Às voltas com o Minhava

Janeiro 31, 2008

 
Prémio Vocês sabem do que é que eu estou a falar

«Gostava que o Basquetebol Português desse uma volta. Isto não pode continuar assim, com uma Liga debilitada e as principais equipas portuguesas divididas por duas competições.»

Prémio O futuro a deus pertence

«Tanto eu como o clube temos uma cláusula no contrato que nos permite exercer a opção de não continuar. Até agora ainda não tomámos qualquer decisão. Vamos ver como é que as coisas correm e o que vai acontecer ao Basquetebol Português»

Prémio Em 2009 é que é

«…Agora já só penso no Europeu de 2009, na Polónia. Portugal é cabeça de série e tudo depende do sorteio. Temos possibilidade de chegar novamente à fase final mas não podemos ser ambiciosos em demasia pois temos noções das nossas limitações»

Declarações ao jornal ABOLA a 29 Janeiro


Os dinheiros da TV

Janeiro 30, 2008

Esta semana em França, um artigo publicado no Libération sobre os direitos de transmissão televisiva dos variados desportos suscitou uma considerável discussão.

O Rugby , segundo desporto daquele país atrás do futebol, aumentou seis vezes o valor dos seus contratos de TV nos últimos dez anos (3O M€ anuais é o valor actual) enquanto o Basquetebol continua a ceder os direitos de TV por sensivelmente o mesmo valor de há dez anos atrás (2M€ anuais, em pacotes que incluem os jogos da Liga e da Selecção Nacional!).

Uma estagnação que vale à modalidade uma «descida» para o 5ºlugar do ranking (o futebol, o rugby, o ténis e o ciclismo negoceiam e recebem valores monetários mais elevados).

Em Portugal a discussão em torno do assunto até poderá adquirir contornos ridiculos,por exemplo a elaboração de um ranking idêntico não faz sentido algum pois só o futebol consegue obter receitas consideráveis e está a anos-luz das outras modalidades (isto apesar da negociação não ser colectiva, através da Liga de Clubes por exemplo, mas ser feita por cada clube isoladamente). O Basquetebol português, com a existência da SportTv ganhou visibilidade alargada e alguma margem de manobra para fazer sentir as suas exigências, isto pese embora as boas audiências serem fundamentalmente dos jogos da NBA. Actualmente a RTP2 emite um jogo por jornada da Liga Moribunda e, quer seja em canal aberto ou fechado, estão sempre garantidas as transmissões das final-8 da taça da Liga e da Taça de Portugal (muito por culpa dos modelos competitivos concentrados num fim de semana).

Mas…Longe, muito longe dos M€ dos franceses. Como dar a volta ao texto?


Estrelas medidas na Régua

Janeiro 27, 2008

FPB

Está marcado para o próximo dia 5 de Fevereiro o All-Star da Proliga e da Liga Feminina, que pela primeira vez se realizarão no mesmo dia e no mesmo local: Peso da Régua! Primeiro as senhoras, depois os homens, e pelo meio concursos de afundanços e triplos. Ambos os jogos serão transmitidos pela SportTv, e espera-se que esta seja uma jornada de propaganda da modalidade.

A escolha do local mostra que a aposta da FPB continua a ser divulgar o basquetebol junto das populações menos ligadas a este desporto. Resta esperar para saber se o objectivo vai ser conseguido. Quantas pessoas estarão nas bancadas? Quantos jovens a familiarizarem-se com uma modalidade diferente daquilo a que estão habituados? Que actividades se vão desenrolar para tentar cativar alguns jovens a experimentarem a modalidade?

Na teoria, a ideia é boa e é de louvar. E na prática como será? Vamos ter um All-Star com bancadas compostas, com actividades que levem as crianças a querer experimentar basket ou vai ser mais uma tarde de pavilhão vazio onde nem as moscas querem estar?

A FPB tem aqui uma boa oportunidade para demonstrar que estão errados aqueles (entre os quais nos incluímos) que a acusam de trabalhar pouco no sentido de divulgar a modalidade. Esperemos que a aproveite…


Mais um viajante

Janeiro 25, 2008
Nuno Pedroso vai jogar na LEB Bronze, o atleta que jogava no Vitória de Guimarães é mais um atleta português que vai experimentar a sorte para o país vizinho. Que corra bem.
Noticia retirada integralmente do Solobasket :
«Pedroso, nacido el 26 de enero de 1979 en Maia (Portugal), puede realizar indistintamente las funciones de base y de escolta y llega al Gestibérica procedente del Vitoria de Guimaraes con el que estaba disputando la Proliga de Portugal y con el que la pasada campaña promedió en 37 partidos 8,2 puntos, 3,2 rebotesy 3,5 asistencias por partido. El jugador luso (1,87 metros y 82 kilos), que esta tarde firmó el contrato que le unirá al conjunto vigués durante lo que resta de esta temporada y la siguiente, se encuentra ahora a la espera de que su anterior equipo, el Vitoria de Guimaraes, envíe el tránsfer internacional para poder viajar mañana por la noche con el Gestibérica a Jerez y debutar ya este sábado a las órdenes de Tito Díaz.Precisamente, el entrenador vigués se mostró gratamente sorprendido tras la primera sesión de trabajo de Nuno Pedroso. “Creo que se podrá adaptar al equipo antes de lo que se podría pensar. Físicamente está bien y hoy, para ser su primer entrenamiento, ha entrado perfectamente en la dinámica y en nuestros sistemas de juego. Puede alternar los puestos de base y de escolta, que es lo que necesitamos, y se trata de un jugador con experiencia, muy ordenado y que sabe a lo que juega. Es buen defensor, rapidísimo y, además, un excelente tirador”, subraya el técnico del Gestibérica.»
Trayectoria deportiva:
1999-04 BC Guimaraes
2004-05 Vitoria SC Guimaraes (Proliga Portugal). 27 partidos: 12 ppg, 4.9 rpg, 4apg, 38% en lanzamientos triples
2005-06 Aveiro Basket (TMN Portugal). 2ppg, 1,2 apg
2006-07 Vitoria SC Guimaraes (Proliga Portugal). 27 partidos: 8.2 ppg, 3.2 rpg, 3.5 apg, 1.2 apg.

A guerra dos sexos

Janeiro 24, 2008

Amaya Valdemoro

Rara é a modalidade desportiva em que o sector feminino receba tanta atenção como o masculino. Talvez o ténis e a patinagem artística sejam as excepções. De resto, o desporto praticado por homens é visto por um maior número de pessoas comparativamente ao praticado por mulheres.

Apesar de hoje em dia já não existirem tantos bloqueios mentais a toldar a visão, ainda existem alguns preconceitos contra a prática desportiva por parte das mulheres. No entanto, essa não será a principal razão para que o desporto feminino tenha menor visibilidade.

As diferenças fisionómicas entre homens e mulheres permite que os primeiros atinjam níveis de desempenhos físicos excepcionais e que proporcionem um maior espectáculo aos espectadores. É comum, no basket, vibrar-se com um estrondoso afundanço ou um imponente desarme de lançamento feito no ‘terceiro andar’. É normal que demonstrações de entusiasmo das bancadas sejam provocadas por espectaculares acções possíveis apenas a alguns dotados. Fruto dessa capacidade física o jogo masculino também é mais rápido e, normalmente, a pontuação é mais elevada.

Apesar de hoje em dia já existirem várias mulheres a afundar há algo muito mais interessante no basquetebol feminino: é o basket dos fundamentos. Quando não se tem a capacidade física para se saltar por cima de dois adversários são necessários outros recursos que permitam às atletas atingir o mesmo fim: marcar mais pontos que a equipa adversária.

Ticha Penicheiro

É aqui que entram os fundamentos ofensivos e defensivos. A capacidade de passar a bola na altura certa para o sítio certo, o controle da bola, a capacidade de ler o jogo e tomar a decisão correcta, o trabalho de pés, a necessidade de ‘trabalhar sem bola’, o sentido colectivo, a criatividade das atletas. Tudo isto ganha importância quando se fala de basquetebol feminino.

E, na minha opinião, é isto que poderá afastar algumas pessoas do desporto feminino. O espectacular assume outra dimensão: mais técnica, menos física. Habituados a seguir o desporto masculino, torna-se difícil à grande maioria dos espectadores seguirem com atenção o desporto feminino. Consideram-no monótono, pouco atractivo. Talvez porque estão à espera de encontrar o mesmo que encontram no desporto masculino. E enquanto isso acontecer será difícil apreciarem as coisas boas que o desporto feminino tem para dar!


Vale tudo em nome do ‘espectáculo’ ?

Janeiro 23, 2008

Era bom que a NBA facultasse o seu regulamento só para a malta estar familiarizada com a regra dos apoios. Para quem só agora começou a ver a NBA aqui fica o registo de como há poucos anos atrás se podiam dar 4 ou 5 passos com a bola na mão sem que isso fosse considerado ilegal. Ultimamente a situação foi melhorada, e a alguns jogadores já só é permitido dar 3 passos com a bola na mão. Talvez daqui a uns tempos consigam reduzir para 2 apoios! Mas se calhar isso já é pedir muito…


André Martins – a entrevista

Janeiro 22, 2008

André Martins

As entrevistas estão de volta ao Seis25. Depois de Cátia Lírio e Samuel Lóio, André Martins é o senhor que se segue. O jovem treinador do Queluz explica como vê o basquetebol, as suas preocupações em relação ao futuro da modalidade, o trabalho que tem desenvolvido com os jovens do Queluz e algumas das suas ambições pessoais. O seu trabalho tem sido elogiado e é apontado várias vezes como um treinador de grande qualidade, cujas equipas apresentam um estilo de jogo mais alegre e intenso do que a grande maioria das equipas em Portugal.

Como começou a sua carreira de treinador, e o que o motivou a seguir esse caminho?

Durante a minha formação enquanto jogador, joguei um ano no Ateneu Comercial de Lisboa e depois 12 anos nos escalões de formação do Benfica. Pelos vários escalões por onde passei fui sempre capitão de equipa e gostava de liderar grupos. Foi daí que veio esse gosto por liderar equipas, e quando entrei para a Faculdade surgiu a oportunidade e optei por seguir a carreira de treinador.

Comanda equipas com grande coesão defensiva, muito agressivas e que, normalmente, imprimem muita velocidade e grande intensidade ao jogo. Concorda que essa começa a ser a “imagem de marca” das suas equipas?

Não sei se há imagens de marca…pela minha forma de ver o jogo é na defesa que tudo começa. As equipas que não defendem não podem atingir objectivos. E em termos ofensivos, fazemos um pouco aquilo que as outras equipas nos deixam fazer. Nós procuramos jogar rápido de forma agressiva, mas se a outra equipa nos obrigar a jogar a meio-campo é isso que procuramos fazer com sucesso. É desta forma que entendo o jogo.

Como é a sua relação com jogadores mais velhos? São os primeiros a respeitá-lo ou já teve algum problema?

Na minha opinião, o que é fundamental para um treinador é que ele dê o exemplo. Ou seja, eu cometo os meus erros, e tenho as minhas limitações como qualquer outro treinador, mas há uma coisa que eu procuro fazer sempre que é dar o meu melhor e os jogadores são justos quando percebem que do outro lado está uma pessoa que dá o seu melhor e que respeita os jogadores. Por isso nunca tive problemas desse género.

Esta equipa do Queluz tem muitos jovens (Tiago Pinto, Rui Araújo, Cristóvão Cordeiro, Diogo Moisão e Gil Cruz). É “politica do treinador”, ou politica do clube e a prova de que o Queluz tem vindo a realizar um bom trabalho na formação?

Foi um conjunto de factores que levou a esta situação. Tivemos de dar um passo atrás, e a aposta para este ano é realmente essa: a aposta em jogadores portugueses. Temos um misto de jogadores constituído por dois norte-americanos jovens, alguns jogadores nacionais ainda jovens e que podem atingir patamares mais altos em Portugal e depois jogadores da formação que estão na equipa sénior com a perspectiva de que no futuro, e até já no presente como é o caso do Tiago Pinto, possam dar a sua perspectiva à equipa sénior porque os clubes necessitam muito de referencias para trazer mais gente aos pavilhões. Isso é fundamental.

Acha que, para estes jovens, o facto de o Queluz estar agora a Proliga é benéfico para que desenvolvam as suas capacidades, já que poderão ter mais minutos de jogo do que se estivessem na Liga?

O mais importante nem é tanto a competição, importante é que eles tenham o seu espaço. Muitas vezes diz-se “tem que se apostar nos jovens e eles têm que jogar”. Não, eles jogam se merecerem e se mostrarem que têm qualidade, não é por serem jovens ou por serem da formação do Queluz.

Na minha opinião, aquilo que dificulta mais a evolução de um jogador Júnior para Sénior é que nessa fase de transição, muitas vezes, é quando os jogadores trabalham menos. E o que procuro fazer com estes jogadores é que eles trabalhem muito nesta fase. Eles treinam todos os dias com a equipa Sénior, algumas vezes treinam com a equipa Júnior, vão aos jogos dos Seniores, vão aos jogos da CNB2 e vão aos jogos de Juniores A. Chegam ao final de um ano de trabalho com muitos jogos, muitos treinos, muita experiência acumulada e, na minha opinião, isso é a única maneira de desenvolver os jovens jogadores portugueses.

André Martins

Já se jogou metade do campeonato da Proliga. Qual a sua opinião sobre a qualidade desta competição e dos seus participantes? Considera que está melhor do que quando esteve como treinador na Física?

Penso que o campeonato está mais equilibrado. Há mais equipas com argumentos que podem discutir as coisas. Inevitavelmente o Benfica e o Queluz vieram trazer um valor acrescentado a esta competição e as próprias equipas reforçaram-se mais tendo em conta isso mesmo. E sim, penso que a qualidade claramente subiu esta época.

O ano passado treinava uma equipa profissional de basquetebol. Este ano, com a sua equipa numa competição diferente continua a ser treinador profissional de basquetebol?

Não, não…Nem o ano passado era profissional. Era exactamente como este ano! Treinamos de manhã, treinamos à tarde, os treinadores estão lá sempre em todos os treinos – tenho essa possibilidade porque a outra actividade profissional assim o permite. Tenho o sonho de um dia ser 100% profissional mas para isso é preciso haver condições. Esse é o caminho que se deve seguir, mas tem de se trabalhar para oferecer às pessoas condições para seguir esse profissionalismo. Não podemos exigir que os treinadores e jogadores sejam profissionais se depois não têm contrapartidas desse profissionalismo. Assim é um falso profissionalismo.

Tenho a ambição de fazer, profissionalmente, aquilo que mais gosto que é ser treinador de basket, mas é preciso criar condições para isso. Não basta dizer que querem que as pessoas sejam profissionais. Assim que as condições estiverem criadas, eu assumo esse profissionalismo a 100%.

Qual a sua opinião sobre este “ano turbulento” do basquetebol português: participação histórica no Eurobasket 2007, e as divergências entre a FPB e a LCB.

Vejo com preocupação porque a Federação e a Selecção, treinadores e jogadores fizeram um trabalho notável, extraordinário. Aquilo que se conseguiu fazer no Europeu excedeu todas as expectativas e o basket português não conseguiu aproveitar isso para se projectar para outro patamar mais elevado e isso preocupa-me.

Acha que estas divergências entre FPB – LCB, ou entre as pessoas que as dirigem, poderão pôr em risco o futuro da modalidade? É evidente a projecção que outras modalidades conseguiram ganhar, nomeadamente o rugby que ganhou imensa visibilidade e novos praticantes…

Que as coisas não estão bem, toda a gente sabe. Que as coisas têm que melhorar, também toda a gente tem consciência. Agora, na minha opinião, o que penso que as pessoas responsáveis têm de procurar é um modelo de desenvolvimento para o basquetebol que faça crescer a modalidade. Essa é que tem de ser a primeira preocupação. As pessoas deviam perguntar-se “Porque é que temos quase sempre os pavilhões vazios?”, “Porque é que o jogador português não se assume ao mais alto nível, salvo raras excepções?”. Se formos a ver, não vemos quase nenhum jogador de 20 anos a jogar na principal competição portuguesa. Os jogadores continuam a ser o Marçal, o Seixas, o José Costa, etc. Porque é que não aparecem jogadores novos todas os anos? São este tipo de interrogações que deviam ser feitos para se começar a pensar num modelo que sirva os interesses do basket em Portugal.

Parece-me que esta época que devia estar a ser de transição não está a ser aproveitada para desenvolver esse modelo de desenvolvimento para a modalidade.

Treinos bi-diários, outra actividade profissional. Como ocupa tempos livres? Tudo dedicado ao basket?

Não, não…Tive um filho à dois meses e meio e os tempos têm sido ocupados com ele. Mas como qualquer outra pessoa, obviamente que tenho outras actividades. É como aquela célebre frase “Quem é só médico, nem médico chega a ser”. Um treinador tem de ter outras ocupações, até porque isso acaba por ser importante para o seu processo formativo e para o ajudar na sua carreira de treinador. Como qualquer outra pessoa gosto de ir ao cinema, gosto de praia, de viajar, de passear e conviver com amigos.

Por fim, gostaria de deixar alguma mensagem a outros treinadores jovens que estejam a começar?

Aquilo que um treinador uma vez me disse foi que a partir do momento que os jovens sentem que têm essa vocação e que gostam dessa actividade, a persistência, o querer aprender todos os dias, e a vontade de ser melhor de dia para dia vão fazer dele um bom treinador. Ou pelo menos irá ter as bases para isso.