Feliz Ano Novo

Dezembro 31, 2007

A todos os que têm acompanhado o seis25 nestes primeiros meses de existência desejamos um Feliz 2008!

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As escolhas do treinador (II)

Dezembro 31, 2007

Nos jogos da NBA que têm sido transmitidos pela Sport Tv, tenho ouvido o comentador Luís Avelãs questionar-se do porquê de alguns jogadores influentes de determinadas equipas começarem os jogos no banco e não no 5 inicial. Mais precisamente costuma referir-se a três jogadores: Jason Terry dos Dallas Mavericks, ‘Manu’ Ginobili dos S.A. Spurs e Ben Gordon dos Chicago Bulls. 

Uma vez que considero uma estratégia interessante do ponto de vista da rotação e utilização de jogadores, nas próximas linhas tentarei enunciar algumas razões que poderão levar os treinadores das referidas equipas a terem essas opções. O texto terá como base de análise a equipa dos Bulls e a decisão de Chris Duhon começar de início e Ben Gordon começar no banco, já que me parece ser uma decisão que encaixa bem no conjunto de Chicago.

Um jogo da NBA tem a duração de 48 minutos. Tendo em conta o valor das equipas em prova, nenhum jogo é decidido nos primeiros 6, 7, 8, 9, ou 12 minutos. Aliás, raros são os jogos que chegam aos últimos 12 minutos já decididos. Por isso, facilmente se percebe que não é absolutamente necessário que os jogadores estejam em campo nesses momentos iniciais.

Duhon

O sistema de rotação de jogadores adoptado pela grande maioria dos treinadores da NBA faz com que no final do 1º período e até metade do 2º período esteja em campo aquela que alguns denominam “segunda linha” das equipas. Ao optar por colocar de início Chris Duhon em detrimento de Ben Gordon, o treinador Jim Boylan ganha um base que, finalmente, organize o jogo ofensivo da equipa sem no entanto perder ofensividade, já que Hinrich e Deng são excelentes concretizadores de pontos. Sobram ainda Smith e o próprio Duhon que até sabe aproveitar situações de lançamento criadas pelo movimento ofensivo da equipa. O outro jogador, Ben Wallace, não entra nestas contas. Quando começa a rodar a equipa, e salvo algum problema de faltas, Ben Gordon é o primeiro jogador a ser chamado por Boylan. Depois vêm Nocioni, Thomas e Noah. Ou seja, entram dois bons marcadores de pontos – Nocioni e Gordon – que normalmente se juntam a Hinrich, continuando assim a contar com um tridente ofensivo de grande capacidade. Se fosse Duhon em vez de Gordon a integrar este quinteto, a capacidade anotadora diminuía drasticamente. Conclusão: Boylan mantém o equilíbrio colectivo quando roda a equipa, não perdendo capacidade de marcar pontos quando recorre ao banco.

Ben Gordon

Ben Gordon é um desiquilibrador nato. Um jogador capaz de mudar o rumo de um jogo com as suas acções. Supondo que Gordon começa o jogo de início e que a equipa de Chicago entra mal no jogo, Boylan vê-se obrigado a ir ao banco buscar a solução para os seus problemas: alguém que mude o rumo do jogo. Será Chris Duhon o jogador indicado para essa tarefa? Parece-me que Ben Gordon mudaria muito mais rapidamente a história de um jogo do que Duhon. Pela positiva e pela negativa…

Por fim, o objectivo do treinador é ter em campo a melhor equipa. E nem sempre a melhor equipa é formada pelos melhores jogadores!

Este texto reflecte apenas uma opinião pessoal, certamente que muitos não se revêem nestas palavras, mas também é por estas divergências de opinião que passa a beleza do desporto em geral e do basquetebol em particular.


Nicolas Batum – como se diz talento em francês?

Dezembro 30, 2007

Nicolas Batum

O basquetebol francês vai afirmando a sua qualidade na Europa, surgindo como um dos países em que melhor se trabalha ao nível da formação. E isso é notório na quantidade de bons jogadores que têm formado nos últimos tempos: Tony Parker, Boris Diaw, Mickael Gelabale, os manos Pietrus, Ronny Turiaf, Joseph Gomis, Yannick Bokolo, entre outros. Brevemente, mais um nome se irá juntar a essa lista de grandes jogadores e dá pelo nome de Nicolas Batum.

Este jovem do Le Mans é um dos jogadores mais aclamados pela critica e tem impressionado tudo e todos com os seus desempenhos tanto na Liga Francesa, como na Euroliga, como também nas competições entre selecções – nomeadamente no prestigiado Torneio Albert Schweitzer no qual foi o MVP. E foram as suas prestações nessas competições, e especialmente no Nike Hoop Summit, que levaram vários jornalistas a afirmar que Batum iria entrar no Draft de 2007 da NBA e que iria certamente ser escolhido no Top10. No entanto, Nico cedo mostrou que não estava interessado em candidatar-se já ao ‘Planeta NBA’, preferindo ficar mais uma época em França a melhorar o seu jogo. Esta decisão demonstra bem o nível de maturidade do jovem gaulês e mostra também que é bem aconselhado pelas pessoas que o rodeiam, e estas não têm pressa alguma em vê-lo embarcar precocemente numa aventura para a qual poderia não estar preparado. Não têm pressa porque sabem que mais cedo ou mais tarde Batum integrará a Liga mais mediática do Mundo e o seu impacto será considerável. 

Para já, Batum vai brilhando no Velho Continente, onde o seu atleticismo lhe permite ganhar vantagem sobre muitos adversários. Explosividade, agilidade, velocidade, grande envergadura são qualidades que Nico domina naturalmente. Ao atleticismo exuberante Batum junta-lhe um ror de soluções ofensivas que lhe dão a possibilidade de encontrar a melhor solução para cada lance. Depois de utilizar a sua explosividade e o seu bom controlo de bola para ultrapassar o seu defesa, Batum tanto pode massacrar o aro com um afundanço ou fazer uma assistência para um colega seu, já que é um jogador bastante colectivo e que sabe passar a bola quando tem de o fazer. O lançamento exterior é outro capítulo que Batum junta ao seu jogo versátil já que consegue sair facilmente para lançamentos longos, demonstrando alguma eficácia neste aspecto do jogo, como provou no jogo da Euroliga em que a sua equipa defrontou o Maccabi Elite e Nico fez 10 em 10 de lançamentos de campo, incluindo 3 em 3 para lá da linha de 6,25m. Alem disso, nesta competição Batum apresenta uma percentagem de concretização de 56% no que toca a lançamentos de 2 pontos.

Batum consegue assim juntar a capacidade física típica dos jogadores norte-americanos à leitura de jogo e ao arsenal de fundamentos ofensivos tradicional dos jogadores europeus. Recentemente afirmou que se ira candidatar ao Draft de 2008 da NBA e muitos já o apontam como um dos jogadores a seguir com mais atenção, sendo quase certo que será escolhido entre os 10 primeiros. Entretanto podem aproveitar os jogos da Euroliga para apreciar a qualidade do rapaz. Para os que não o podem fazer, ficam aqui alguns highlights do Nike Hoop Summit em que Nico deu nas vistas.

 


Uma modalidade doente?

Dezembro 29, 2007

«Na década de 90 o impacto [da transmissão de jogos da NBA] foi grande e chegou muita gente à modalidade. Porém, acho que ao nivel do treino e da formação de treinadores e dirigentes, não houve capacidade para acompanhar esse boom. Aliás, os êxitos da Selecção são um pico de febre numa modalidade doente, pois actualmente só há duas equipas altamente profissionais: Ovarense e FCPorto. Portanto, entendo que a NBA é mais importante para o adepto do que para o basquetebol português.»

Carlos Barroca, em ABOLA de hoje

«O futuro do Basquetebol em Portugal é incerto e na Ovarense deparei-me com falta de condições que não poderiam acontecer. Por exemplo estive na PT, no FCPorto e no pavilhão antigo da Ovarense sempre com aquecimento. Temos uma arena nova e já fizemos treinos com temperaturas a rondar os zero graus. Isto para além de na ULEB Cup termos apenas um patrocinador e de não termos substituido um jogador quando este se lesionou. Não tinha motivação.»

Luis Magalhães, em ABOLA de hoje


As decisões de base

Dezembro 27, 2007

«Se não tens um bom Base, não tens nada!» Já o dizia Earvin Magic Johnson, um dos melhores bases de sempre…É a extensão do treinador dentro de campo e por aí se chega a um conjunto de características que um bom Base tem de ter. São características de foro mais psicológico e de conhecimento dos seus colegas. Se durante os 40 minutos dejogo, o treinador lidera de fora para dentro de campo, o base tem de liderar os seus colegas dentro das linhas de jogo. Para isso, tem de conhecer bem os seus colegas, saber como reagem ao sucesso e ao fracasso, a um aplauso ou a um apupo, a um elogio ou a uma repreensão. Assim será mais fácil envolver os seus companheiros no jogo, dando-lhes a hipótese de participar activamente no mesmo. Tudo isto conta na hora de comandar a equipa aos seus objectivos.

Se do ponto de vista psicológico e temperamental todos os jogadores são diferentes, também do ponto de vista técnico isto se verifica. Na prática isto quer dizer que a bola não pode ser passada da mesma forma para dois colegas diferentes, e ao Base cabe perceber como e para onde deve passar a bola consoante o colega a quem esta é destinada. Além disso, tem também de perceber como envolver todos os seus colegas no jogo dando-lhes a oportunidade de terem a posse de bola constantemente, para que não desanimem por andarem a «fazer piscinas» sem chegar, sequer, a tocar no elemento fundamental deste jogo: a bola.

Hoje em dia, exige-se também que um bom Base tenha a capacidade de escolher a melhor forma de sair a jogar sob pressão, sabendo se deve optar pelo passe ou pelo drible. Aliás, as tomadas de decisão são uma constante no jogo de um Base. Uma vez que é ele quem comanda o jogo «ofensivo e defensivo» da sua equipa, é ele quem tem de escolher qual a jogada a executar nos dois lados do campo. A juntar a isto, cabe-lhe ainda a difícil missão de perceber quando deve optar pelo passe ou pelo lançamento.

Na minha opinião o passe e o acto de servir os seus colegas continua a ser a principal função de um Base, mas com o evoluir do jogo estes jogadores passaram a ser obrigados, também, a marcar pontos. Por aí se percebe que em Portugal não mais se tenham visto jogadores como Pedro Miguel ou Rui Santos, excelentes organizadores de jogo que se preocupavam prime

iro em envolver os seus colegas no jogo permitindo-lhes lançamentos fáceis. É claro que quando tinham de atacar o cesto também não se faziam rogados. Além disso denotavam uma grande segurança e confiança no controlo do jogo.

Actualmente escasseiam Bases com esta mentalidade – primeiro nós, depois eu – e com a segurança dos jogadores já referidos. No Euro2007 foram visíveis as dificuldades sentidas pelos nossos Bases – sobretudo por Filipe da Silva e Miguel Minhava – quando as equipas contrárias pressionavam a campo inteiro. Pouco habituados a defesas agressivas e pressionantes os jogadores viram-se perante uma realidade nova à qual não reagiram muito bem denotandograndes dificuldades.

Como corrigir isto? Muito treino, muitos jogos internacionais, e sobretudo com a mudança gradual da mentalidade dos nossos jogadores.


Bom Natal

Dezembro 24, 2007

Um abraço do Seis25 a todos quantos têm tido a paciência para nos aturar.

Via Gato Fedorento, tenham então, um santo Natal:


Diferentes perspectivas

Dezembro 22, 2007

Duas pessoas sentadas lado-a-lado numa bancada de um pavilhão de basquetebol. Duas maneiras diferentes de ver o jogo. É neste conceito que se vão basear as próximas linhas, nas quais tentaremos mostrar a maneira como diferentes agentes vêem o jogo.

Começamos pelos adeptos, já que são eles uma das principais razões de ser deste desporto. Como já defendemos anteriormente, basquetebol é espectáculo. E espectáculo é o que um adepto de basket quer ver. Um passe por trás das costas, um desarme imponente, um drible que faça sentar o defesa directo, um afudanço a vooar por cima de um adversário. É para isso que em muitos pavilhões se paga para assistir a jogos de basquetebol. É essa uma das razões pelas quais a NBA continua a ser um sucesso, e continua a ser uma das competições mais apreciadas no mundo desportivo. Na NBA encontra-se facilmente o conceito de espectáculo, já que até existem algumas regras criadas no sentido de priveligiar determinados movimentos ofensivos e retirar algumas armas às defesas. E é disso mesmo que a grande a maioria dos adeptos continua a gostar: ver espectáculo.

Mas para os adeptos verem espectáculo, é necessário quem ponha as equipas a dar o referido espectáculo. É aqui que entram os treinadores. E aqui o caso já muda de figura, pois apesar de um treinador ser um adepto de basket, a sua maneira de ver o jogo é completamente diferente da de um simples adepto. Um treinador procura as falhas desta equipa, os pontos fortes da outra, a jogada X que deu vários cestos fáceis ao longo do jogo, a defesa pressionante que permitiu recuperar algumas bolas e tirar tempo de jogo ao ataque. O treinador não se deixa levar pelo entusiasmo causado por um grande afundanço: procura antes tentar perceber o que aconteceu para que o jogador tivesse a liberdade para aquele movimento que fez com que toda a gente saltasse da cadeira. Pode dizer-se que vêem o jogo de forma mais racional, e talvez por isso a grande maioria dos treinadores prefira ver jogos europeus ou do campeonato da NCAA, bastante mais ricos em termos tácticos e técnicos que o campeonato da NBA.

Há ainda a visão dos dirigentes e dos patrocinadores, mas essa é muito simples: Ganhámos ou perdemos? Aparecemos na capa do jornal?

Mas para que a equipa apareça no jornal e o patrocinador possa ficar contente pela publicidade feita, é necessário que os jornalistas acompanhem a modalidade e saibam do que estão a falar. Por isso, incluímos também a visão dos jornalistas, eles que têm a função de resumir o jogo para quem não o pode ver. E muitas vezes, os jornalistas resumem-se a ver quem marcou mais pontos ou quem deu mais nas vistas, individualizando assim um jogo que se quer colectivo.