Um dia quero jogar como tu…

No seguimento do anterior texto ‘Causa ou efeito?’ continuamos a debater a questão da visibilidade do basquetebol. Mas se no referido texto optámos por abordar o tema de uma forma macro, desta feita a preocupação é mais virada para o micro-mundo do basquetebol.

Posto isto, vamos directos ao assunto, começando com uma simples pergunta: Quem são as referências do nosso basquetebol para os jovens que começam a jogar basquetebol?

Falando a um nível nacional, olho para o basquetebol português e vejo poucos jogadores com qualidade e carisma para serem referências para os mais jovens. Carlos Andrade parece-me ser um dos melhores exemplos, talvez Betinho. Há ainda José Costa, Sérgio Ramos e Nuno Marçal que já assumiam esse papel há 10 anos.

Claro que a nível mais local existem referências bem definidas em alguns clubes – talvez o exemplo mais gritante seja o de Nuno Manarte na sua Ovarense. No entanto, é preocupante saber que nem todos os clubes de LPB e Proliga conseguem ter essas referências internas para os jogadores dos escalões de formação. Além disso, apenas 24 clubes competem nestas duas competições nacionais – e todos os restantes clubes que não participam nestas competições? E os jogadores das regiões em que durante uma temporada não se realizam jogos das principais competições nacionais de seniores?

Quem são as referências para estes casos?

Lembro-me de crescer e ver os triplos de Lisboa: à meia-volta depois de sair de um bloqueio, a sair do drible, de qualquer maneira mais ou menos ortodoxa. Lembro-me de Pedro Miguel a comandar as tropas. De Rui Santos a jogar com Jared Miller, e com aqueles lançamentos de longa longa distância e com as assistências que só ele descobria. Lembro-me do esforço incansável de jogadores como José Carlos Guimarães, Flávio Nascimento ou Fernando Sá. Lembro-me de Mário Leite que fim-de-semana após fim-de-semana levava às costas a sua Ovarense, do domínio e do poderio físico de Jean Jacques ou ainda de Rubin Cotton que tantas vezes parecia alheado do jogo, mas que fazia sempre a diferença, no ataque e na defesa. Havia também a equipa do Porto com os jovens Nuno Marçal, Paulo Pinto, João Rocha ou Nuno Quidiongo – eram eles os jovens à procura dum ‘lugar ao sol’ que nós ambicionávamos copiar. Lembro-me ainda das referências no meu clube: a liderança e o simbolismo de Carlos Moutinho, de um jovem José Costa a ganhar o seu espaço no basquetebol nacional, das capacidades físicas de Paulo Duarte e das suas jogadas que nós, os mais novos, tentávamos copiar. Lembro-me de estarmos à tarde no pavilhão a ver Jimmy Moore no seu auto-treino: fazíamos de apanha-bolas, a bola entrava no cesto e nós já a devolvíamos para mais um lançamento em suspensão. Víamos a estrela da companhia treinar sozinho, o drible e manejo de bolas com ‘luvas de trabalho’ e tentávamos copiar.

Para quem olham hoje os jovens jogadores? Quem são as referências nacionais? Ou num Mundo cada vez mais global não faz sentido ‘fechar as fronteiras’ e falar de referências nacionais, deixando espaço para as referências europeias que brilham na Euroliga, ACB, Lega A, Pro-A, Superliga Russa, Liga Adriática ou na AI Ethniki, ou ainda para as estrelas milionárias da NBA?

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