A lei do Texas

Rick Barnes vai na sua 12ª temporada como treinador principal da equipa de basquetebol dos Texas Longhorns. Ao longo destes anos conseguiu ter vários dos seus jogadores a ingressarem na liga de basquetebol mais mediática do Mundo, a NBA. Sob a sua alçada chegaram ao patamar mais alto do basquetebol jogadores como Kevin Durant, TJ Ford, DJ Augustine, LaMarcus Aldrige, Chris Mihm e Daniel Gibson. Conduziu os Longhorns a 11 Torneios da NCAA, mas nunca conseguiu ganhar um campeonato. O máximo que conseguiu foi chegar à Final4, corria o ano de 2003.

A presente época da Universidade do Texas não tem sido das melhores – ocupa o 6º lugar da Conferência Big12, já conta com 7 derrotas na Fase Regular, e não se esperam resultados de relevo até final da temporada, apesar de ser previsível que venha a participar no Torneio da NCAA. E quando numa recente entrevista o treinador Rick Barnes afirmou estar mais preocupado em formar jogadores para a NBA do que em vencer o campeonato, os adeptos texanos não devem ter gostado muito do que leram. “We would love to win a national championship, but we’re not obsessed with it because we’re obsessed with these guys trying to live their NBA dream. What’s happened to Kevin Durant, LaMarcus Aldridge, T.J. Ford — I’d give up a national title for all of our guys to be able to live their dream.

Esta frase pode ser avaliada por diversos prismas: o dos adeptos que querem ver a sua equipa ganhar um campeonato, o dos directores do programa de basquetebol dos Texas Longhorns que necessitam de sucessos para continuarem a garantir os fundos monetários que nunca faltaram à famosa Universidade, e o dos jogadores que, regra geral, ambicionam chegar ao Planeta NBA.

Se do lado dos adeptos a afirmação poderá não ser bem aceite, do lado dos jogadores é satisfatório saber que o treinador se preocupa com os seus atletas, e não com anéis que lhe encham os dedos. É satisfatório saber que o treinador tudo fará para os colocar no próximo patamar, e que quem entrar na Universidade do Texas para integrar o programa de basquetebol irá usufruir de uma preparação que os conduza até à NBA. Ou seja, a equipa poderá ser beneficiada no recrutamento de jogadores do High School.

E os directores, como vêem esta situação? Encaram que o sucesso do programa poderá ser a quantidade de jogadores que chegam à NBA, ou estarão também eles a ficar ávidos de títulos e sentem que esse será o caminho necessário para angariar mais fundos que permitam à equipa ter as melhores condições de trabalho?

Qual a vossa opinião sobre este tema e a consequente aplicação ao caso do basquetebol português?

One Response to A lei do Texas

  1. ... diz:

    Essa é uma frase muito típica de treinadores de “formação” (da qual não concordo nada), sobretudo usada quando não há sucesso desportivo. Não sei em que local é que está escrito que uma boa formação não é compatível com bons resultados (não falo de miúdos com 12/13/14 anos).Há tantos exemplos que provam o contrário por este mundo fora, se bem que em Portugal sejam (bem) mais difíceis de encontrar.
    Não será bem mais difícil formar atletas sem que estes sintam o prazer de ganhar? Como é que eles vão, em seniores, lidar com a pressão de vencer se, ao longo da sua formação, nunca vivido situações semelhantes?
    Parabéns pelo blog

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