Lá por fora: o passeio do Siena em Itália

Março 31, 2008

À semelhança do que se passou no ano transacto, a liga Italiana está este ano muito desequilibrada. O Siena, campeão em título, tem demonstrado toda a sua superioridade e mais ninguém aguentou a pedalada. Com apenas duas derrotas [no ano passado foram quatro na fase regular], e a cinco jornadas do fim, o Siena tem assegurado o primeiro lugar para os playoff. Os seus mais directos opositores são a Lottomatica Roma, que bateram nas meias finais do ano passado, e os surpreendentes conjuntos do Montegranaro e do Avellino, que em 2006/07 nem ao playoff haviam ido. O Siena começou a prova a velocidade de cruzeiro com 18 vitórias consecutivas, tendo baqueado em Janeiro, em dois jogos consecutivos, nas partidas fora de casa precisamente com o Montegranaro (por 5pts) e com o Avellino (por 6pts). Entretanto já retomou o ritmo e estabeleceu uma sequência de 9 vitórias consecutivas.
Destaque ainda para algumas curiosidades. O outrora temido Benetton Treviso, que foi aliás três vezes campeão nesta década, volta a ficar muito longe de um classificação condigna. É 13ºclassificado, conseguindo piorar o já tão mau registo do ano passado (11º!). Por outro lado, o Bologna, que no ano passado chegou à final [levou três secos do Siena] está este ano em risco de não ir ao playoff. E o Milano, que no ano anterior havia chegado ás meias finais, está num não menos preocupante 6ºlugar

1

Montepaschi Siena

27

2

2

Lottomatica Roma

20

9

3

Montegranaro

19

10

4

Avellino

19

10

5

Cpo d´Orlando

17

12

6

Milano

15

14

7

Pesaro

15

14

8

Biella

14

15

9

Cantú

14

15

10

Rieti

14

15

11

Upim Bologna

14

15

12

Teramos

13

16

13

Benetton Treviso

12

17

14

Udine

12

17

15

Napoli

12

17

16

La Fortezza Bologna

11

18

17

Scafati

8

21

18

Varese

5

24


A lei dos mais fortes

Março 31, 2008

Kansas 

Os Wildcats de Davidson ficaram a um cesto de atingir a Final Four pela primeira vez na sua história. Mais uma vez tiveram uma prestação de grande qualidade mesmo jogando contra uma equipa com mais argumentos, com maior poderio físico e atleticismo e com um jogo interior com mais e melhores soluções.

Os Jayhawks de Kansas traziam a lição bem estudada e sabiam que anular Stephen Curry era meio caminho andado para garantirem o bilhete para a Final Four. Conseguiram o que nenhuma equipa conseguiu durante o torneio: limitar a sua produção ofensiva a menos de 30 pontos.  Ao longo do jogo vários foram os jogadores que tentaram defender Stephen Curry, e também durante largos minutos se viu a equipa de Kansas a defender ‘box-and-one’. Além de Curry, também o base Jason Richards teve atenções especiais por parte da defesa de Kansas, nomeadamente nas situações em que procurava jogar 2×2 através de bloqueios directos. Richards foi obrigado a cometer alguns turnovers, algo que não é habitual no base de Davidson.

Na última posse de bola, aquela que decidia quem ia para San Antonio disputar a Final Four e quem ia para casa, os de Kansas conseguiram parar de forma exemplar Stephen Curry que nem conseguiu lançar, tendo de passar a bola a Richards que lançou já em desespero. 59-57 para Kansas que assim avança para a Final Four.

Para a Final Four avançam U. North Carolina, UCLA, Memphis e Kansas – as quatro equipas projectadas como nº1 das suas respectivas séries. As meias-finais vão opor UNC – Kansas (o treinador Roy Williams defronta a sua antiga equipa) e UCLA – Memphis. Os destaques individuais desta Final Four vão para Ty Hansbrough (UNC), Kevin Love (UCLA), Derrick Rose (Memphis) e Brandon Rush (Kansas).


Stephen Curry – a magia de Março

Março 30, 2008

Ao longo do ano muito se tem falado de Kevin Love, Tyler Hansbrough, Derrick Rose, Michael Beasley ou OJ Mayo. Ao longo do ano, sempre foram estes jogadores a receber o maior destaque por parte da imprensa e dos adeptos. De facto, Michael Beasley tem sido apontado como a primeira escolha do Draft 2008 da NBA; Tyler Hansbrough foi recentemente capa da famosa Sports Illustrated; OJ Mayo é, muito provavelmente, um dos jogadores mais mediáticos da NCAA nos últimos tempos; Kevin Love tem sido apontado por muitos como o jogador do ano; Derrick Rose é apontado como uma das futuras estrelas NBA e uma das principais razões para o sucesso da Universidade de Memphis na campanha de 2007-08.

 

Ao longo do ano sempre foram estes os nomes mais falados! Até que se chega a Março…e em Março, tudo pode mudar: jogos memoráveis, sonhos desfeitos, emoções inesperadas, vitórias surpreendentes, reviravoltas dramáticas e exibições incríveis. E Stephen Curry e os Wildcats de Davidson (o base Jason Richards também merece ser destacado) têm vivido tudo isto nos últimos tempos, em mais uma reedição daquilo a que os norte-americanos costumam chamar Cinderella Story: a pequena universidade de Davidson está apenas a um passo de atingir a Final Four e já deixou pelo caminho conceituadas equipas como Gonzaga, Georgetown e Wisconsin.

Stephen Curry (filho de Del Curry, antigo jogador dos Hornets que fazia do lançamento exterior a sua principal característica) tem vivido um mês de sonho, brilhando noite após noite, sempre com jogadas capazes de deliciar qualquer amante da modalidade (Lebron James incluído…), fazendo do lançamento de longa distância a sua imagem de marca. No entanto, Curry não se fica apenas pelo lançamento exterior. A sua ‘inteligência basquetebolística’ permite-lhe ler com grande facilidade qual a melhor opção a tomar em cada momento do jogo: como aproveitar os bloqueios que os seus colegas fazem para o libertar para lançamentos, e escolher quando penetrar para o cesto ou quando lançar de fora. E só assim tem sido possível a este jovem jogador minimizar a qualidade das defesas adversárias – nomeadamente a da Universidade do Wisconsin, apontada como uma das equipas que melhor defende – e marcar uma impressionante média de 34.3 pontos por jogo durante o torneio.

Curry pode nem conseguir chegar à Final Four, mas ninguém pode ficar indiferente a tudo o que este jovem tem feito dentro de campo! E quando entrar em campo para defrontar a forte equipa de Kansas, todos os olhos vão estar no número 30 de Davidson. E Stephen Curry tentará uma vez mais mostrar que é verdadeira a citação bíblica que escreveu nos seus ténis ‘I can do all things’!

Eis Stephen Curry em discurso directo: “It’s easy to get caught up in playing for the crowd, trying to play a game you’re not capable of. I found myself doing that a little bit in high school and early in my college career. I try harder not to do things that are over my head, not do anything too special.”


Os deuses distraíram-se

Março 29, 2008

Aí estão os quartos de final da Euroliga masculina.O grande favorito e campeão em título, o Panathinaikos, caiu na fase de grupos perante Partizan e Siena depois de um inicio avassalador na competição e deixou caminho aberto para um novo vencedor em 2007/08. No Olimpo os deuses distraíram-se certamente, e o poderio do «Pana» não se verificou dentro do campo. Da Grécia resta agora o Olympiacos, o eterno rival, que terá de medir forças com os vencedores de 2005/06, os moscovitas do CSKA. O contingente espanhol é o maior nesta fase decisiva da época, mas com apenas duas equipas, Barcelona e TAU Ceramica (a equipa que menos perdeu, apenas uma vez, na 2ªfase da competição) já que Real Madrid e Unicaja não aguentaram a pedalada. O Maccabi que na última década jogou 5 finais, também carimbou o passaporte. Assim como os «loucos» dos sérvios do Partizan e dos turcos do Fenerbahçe. A fechar a elite, o surpreendente Siena.

Quem vai levar a melhor? As eliminatórias são à melhor de três e os jogos são a 1,3 e 9 de Abril se necessário. Usem a caixa de comentários para as vossas análises. Nós deixamos aqui a nossa….

Siena-Fenerbahçe

As equipas ainda não se defrontaram este ano. O Siena vence por 5-3 no confronto directo ao longo dos tempos mas os turcos ganharam curiosamente os últimos três embates. Os turcos qualificaram-se no grupo do TAU (a quem venceram no último jogo) do Aris e do Lietuvos, mas perderam todos os jogos da regular season com as equipas ditas de topo (duas derrotas com Real Madrid, Barcelona e Panathinaikos). São outsiders que dependem bastante do momento de forma de Will Soloman. O Siena, com o americano Terrel McIntyre a destacar-se, tem revelado uma regularidade maior. Com apenas uma derrota caseira, perante o CSKA na fase regular, os italianos já bateram equipas como o Panathinaikos, o TAU, o Olympiacos ou o Partizan. Mesmo em ambientes adversos souberam discutir os encontros com galhardia (perderam por 4 em Moscovo e por 1 em Atenas com o Panathinaikos)

Prognósticos: 2-0 para Siena JC || 2-1 para Siena MT

 

TAU-Partizan

Um grande duelo em perspectiva. O TAU só perdeu uma vez na 2ªfase de grupos e é muito consistente a jogar em casa, este ano só o CSKA foi capazes de vencer no seu terreno. Já o Partizan revelou grandes dificuldades para se qualificar, tanto na fase regular como na 2ª fase de grupos (onde inclusivamente perdeu os dois primeiros dos seis jogos disputados). O ambiente em Belgrado é um terror para os adversários (que o diga o Panathinaikos que sucumbiu no último jogo na Sérvia ficando assim de fora dos oitavos de final). Como se comportará Rakocevic (o melhor marcador «espanhol») ao enfrentar um clube da sua pátria? Quem vencerá o duelo entre Nikola Pekovic e Tiago Splitter?

Prognósticos: 2-0 para TAU JC || 2-1 para TAU MT

 

Maccabi-Barcelona

O Maccabi, depois de ter brilhantemente vencido por duas vezes o Real Madrid na 2ºfase de grupos (deu um recital em casa ganhando por 19pts e em Madrid «safou-se» no prolongamento), volta a defrontar uma equipa epanhola, desta feita o Barcelona. No historial de jogos entre as duas equipas o Barça leva vantagem , mas nesta década em quatro encontros perdeu três. Em Telavive respira-se confiança e a dupla Terence Morris / Nicola Vujcic tem feito estragos. Mas o Barcelona tem Lakovic , Grimau e Kasun para contrapor o poderio israelita e vem de uma vitória motivadora sobre o CSKA.Tudo em aberto?

Prognósticos: 2-1 para Maccabi JC || 2-1 para Maccabi MT

 

CSKA-Olympiacos

Os moscovitas têm o melhor registo de todas as equipas esta época, tendo perdido apenas por quatro vezes, e sempre por diferenças pontuais pequenas (a maior derrota foi por 5 pts de diferença). Curiosamente uma das derrotas foi precisamente com o Olympiacos por 67-71 (em Moscovo venceram por 88-79). Não serão portanto, e apesar do natural favoritismo russo, «favas contadas». Os gregos entraram para o comboio dos oitavos de final na última estação, conseguindo quatro vitórias consecutivas depois de terem perdido os dois primeiros jogos, num grupo que incluia os fortes Real Madrid e Maccabi. Têm fé nos seus americanos Qyntel Woods e Marc Jackson. Mas na eliminatória deverá imperar a Lei de Messina, que tem à sua disposição um plantel rotinado: Langdon, o lituano Siskauskas, o dinamarquês Andersen, os compatriotas gregos Papaloukas e Zisis e o inevitável Holden

Prognósticos: 2-0 para CSKA JC || 2-o para CSKA MT


O Luís e a regra dos passos

Março 28, 2008

A regra dos apoios sempre deu muito que falar. Porque é mal interpretada pelos jogadores, porque é subjectivamente analisada pelos árbitros e porque por isso promove valentes discussões entre treinadores e grandes teses filosoficas entre adeptos. «Foi! Não foi! Foi pá, então não vi?!».

Na NBA são imensos os exemplos de incoerências e de , passe a gíria utilizada, enormes «passaradas». Nas competições na Europa a regra aplica-se mais, mas nem sempre com o mesmo critério e muito menos com a mesma clarividência em todos os casos

Mas a regra dos apoios traz-me sobretudo recordações surreais. Passo a explicar. Num curso de nível I de treinador na Associação de Basquetebol de Aveiro, um dos palestrantes convidados, foi o árbitro Luis Lopes. O discurso era intercalado com explicações práticas num campo de basquetebol disponibilizado, e a dado momento Luis Lopes surpreendeu tudo e todos, com a leitura, e correpondente exemplificação, da Regra dos Apoios. Dizia o livrinho que ele trazia (eu vi!) – livro do qual não retirei na altura referências – que o «jogador poderia iniciar o arranque em drible sendo que a bola teria que deixar a sua mão antes do pé de apoio (fixo) voltar a tocar no solo».

Não sei se estão a visualizar o alcance desta afirmação. Na altura (como hoje, acrescento) a incredulidade foi geral. Alexandre Pires, internacional que na altura fazia o curso levantou-se de imediato e com uma bola na mão pôs-se a questionar o coitado do Luis Lopes que nem sabia de que forma havia de responder a tanta pergunta junta. «Então eu joguei 20 anos e nunca soube disto?Podia ter tirado inúmeras vantagens!..Mas tenho a certeza que me marcavam passos…», soltava um exasperado Alexandre. «E por que é que todos os árbitros não seguem esta regra?», «E por que é que ninguém sabe disto?», continuava. O próprio presidente da ABA estava meio atarantado perante tal novidade. E o Luis Lopes a jurar que era mesmo assim, que não estava a enganar ninguém. No final da sessão ninguém conseguiu ficar com o livrinho do Luis Lopes, pois ele saiu antes da sessão acabar e a prometer que forneceria a informação necessária.

Lembro-me de ir para casa investigar e não encontrar nenhum sítio com o tal misterioso artigo da regra dos apoios. Até hoje…

Alguém arranja o contacto do Luis Lopes? 🙂

PS- A regra da FIBA é clara:

«Progressão com bola de um jogador que fixou o pé eixo, enquanto tem a posse de uma bola viva no campo de jogo:
• Se tem os dois pés no solo:
– Ao iniciar um drible o pé eixo não pode ser levantado antes de a bola deixar a(s) sua(s) mão(s);
– Num passe ou num lançamento ao cesto, o jogador pode levantar o pé eixo mas nenhum dos pés pode regressar ao solo antes de a bola deixar a(s) sua(s)mão(s).»


Da Linha dos Seis 25

Março 28, 2008

Nasceu uma nova secção no Seis 25.

Em Da Linha dos Seis 25 vamos querer saber o que te vai na alma…  Semana a semana uma questão nova. Aparece!


Hora de gravações

Março 26, 2008

Depois de termos disponibilizado o anterior vídeo publicitário de Steve Nash, aqui fica outro igualmente genial, que dá uma real ideia de todo o valor deste jogador!  Recomendamos igualmente que passem os olhos por um que o base canadiano fez para a NBA, e outro feito para a cadeia de televisão norte-americana TNT onde além de Nash, também brilham Kenny Smith e Charles Barkley.