Porquê?

Ontem no Dragão Caixa espectacular ambiente. Pavilhão quase cheio para ver eternos rivais jogar Basquetebol. Vitória justa do Porto, num jogo chato na primeira parte e bom na segunda. Valeu o dedo de Moncho a defender, o acerto exterior de Carlos Andrade e João Figueiredo e as penetrações loucas de Jeremy Hunt.

Todavia, tive o “azar” do meu bilhete ser para o topo sul, atrás das claques. Continuo sem perceber como se opta por puxar pela nossa equipa a partir da selvática injúria às mães dos jogadores da equipa adversária. É certo que não foi durante todo o jogo mas invariavelmente os super (super quê? super energúmenos…) lá entoavam o já mítico “slb slb slb, filhos da …” ou o “em cada lampião há um…”. No final do jogo, com os coniventes sorrisos dos policias, quais cães de ataque, os ultra encheram a cabeça do coitado do Élvis Évora de insultos, e mimaram o Sérgio Ramos e o Henrique Vieira com uma assobiadela monumental, que quase se opunha às palmas à equipa… Durante o jogo foi inacreditável o que os pais portuenses ao meu lado foram fazendo com os filhos..incentivando-os a prolongarem os insultos vindos da claque com os dedos do meio de ambas as mãos em riste ou mostrando cachecóis vermelhos com a palavra merda, só para citar alguns exemplos…

Sinceramente não consigo entender isto. Acho que o jogo não pode deixar de fora as emoções , mas a selvajaria premeditada e culturalmente instituída é lastimável.

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9 Responses to Porquê?

  1. AQUIEALI diz:

    Sim porque isso é que realmente é reprovável…
    As provocações do Ben Reed, Elvis e outros para a bancada é que não…

    Enfim…

    • Pedro Oliveira diz:

      Esse comentário mais parece a resposta dos nossos mini-atletas quando são corrigidos ou repreendidos ‘mas o outro também fez’. Se ainda estiver nessa faixa etária compreende-se o seu desabafo, caso contrário, dá um bocado de pena.

      Que o Ben Reed não é um santo já toda a gente sabe. Que os Super Dragões baseiam as suas exibições em insultos a terceiros também não é novidade para ninguém. Se há alguém que não quer ver isso e entende que é certo instruir ao insulto…

  2. JCN diz:

    é tudo mau… e desculpar uma coisa má, com outra…não vi o jogo, e por isso vou apenas abordar o tema de uma forma geral:

    sou capaz de apostar que metade das pessoas que estavam no pavilhão não sabe a regra dos apoios. ao contrário 90% das pessoas num estádio sabe, e bem, a regra do fora de jogo.

    Quero com isto quero dizer que, embora as pessoas sejam todas fundamentais num pavilhão, há um risco de termos pessoas sem o conhecimento do jogo, que acabam por ir na onda da multidão…bater palmas quando a claque bate…insultar quando eles insultam.

    um verdadeiro dilema…

  3. AQUIEALI diz:

    Comparar respostas de atletas dentro de campo em que temos atleta vs atleta com atletas a insultar e provocar deliberadamente o publico é de uma falta de consciência.

    Eu só referi que aqui acusaram, e bem, de os SD terem um grande uso dos insultos no suposto apoio a sua equipa, no entanto não vi condenar nem referir o mesmo tipo de atitudes aos jogadores do Benfica…

    Para mim prejudica mais o espectáculo a triste cena dos gestos do Ben Reed e amigos a irem para o balneário no fim do jogo e dos comentários tristes que os insultos e apupos do publico, porque dificilmente haverá jogos em que um interveniente no jogo não seja insultado, é normal do desporto e da competição.

    Em relação a saber ou não saber as regras, isso é realmente verdade, mas se só assistissem a basquet quem sabe as regras…

  4. JCN diz:

    eu frisei a importância de todas as pessoas no desporto, quantos mais espectadores melhor…mas se eles não entenderem o jogo tornam-no numa coisa diferente. por isso é que disse que era um dilema.

    melhores espectáculos, com menos gente acabam por resultar em piores espectáculos, por falta de receita.

    melhores espectáculos com má gente resultam, também em pior espectáculo

  5. Mesou diz:

    nada a fazer meu caro..

    nem todos somos fanaticos pelo desporto..

    á quem so queria ser fanatico pelo clube..

    o expectaculo ou o esforço dos atletas nada valem para quem so está lá para gritar por algo que é extra jogo..

    e infelizmente ainda teremos disto durante muitos anos.. pois como citast : “Durante o jogo foi inacreditável o que os pais portuenses ao meu lado foram fazendo com os filhos..incentivando-os a prolongarem os insultos vindos da claque…” enfim..

  6. Visite o “Arquivo do Basket”

  7. António Rodrigues diz:

    Eu não vi esse jogo. Apesar de ser simpatizante do FC Porto não sou sócio, e infelizmente os bilhetes estavam disponíveis apenas para sócios do FC Porto.
    No entanto, vi o último jogo contra o Barreirense e o ambiente era muito “saudável”. Muitas crianças, muitos adultos, e quase não houve insultos. Digo quase porque me lembro de um momento do jogo em que um funcionário do Barreirense que estava no banco se insurgiu, sem razão, contra a mesa e foi fortemente insultado e assobiado.
    Penso que é desnecessário dizer que, apesar de haver tarjas das claques do FC Porto, contavam-se pelos dedos de uma mão os elementos que assistiram ao jogo.

  8. Kyemin diz:

    Acho por bem dizer que sou do F.C. Porto desde menino, na minha época de iniciados ia aos treinos e aos jogos, tive a fortuna de ter amigos no ambiente de basquetebol do F.C. Porto que moravam 3 andares acima de mim, portanto toda aquela atmosfera era muito fácil de identificar e tenho a dizer o seguinte:
    Nunca o futebol se misturou com o basquetbol no F.C. Porto. São culturas completamente diferentes. Dentro do clube, os do “basket” olham para os do futebol como se fossem de outro mundo e vice-versa. Simplesmente nunca nos interessou as matérias uns dos outros, sendo que ambos queremos apenas e só, a vitória do F.C. Porto e afirmação pessoal como atletas.
    Transportar as claques de futebol para um encontro do F.C. Porto de basquetebol é claramente um movimento intimidatório que recuso acreditar que seja conivente com o Departamento de Basquetebol do F.C. Porto.

    É óbvio que serão coisas ligadas ao Clube, com total direito e legitimidade para o fazer. E não é exclusivo do F.C. Porto.

    Quem anda, ou andou, no “basket” sabe bem a quantidade de vezes que nos pavilhões pequenos e antigos de Portugal, o público nos escarra na cabeça, insulta as nossas mães, pais, cães e gatos, e se for preciso puxam-nos a camisola numa reposição lateral e perguntam-nos “Olha lá! Queres uma espera lá fora ó &#%$%?!”.

    O Basquetebol português é lindo e vocês não imaginam a quantidade de jogadores “profissionais” que andam aí “ao abandono” e que seriam capazes de dignificar o nome de Portugal no MUNDO.

    Tivemos uma geração fantástica a iniciar em 98 e que ainda rende hoje (o basquetebol pode jogar-se muitos anos!) e onde está o aproveitamento disso?!
    Só vi o Nuno Marçal e desculpem, mesmo ele, “tadinho”… Só mesmo no F.C. Porto é que existe alguma abertura para jogadores com o perfil dele, pena que a estrutura também esteja sempre sujeita aos seus limites humanos.

    Resumindo, faz parte do basquetebol este tipo de audiência (os jogos na Grécia e Itália seriam motivo de notícia todos os dias se não fosse assim!). Há que aceitar isso, preparar as equipas e jogadores para esses momentos também, galvanizar forças a partir da energia contrária do adversário e jogar basquetebol!
    A filosofia de basquetebol do F.C. Porto nunca foi pautada pela intimidação mas sim, pela boa qualidade do serviço prestado ao basquetebol nacional através da possível mas constante formação de atletas.

    Aliás, na cidade do Porto há profundas raízes do basquetebol nacional, de louvar de pé, desde o F.C. Porto, aos Salesianos, ao Vasco da Gama, e a todo o tradicional desporto escolar onde grandes atletas como eu (obrigado, obrigado XP) vingaram fortemente.
    É o único reparo que faço ao basquetebol nacional.
    A quantidade de grandes atletas que se perdem no desporto escolar por não haver nos clubes e federações pessoas a vasculhar esse mercado.
    A NBA vive do desporto escolar. Das Universidades.
    Encontram o produto no auge da sua formação e não o deixam escapar. Por isso, o Dream Team é Americano 100%.

    Sugiro que façam um favor ao basquetebol nacional e que procurem criar uma estrutura de formação e captação através dessas redes tradicionais.
    São capazes de ser surpreendidos e iriam de certeza recuperar grande parte do interesse nacional na modalidade.
    E estudem a história do basquetebol no Desporto Escolar, encontrarão grandes “dérbis”, grandes jogadores, grandes treinadores, a emoção que falta no basquetebol português.

    A partir daí, o caminho é para a frente! 😛

    Quanto a mim, uma pré-época e estou pronto para mostrar no campo o que digo com as letras. ;P

    Abraços!

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