarense Aerosoles e Porto Ferpinta continuam a ser os principais candidatos à conquista do título, e nem os recentes deslizes e exibições menos conseguidas quer na Taça de Portugal quer na jornada disputada a meio da semana tiram o favoritismo a estas duas equipas. As restantes 6 equipas estão uns furos abaixo dos dois principais candidatos, mas se ‘vareiros’ e ‘dragões’ continuarem a exibir-se como nos últimos jogos tudo pode acontecer! E caso um destes clubes não chegue à Final do campeonato, lá se vão as esperanças de ver jogos com pavilhões cheios…

 

Ovarense Aerosoles vs F.C. Barreirense

StempinPrimeiro contra último! Ovarense Aerosoles é clara favorita, tem mais e melhores soluções e dos três jogos disputados este ano entre as duas formações, contam-se três vitórias para os de Ovar (107-84; 91-78; 77-65). Os do Barreiro este ano baseiam mais o seu jogo na utilidade dos norte-americanos, e não tanto no contributo dos seus jovens jogadores, como acontecia em épocas recente. Esta eliminatória poderá ser uma boa oportunidade para a equipa orientada por Manuel Povea recuperar a confiança e fluidez no seu jogo. No entanto, se os jogos forem equilibrados e a ‘tremideira’ da Ovarense continuar, os problemas poderão agravar-se…

 

Porto Ferpinta vs Belenenses Hyundai Lusifor

Cunha

Também nesta eliminatória o favoritismo vai para a equipa melhor classificada: Porto Ferpinta! O momento da equipa portista assemelha-se ao vivido pelos seus rivais de Ovar: derrotados na Taça por uma equipa de um escalão inferior e vencidos a meio da semana no seu pavilhão! No entanto, a equipa orientada por Alberto Babo continua a ser uma das duas favoritas ao título e tentarão aproveitar o factor casa para encostar o Belenenses Hyundai Lusifor às cordas, já que nos jogos da Fase Regular a equipa portista perdeu na deslocação a Lisboa (89-87). Nos outros dois jogos acabou por ganhar (95-80; 90-84) e confirmar o seu favoritismo, mas os de Belém já mostraram que se adaptam bem ao Porto Ferpinta, e tentarão aproveitar o momento menos bom dos ‘dragões’.

 

Vagos Lusavouga Dewalt vs Lusitânia Angra Património Mundial

LevettProvavelmente será o confronto mais equilibrado destes Quartos-Final. Duas equipas semelhantes compostas por jogadores experientes, mas que nem assim se livram de ser bastante inconstantes: tanto ganham e equilibram jogos com as equipas mais fortes, como perdem com as equipas piores classificadas! O Vagos Lusavouga Dewalt na sua primeira participação reuniu um conjunto interessante de jogadores, enquanto que o Lusitânia Angra Património Mundial teve vários problemas para conseguir formar e manter plantel: António Pires e Francisco Rodrigues (este até se mudou para Vagos) poderiam assumir importante papel na equipa açoriana, mas saíram da ilha Terceira com o campeonato a decorrer. Dos confrontos entre as equipas o balanço é mais animador para os de Vagos - 2 vitórias e 1 derrota - mas sempre pautado pelo equilíbrio (67-56; 71-76; 86-85). O factor casa poderá decidir esta eliminatória, e aí o Vagos tem vantagem!

 

Casino Figueira Ginásio vs CAB Madeira

Reveles

O CAB Madeira perdeu na última jornada a vantagem do factor casa e isso pode ser algo a ter em conta, já que também aqui se prevê um confronto equilibrado: o Casino Figueira Ginásio tanto mostra alguma qualidade no seu jogo, como aparece em campo completamente apático e mostra-se sem soluções para contrariar os adversários. O CAB Madeira nunca vira a cara à luta e para isso muito contribuem Mário Jorge, João Manuel e Francisco Fernandes, bem como o treinador João Freitas. No entanto, os problemas recentes com os seus jogadores estrangeiros poderão limitar a equipa madeirense nesta eliminatória, pelo que se o Casino Figueira Ginásio conseguir manter uma atitude mais positiva face ao jogo, não relaxando, poderá avançar para as meias-finais. Caso contrário, a época poderá terminar para os da Figueira! Nos jogos disputados este ano o Casino Figueira Ginásio tem saldo positivo: duas vitórias e uma derrota (81-74; 83-78; 82-89).


Ecos de Vitória

Abril 7, 2008

Piti Hurtado escreveu no seu PizaRisas um texto sobre a Taça de Portugal. Pelo conteúdo do texto parece ser interessante partilhar a sua opinião sobre os acontecimentos do passado fim-de-semana.

Para ler clique aqui.


Questões linguísticas

Abril 6, 2008

Não é suposto que, hoje em dia, o treinador de uma equipa profissional fale inglês fluente de modo a que os seus quatro jogadores estrangeiros o entendam e não cometam erros ridículos?

A restante análise ao fim-de-semana da ‘Final a 8′ da Taça de Portugal estará brevemente disponível aqui no Seis25.


O líder dos guerreiros

Março 24, 2008

Belem

Por vezes lembro-me de José Couto: foi adjunto de Magalhães na Portugal Telecom, fez um excelente trabalho no Belenenses – reuniu um interessante conjunto de jogadores (Luís Costa, Jorge Coelho, Nuno Perdigão, Paulo Simão, Miguel Minhava e Mário Jorge), alguns deles, pouco utilizados nos anteriores clubes e conseguiu construir uma equipa que jogava um basket agradável de se ver, com uma atitude excelente durante os 40 minutos e com um grande espírito de grupo.

Por isso fica a pergunta: porque não está José Couto a treinar uma equipa de topo? Falta de vontade pessoal, falta de motivação ou simplesmente não surgiram convites? Tendo em conta a qualidade do trabalho que deixou em Belém, seria muito estranho se nenhum clube da Liga UZO ou mesmo da Proliga o tivesse convidado…


Basket Global

Março 6, 2008

ADO

Qual o limite de jogadores estrangeiros em cada equipa da Liga UZO e da Liga Feminina? As opiniões dividem-se e assim continuará a ser, não só em Portugal como em qualquer outro país. No nosso país o número permitido tem variado nos últimos anos: três, quatro, cinco, seis, cinco, quatro. Isto na competição masculina, já que na feminina, continuamos a poder ver apenas duas jogadoras estrangeiras por equipa.

Muitos defendem que um reduzido número de atletas estrangeiros daria maiores oportunidades aos jogadores nacionais. Sim, isso é evidente. Mas, dessa forma o nível médio das nossas principais competições não seria ainda mais fraco? Imaginemos uma Liga que permitisse apenas 3 estrangeiros por equipa: isto significaria que muitos dos jogadores que agora têm pouco tempo de jogo passariam a jogar muitos minutos. Ora, se agora estão no banco, é porque estão lá outros jogadores com mais qualidade. Ao retirarmos a possibilidade de captar esses jogadores de maior qualidade, não significa que estamos a baixar o nível da Liga?

Will Mcdonald

Além disso, isto apenas levaria os clubes a dar início a uma série de processos de naturalização - como acontece em Espanha e tanta polémica tem provocado - para continuarem a contar com jogadores estrangeiros. E em Portugal muitos são os casos de naturalização: de Mike Plowden a Ian Stanback, passando por Kevin Van Veldhuizen, Matt Nover ou David Vik. Nestes casos, não foram só os clubes a beneficiar mas também a selecção nacional (pois…à excepção de Mike Plowden não sei se os outros ajudaram muito), já que passavam a ter um jogador interior com maior poderio físico.

Pessoalmente, não concordo com o “temos de dar oportunidades aos jogadores portugueses porque são portugueses”, ou com o “tem de jogar porque é português”. Não! Tem de jogar se for melhor que os que lá estão e integram a equipa! Não acredito que na hora de escolher os jogadores para o jogo do fim-de-semana os treinadores olhem para o Bilhete de Identidade ou Passaporte dos jogadores. Acredito que joguem porque merecem e fizeram por merecer durante a semana de trabalho. Aliás neste espaço destinado a falar de basquetebol, já foi publicada a entrevista feita a um treinador – André Martins – que revela isso mesmo, neste caso em relação aos jovens jogadores que integram a equipa do Queluz “eles jogam se merecerem e se mostrarem que têm qualidade, não é por serem jovens ou por serem da formação do Queluz.” E uma vez que neste tipo de competições o que mais interessa é o rendimento da equipa e os resultados obtidos, acredito que têm de ser os atletas a demonstrar que merecem jogar e que são melhores que os outros, e não se devem dar oportunidades só por dar, esperando que os jogadores atinjam níveis mais elevados de qualidade de jogo.

Paulo Cunha

Sou ainda da opinião que um jogador desenvolve as suas capacidades se treinar todos os dias com jogadores melhores que ele, ou que lhe coloquem dificuldades que o obriguem a melhorar. E é também dessa forma que os jogadores estrangeiros ajudam os portugueses: provocando-lhes dificuldades, obrigando-os a melhorar para suprimir as dificuldades que têm em alguns aspectos do jogo. E superando essas dificuldades, estarão mais aptos para competir com jogadores de melhor qualidade.

Não compreendo alguns jogadores nacionais queixarem-se da falta de oportunidades. Como já foi referido, numa competição em que o mais importante são os resultados e o rendimento colectivo, se um jogador joga menos tempo que os seus colegas, é porque não dá garantias ao treinador de acrescentar qualidade à equipa. E se é este o caso, porque será que os jogadores preferem culpar os treinadores que não os põem em campo em vez de criticarem a sua própria capacidade de trabalho, entrega e espírito de sacrifício? Alguém acredita que os jogadores portugueses trabalham tanto como os eslovenos, espanhóis ou franceses? Alguém acredita que os nossos jovens treinam com tanta intensidade, qualidade e regularidade como os russos, gregos ou italianos?

Betinho

E hoje em dia, os jovens portugueses já não se podem refugiar na desculpa do “Para que vou eu dar o máximo todos os dias, se o basquetebol profissional em Portugal não compensa?”. Na era da globalização e da livre circulação de pessoas – sobretudo no continente europeu – os jogadores não se devem limitar a jogar em Portugal. A possibilidade de ir para fora e procurar melhores condições de trabalho deveria ser cada vez mais uma realidade para todos os que aspiram a ‘ganhar a vida’ a jogar basquetebol.  

O assunto nunca gerará consenso entre todos, e certamente continuará a ser falado sempre que se debater a qualidade das competições desportivas, mas sou da opinião que reduzir o número de jogadores estrangeiros irá reduzir a qualidade da competição em causa. 


Promoção à moda do Porto

Março 1, 2008

Quando se fala dos problemas que o basquetebol nacional atravessa, um dos temas mais referidos pela grande maioria prende-se com a Promoção do Basquetebol. Ou melhor, com a falta de Promoção do Basquetebol.

É um facto incontornável e que já aqui foi referido por diversas vezes. É um facto que as estratégias de marketing escolhidas não têm atingido o objectivo de melhorar a imagem do basquetebol e de fazer chegar este desporto a uma parte da população que se calhar ainda o desconhece.

FCP

No entanto, há sempre excepções que merecem ser elogiadas, e neste caso os elogios recaem no departamento de basquetebol do Futebol Clube do Porto. Fazendo uma breve pesquisa pelo arquivo de notícias do site da LCB, facilmente se conclui que os responsáveis directivos do Porto Ferpinta têm tentado contrariar a tendência nacional do “falar em vez de fazer”. Através dessa breve pesquisa, é possível encontrar no site da LCB a referência a 15 campanhas de promoção realizadas pelas equipas da Liga UZO – maioritariamente, visitas a escolas, hospitais e prisões. Dessas 15 acções de promoção, 9 foram realizadas pela equipa do Porto Ferpinta (60%), 4 pela equipa do CAB Madeira (26%), 1 pela equipa do Belenenses Hyundai Lusifor (7%) e outra pelo Casino Figueira Ginásio (7%).

Daqui que se conclui que ou há equipas que não utilizam a internet (site da LCB e site dos clubes) como ferramenta de comunicação, ou então simplesmente não levam a cabo acções que visam promover tanto a modalidade como as equipas e os seus jogadores.

Talvez beneficiando da estrutura profissional e da organização existente no Futebol Clube do Porto, a secção de basquetebol do mesmo tem tido um papel fundamental na promoção do basket pelo Grande Porto. E esse facto deve ser reconhecido por todos, e é digno de uma instituição que tenta promover o desporto para toda a comunidade. O FCPorto e o basquetebol só têm a ganhar com isto mesmo.

Era bom que outros seguissem este exemplo…


A falar nos entendemos

Fevereiro 26, 2008

Que o basquetebol nacional passa por momentos conturbados, todos sabemos. Que a actual Liga de Profissional tem pouco, também todos sabemos. Que o actual sistema competitivo não é o ideal, também qualquer um percebe. No entanto, há que reconhecer mérito a quem tenta mudar algo que seja, no sentido de melhorar o que está mal.

Portugal

E se já fomos bastante críticos com Paulo Mamede e a sua direcção quando apresentaram uma proposta ridícula à Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), cabe-nos agora elogiar a actual direcção da Liga de Clube de Basquetebol (LCB) e o seu máximo dirigente já que têm tentado ouvir aquilo que os principais intervenientes têm a dizer sobre o panorama do basquetebol em Portugal, e qual o contributo que poderão dar para melhorar o mesmo: primeiro foi a vez de ouvir os jogadores, pela voz de Alexandre Pires, o presidente da Associação de Jogadores de Basquetebol (AJB). Neste fim-de-semana de jornada concentrada em Cantanhede foi a vez da LCB se reunir com a Associação Nacional de Juízes de Basquetebol (ANJB), tendo os presidentes de ambas organizações debatido o estado do basquetebol em nacional e o que se poderá fazer para melhorar no futuro.

Esta estratégia de Paulo Mamede e restante direcção da LCB é de louvar, já que procuram saber qual a opinião dos principais intervenientes do jogo, aqueles que durante a semana trabalham para melhorar e que tentam oferecer bons espectáculos aos poucos que se dirigem aos pavilhões ao fim-de-semana.

Resta à direcção da LCB continuar com esta estratégia já que todos somos poucos para ajudar a melhorar o que vai mal. No entanto, falta aos dirigentes da Liga de Clubes dialogarem com os dirigentes da FPB e com os clubes que competem nos campeonatos organizados pela Federação. Essas sim serão reuniões essenciais, porque isto não vai lá com propostas de acordo que apenas satisfazem uma das partes envolvidas.


Propostas indecentes…

Fevereiro 17, 2008

LCB

Ao passar os olhos no site da LCB encontra-se uma notícia sobre uma, interessante, proposta de acordo sugerida pela LCB à FPB. Ora, segundo essa proposta de acordo “no final da presente época (2007/08), os oito clubes do Campeonato da Liga e as equipas classificadas nos 1º e 2º lugares da competição não profissional imediatamente inferior devem exercer o seu direito desportivo, candidatando-se à participação nas competições profissionais da época desportiva seguinte.”

Acrescenta-se ainda que “a partir da próxima temporada (2008/09 e seguintes), a mesma obrigação de exercer o direito desportivo seja válida para as dez formações do Campeonato da Liga e para os dois emblemas finalistas da competição não profissional imediatamente inferior.” Assim, parece que o objectivo da LCB será ter em competição na época 2014/2015 nada mais nada menos que 22 equipas. Já que nenhuma pode ‘descer de divisão’ e as finalistas da competição imediatamente inferior têm o ‘direito obrigatório’ de se inscreverem na LCB…Ou nas contas dos responsáveis da Liga já entram os projectos que terão de ficar pelo caminho dado não terem condições de suportar o profissionalismo?

E o que acontecerá a quem não pretender exercer esse seu direito? Segundo a proposta “a não candidatura aos Campeonatos da Liga pelos clubes titulares do direito desportivo equivale à desistência de qualquer competição desportiva desenvolvida no âmbito da Federação Portuguesa de Basquetebol, com a consequente despromoção ao escalão competitivo mais baixo existente na modalidade.”

FPBPortanto, o que agora é um direito, pretende-se que passe a ser um dever. E a consequência para quem não exercer esse ‘direito’ será a despromoção automática à última divisão do basquetebol nacional. É possível obrigar-se um clube que não tenha uma estrutura profissional, que não tenha apoios adequados para se aventurar no profissionalismo a seguir este caminho? Dão-se dois meses e meio aos dirigentes (não profissionais) para montarem toda uma estrutura profissional sustentável que perdure mais do que dois anos? É isto adequado à realidade que se vive em Portugal?

Não vamos sequer trazer para este texto os casos extintos de Aveiro Basket, Leiria Basket e Santarém Basket. Referimos antes o exemplo do Basket de Almada, um dos finalistas do II Campeonato da Proliga, que apresentava um plantel interessante em termos de qualidade, mas que por não ter um projecto sustentado vive agora na CNB1, não aguentando as exigências crescentes da Proliga.

E serve este exemplo para quê? Para referir que se isto aconteceu num campeonato sem exigências financeiras consideráveis, num campeonato não profissional, onde não existem salários mínimos, o que será das equipas que se vejam obrigadas a participar no Campeonato da LCB? Duram um ano? Dois? Põem em causa toda a existência de um clube? Pois…Isto de obrigar alguém a aventurar-se em algo para o qual não está preparado tem muito que se lhe diga…

Na cidade-berço mora um clube que parece caminhar de forma segura, dando pequenos passos até chegar a um nível que lhe permita abraçar outros voos. No entanto, no passado Verão muito se falou sobre as tentativas de ’sedução’ por parte da LCB para que o clube vimaranense integrasse os quadros da Liga Profissional. Muito bem fez o Vitória em permanecer na Proliga, crescendo progressivamente, conquistando adeptos, levando mais gente para o basquetebol e demonstrando que está no basquetebol de uma forma responsável e não pretende colocar a carroça à frente dos bois. Esta atitude ponderada deixará de ser possível caso a proposta da LCB seja aceite.

E o que acontecerá caso um clube da Proliga que não esteja minimamente interessado em assumir o profissionalismo se qualifique para as Meias-Finais da competição em que participa? Irá perder propositadamente? Ou joga para ganhar como sempre, e depois tentará safar-se mês após mês de ter uma corda a apertar a garganta? É engraçado imaginar um jogo entre duas equipas nas Meias-Finais que não queiram de modo algum enveredar pelo profissionalismo!

Não podemos no entanto tirar o mérito a esta direcção da LCB já que tem tentado várias abordagens para aumentar o número de equipas inscritas na sua competição: primeiro reduzem as exigências orçamentais, depois tentam transformar um direito num dever! A primeira parece adequada e acertada, a segunda……enfim! 

Para finalizar fica uma curta definição de ‘Direito’ retirada da Nova Enciclopédia Larousse, e que vai um bocadinho contra aquilo que a LCB pretende pôr em prática: Direito – s. masc; Faculdade de realizar ou não algo, de exigir algo de outrem, em virtude de regras reconhecidas, individuais ou colectivas; poder, autorização.