Contradições

Janeiro 16, 2010

No final do ano passado o, ainda, presidente da F.P.B. deu uma entrevista ao site da entidade que preside. Nesta entrevista revelou alguns dos seus pontos de vista, meteu um pouco os pés pelas mãos, tentou atirar areia para os olhos e criticou os seus. Estranho? Tendo em conta de quem se trata…talvez não seja assim tão estranho.

Tentemos então analisar algumas das suas ideias.

1. “Não é justo dizer-se que apoiamos menos o sector feminino.

Pois não! Realmente se atentarmos à organização dos Campeonatos Seniores não é nada justo dizer que a Federação Portuguesa de Basquetebol apoia menos o sector feminino. Começando pela qualidade das equipas de arbitragem, e pelo número de árbitros presentes na LPB e na Liga Feminina. Passando pela simples questão da obrigatoriedade do levantamento estatístico informatizado. E nem sequer vale a pena falar na qualidade e na escolha criteriosa que a FPB teve na escolha do Seleccionador Nacional de Seniores Femininos. Essa escolha comparada com a que foi tomada para a equipa de Seniores Masculinos, parece seguir uma linha de equidade notória.

E em relação à promoção e às estratégias de divulgação das competições femininas em Portugal. É necessário falar? Se já no sector masculino esta pecha é de grande dimensão, no feminino parece que o termo mais apropriado é ‘inexistente’. Seja para o feminino, seja para o masculino, já ia sendo tempo desta direcção se preocupar em reunir um Departamento de Marketing competente. Pelo que consta no mercado, até há empresas destinadas a tratar disso mesmo. Digo eu…  Falaremos um pouco mais deste assunto no ponto 4.

Há ainda os discursos e as entrevistas do, ainda, presidente Mário Saldanha nos quais o mesmo parece esquecer-se que existe basquetebol feminino em Portugal. Mas a esse assunto voltaremos no ponto 3. deste texto.

2. “O modelo para futuro tem a ver com o crescimento da actual Liga, o que deverá proporcionar um novo modelo de competição, a ser pensado.

A pergunta pedia uma resposta para um novo modelo que, subentendia-se, respondesse à súbita falta de visibilidade da Proliga, competição que na presente temporada acabou por ver fechar-se a janela de oportunidade que tinha para promover os seus clubes. Então como responde Mário Saldanha? Falando num possível alargamento da Liga que, supostamente, irá dar lugar a um novo modelo de competição. Qual? Ainda não se sabe, ainda não foi pensado, ainda não está definido.

Isto é, foi uma resposta cheia de suposições na qual a única certeza é a de que a Proliga é, cada vez mais, uma montra quase invisível no basquetebol nacional.

3. “Verifica-se também que os jovens atletas não chegam aos clubes da Liga e, se algum os alcança, quase sempre é só para treinar.”

Lembram-se de nesta mesma entrevista o, ainda, presidente da FPB ter dito que “Não é justo dizer-se que apoiamos menos o sector feminino.”? Pois bem, parece que o próprio, ainda, presidente se esquece, durante os seus discursos, que existe basquetebol feminino em Portugal, e que existem Centros de Treino destinado a atletas de basquetebol do género feminino, e que existe uma Liga Feminina de basquetebol.

Caso Mário Saldanha não tivesse estes esquecimentos, certamente teria bem presente na sua memória que jogadoras como Larisse Lima, Michelle Brandão, Daniela Domingues, Maria João Andrade, Catarina Neves, Inês Faustino, Luiana Livulo, Luzia Lampreia, Telma Fernandes, Joana Bernardeco são casos recentes de jogadoras que estiveram integradas nos Centros de Treino – Calvão e/ou Jamor – e que chegaram aos clubes da Liga, e não estão lá apenas para treinar.

Quanto aos Centros de Treino destinados ao sector masculino, de facto tem-se verificado uma maior dificuldade de inserção de jovens talentos nas equipas da Liga. Isto pode acontecer por diversos factores, mas sem dúvida alguma que uma grande parte desse insucesso advém da falta de preparação necessária para que os tais jovens cheguem ao basquetebol sénior em Portugal. Assim sendo, o que tem sido feito para avaliar o trabalho desenvolvido? O que tem sido feito para aproximar a realidade dos clubes à realidade dos Centros de Treino, ou vice-versa?


4. Os grandes objectivos para o próximo mandato

É deveras reconfortante reparar que alguns dos grandes objectivos para o próximo mandato de Mário Saldanha não são mais do que a aplicação das leis que passarão a estar em vigor. Com tanto para melhorar o, ainda, presidente indica a alteração da área restritiva e a redefinição da linha de 3 pontos como grandes objectivos para o próximo mandato.

Há ainda a vontade de realizar uma Supertaça Portugal-Angola. O que ontem era água, hoje é vinho.


Tenho dito.sic.

Janeiro 12, 2010

A navegar na blogoesfera encontrei estas duas autênticas pérolas de Jorge Araújo numa entrevista à Antena 1, em Maio de 2009. Para guardar no baú.

JORNALISTA: O treinador Jorge Araújo procura sempre formar a melhor equipa?
JA: (..)A melhor equipa não é uma coisa em abstracto. A melhor equipa depende dos objectivos e resultados que se pretendem alcançar. Uma imagem da minha modalidade é elucidativa: se alguém me pede que eu ao treinar uma equipa de basquetebol não me preocupe tanto com os resultados mas me preocupe mais com o espectáculo do jogo, obviamente o tipo de equipa a formar, a melhor equipa que eu vou procurar formar, não é nem de longe nem de perto a mesma equipa se me pedem resultados a curto prazo. Portanto a melhor equipa não pode ser entendida em abstracto tem sempre que ser entendida relativamente ao objectivo e às circunstâncias.

JORNALISTA: Vivemos numa sociedade muito competitiva.
JA: Generalizou-se a ideia que é preciso competir e que vale tudo para ganhar. Ora aquilo que os meus mestres norte-americanos me ensinaram era que não era esse o sentido. Porque esse sentido não permite que eu coopere, não permite que haja situações em que todos ganhemos, por exemplo. Este tipo de questão de que vale tudo desde que ganhemos é produzir terra queimada! (..)Tem que haver, regulação, regras, princípios. Repare, eu vivi experiências na NBA como uma que eu falo nesse livro que foi: a de me sentar junto do realizador que tinha o guião em que durante 4 horas, ele tinha ao minuto, ao segundo, o que teria que acontecer. Para meu espanto, abro o guião e vejo “Abrir o portão” e vou à última página e vejo “Fechar o portão”, ou seja, o grau de pormenor…. e com um quadradinho à frente onde estava registado quem abria o portão….. e o português que era eu, quando vi “Abrir o portão” disse: “Com franqueza, se não se abre o portão não há jogo!!!”, e logo me disse: “Não, não….. tem que haver um responsável” “e à hora que abre o portão porque isto tem que ficar controlado”, este grau de rigor, este grau de exigência a que todos se habituam, onde acontecem surpresas apesar do guião……. uma senhora tipo beijoqueira que num determinado momento surpreende corre pelo campo e vai beijar o treinador, não estava nada previsto que isso acontecesse mas o treinador que é um senhor, que quem olhasse para ele nunca acreditaria que aquilo era possível, mas ele imbuído do espírito da coisa, faz algo que durante 4 dias foi transmitido em todas as televisões a nível mundial que foi, quando a senhora lhe deu o beijo…. (e a senhora era verdadeiramente espectacular pelo volume corporal que tinha) ele simulou um desmaio!! E ao simular um desmaio imagine o que foi isto nos órgãos de comunicação…. E o jogo era decisivo para a equipa dele. Entre nós dir-se-ia logo: “Não, o treinador tem que estar com um grau tal de concentração que ele é incapaz de colaborar, é incapaz de tal”, eu assisti a jogos decisivos onde era permitido a dois ou três dos responsáveis da equipa terem uns cadeirões e assistiam à preparação do jogo dentro da cabine. Isto é um contributo para o todo. É importante para todos que haja esta ideia do objectivo comum mas estamos a competir na mesma.


À conversa com Jonah Callenbach

Agosto 23, 2009

Jonah Callenbach 03

Durante o Europeu de Sub16 Masculinos tive a oportunidade de falar com Jonah Callenbach, o miúdo luso-holandês que jogava no Estoril Basket e que o ano passado se mudou para Espanha para jogar no Fuenlabrada, e seguir em busca do sonho de jogar na ACB.

Na minha opinião era um dos melhores jogadores da nossa selecção de Sub16, e de todos os atletas com quem falei, Jonah foi sem dúvida um dos que mais maturidade e inteligência demonstrou – talvez por isso acredite que este poderá ser um caso de sucesso no basquetebol português. Por ter alguma curiosidade face ao que o jovem jogador encontrou em Espanha, e por pensar que o testemunho deste jovem poderá ajudar treinadores e jogadores a trabalhar melhor, resolvi falar com ele, e dar a conhecer como tem sido a experiência de Jonah Callenbach em Espanha.

A entrevista foi publicada no Planeta Basket, e quem não teve oportunidade de ler, ficam aqui os links de uma entrevista de duas partes que vale a pena ler.


Rui Fonseca, o treinador campeão em sub-18

Maio 23, 2009

Rui Fonseca, timoneiro dos sub-18 vascaínos que se sagraram campeões nacionais no último fim de semana, marca  o regresso das entrevistas ao Seis25. Discurso simples e objectivo, aos 27 anos e com o curso de nível II já feito,  o treinador do Vasco aborda a formação e projecta o estado actual do seu clube do coração.

Seis25  –  Tens um percurso de vida peculiar, já foste tudo no Vasco da Gama – de jogador a líder de claque, passando por adepto e dirigente – … como é que decidiste ser treinador?

yuran2Rui Fonseca – É um facto, já fiz de tudo no Vasco, sendo que continuo a fazer mas agora também acumulando as funções de treinador. Com 15 anos (ainda era atleta na equipa de cadetes), comecei a colaborar no minibasquete a pedido do falecido Manuel Nunes. O entusiasmo foi crescendo e estive 7/8 anos no minibasquete, depois o clube propôs-me outro escalão, os cadetes,  onde estive 2 anos (sendo que nunca treinei iniciados). Finalmente tive a oportunidade de treinar os Juniores B (sub-18).

Seis25  –  Naturalmente, treinar Juniores B é muito diferente  de treinar minibasquete…

RF – Sim, claro. Com o minibasquete fazem-se uns treinos de basquetebol com muita brincadeira pelo meio, que é essencial naquelas idades. Nos Juniores B é preciso outro tipo de postura, é necessário outra mentalidade, uma forma diferente de interagir e falar com os atletas…

Seis25  –  Quais são as tuas referências como treinadores de Basquetebol?

RF – Muitas das coisas que aplico e sei, aprendi-as com o Fernando Sá. Fui jogador dele, fomos inclusivamente campeões nacionais em 1999/2000, no último título do Vasco anterior ao que acabámos de conquistar. Deu-me muitas opiniões. O que aprendi como atleta, aquilo que retive das épocas em que joguei, mesmo ao nível dos exercícios de treino, aplico agora como treinador.

Seis25  –  Para ti é mais importante o ataque ou a defesa? Passas a maior parte do treino a trabalhar que momento do jogo?

RF – Procuro trabalhar naturalmente ambos os aspectos. Mas sou mais apologista do trabalho de defesa. Acredito que a defender é que se ganham jogos. A nossa equipa é a prova disso, pois este ano tem uma média de pouco mais de 60  pontos sofridos por jogo. A boa defesa acaba por fazer parte também da cultura do Vasco da Gama. Em termos ofensivos é que já não somos tão eficazes, há dias em que os lançamentos não saem tão bem (um exemplo disso foi o 2ºjogo da final four contra o Algés).

Seis25  –  Como te procuras relacionar com os teus atletas? É difícil gerir o facto de seres treinador, mas também um amigo?

RF – Eu tento ser treinador e amigo dos meus atletas. Muitas vezes lhes digo que tenho de saber estar no papel deles e estar no meu ao mesmo tempo. Mas quero que eles também saibam fazer o contrário. Durante a hora de trabalho temos de trabalhar. Acabando os treinos ou mesmo antes dos treinos, brinco muito com eles, pois eu também já fui atleta e sei que isso é importante. Por exemplo, o Fernando Sá era para mim como um irmão, um braço direito, mas durante a hora de trabalho éramos diferentes, queríamos trabalhar para os objectivos. Tem de existir disciplina, nós sem ela não teríamos chegado ao título nacional.

Seis25  –  Sempre foi um objectivo ser campeão nacional de sub-18? No Vasco trabalha-se para ganhar títulos ou para formar jogadores?

RF – Não se trabalha para ganhar títulos, tanto é que eles aparecem de vez em quando, de 10 em 10 anos. O ano da minha equipa foi sendo projectado patamar por patamar. Primeiro tentámos vencer o distrital e conseguimos, depois chegámos à Fase Final Nacional com muitas dificuldades, e finalmente, uma vez lá, só podíamos jogar para ganhar . No ano passado, com os cadetes também fomos à fase final, sendo que não eram todos os que jogaram este ano pois 4/5 eram de outra geração. Para o próximo ano praticamente toda a equipa jogará novamente no mesmo escalão. Outro aspecto digno de registo é que este ano fomos a única equipa que tinha um cadete de primeiro ano (de 94) no plantel, e ainda por cima a jogar no cinco inicial.HPIM0378

Seis25  –  O Vasco este ano não teve seniores, mas teve boas prestações na formação – nomeadamente sub-20, sub-18. É difícil trabalhar na região do Porto?

RF – Em Sub-20 tivemos um ano com algumas dificuldades por causa do número de atletas mas acabámos por fazer uma boa época, indo à fase final distrital e conseguindo um 5ºlugar na zona norte do nacional. Em relação aos escalões mais baixos, cada vez temos mais dificuldades. Aliás os nossos miúdos já não são como os de antigamente, não são assim tantos da Sé ou da Ribeira, deixámos de ser tanto um clube de Bairro como as pessoas dizem. Temos alguns é certo, mas também temos de Rio Tinto, de Valongo, de Gaia…os pais precisam de trazê-los cá, é complicado…No minibasquete estamos com uma média de 26/27, precisávamos de mais, é pouco, enquanto nos iniciados temos uma equipa de 24/25…

Seis25  –  Em relação ao teu futuro como treinador tens objectivos de carreira?

RF – Não penso nisso. Para já estou no Vasco, dá-me muito prazer ganhar títulos no Vasco. À partida ficarei com o mesmo grupo, já se falou igualmente nos seniores, mas também não me importo de andar para trás e treinar uma equipa de iniciados pois é preciso pensar no futuro do clube e dos que estão nos escalões mais abaixo. A nova direcção tem tentado levantar o clube e levá-lo para bom porto, tem colaborado muito com os treinadores, tem ouvido os que estão cá há mais tempo como eu e isso agrada-me. Já disse aos meus atletas, “quem me dera daqui a 4/5 anos ver-vos a todos a jogar nos seniores do clube”, isso dar-me-ia prazer.

Seis25  –  Achas possível que algum dia os treinadores de basquetebol possam viver somente da sua actividade desportiva?

RF – Não penso que seja possível, até porque os clubes vivem cada vez pior financeiramente. Eu neste momento ganho um ordenado  como funcionário do clube – pois faço secretaria, trato de inscrições, etc.. – e ganho outro como treinador. Mas ando cá mais por gosto, pois o que o clube dá é mesmo o que o clube pode dar…[risos] Agora, não duvido é de outra coisa, há muitos clubes piores que o Vasco da Gama neste momento….

Seis25  –  Como analisas o estado do Basquetebol Português?

yuranRF – Este ano não acompanhei muitos jogos de Liga e Proliga. Estive mais ocupado a ver jogos de cadetes, jogos dos campeonatos nacionais de Juniores A e B de várias equipas, estive concentrado na formação. Acompanhei apenas um jogo do VtGuimarães…Acho que não faz sentido nenhum o modelo competitivo das jornadas cruzadas, que tem como consequência muitos jogos desequilibrados e um acréscimo nas despesas dos clubes com deslocações e arbitragens

Seis25  –  Uma mensagem para os jovens que querem seguir a carreira de treinador de basquetebol..

RF – Penso que é importante percorrer um caminho por etapas, ir aprendendo, apostar na formação (acho que foi muito importante por exemplo no meu caso fazer o Nível II, onde aprendi muito com treinadores como Carlos Gouveia, Carlos Pinto, Gradeço ou o Prof.Barata quer ao nível da minha postura com atletas quer ao nível técnico e táctico). É preciso aprender também a ser um treinador amigo.

Seis25  –  Este foi um ano especial para o Vasco, por causa da morte do Sr Nunes, este título é para ele?

RF – Naturalmente, este título é dedicado ao Sr Nunes. Fomos homenageá-lo  inclusivamente ao cemitério.

——————————–LANCE LIVRE———————————-

LeBron James ou Kobe Bryant?  Kobe Bryant

Francesinha ou Tripas? Francesinha

Fino ou Imperial? Fino

Ribeira ou Foz? Ribeira

NBA ou ACB? ACB

Jorge Araújo ou Luis Magalhães? Jorge Araújo


Notícias de Belgrado

Abril 15, 2009

Foi publicada hoje no site da FIBA uma entrevista com João Soares, o jovem extremo português que no passado Verão trocou Ovar por Belgrado para evoluir no Partizan e no basquetebol sérvio. Emprestado à equipa do Vizura Belgrado, João Soares tem conhecido uma realidade diferente, trabalhando todos os dias para melhorar o seu jogo, no sentido de alcançar um dos seus objectivos: jogar na Euroliga.

Leia aqui a entrevista de João Soares em FIBA.com!


Fernando Sá – a entrevista

Junho 19, 2008

Voltam as entrevistas ao Seis25, desta vez com Fernando Sá, actual treinador da equipa do Vitória M. Couto Alves. Em dois anos ao serviço do Vitória M. Couto Alves, Fernando Sá conquistou um Campeonato Nacional e uma Taça de Portugal, e mais recentemente levou a formação vimaranense à sua segunda final consecutiva da Proliga. A sua liderança forte, e o espírito colectivo, solidário e combativo que consegue transmitir para os seus jogadores têm dado resultados evidentes. Nesta entrevista destaca a importância da Defesa para o sucesso colectivo, e ainda a Paixão pelo Basquetebol – algo bastante presente nas equipas que orienta.

Falemos da época que recentemente terminou: O Vitória era uma equipa muito unida dentro de campo, agressiva, que defendia muito bem. Tinha Tommie Eddie, um dos melhores estrangeiros a actuar em Portugal (senão o melhor). Tem percentagens de tiro exterior bastante razoáveis. Joga sem quebrar o ritmo com 7 jogadores. Qual é para si a imagem de marca do Vitória que construiu nestes dois últimos anos?

A imagem de marca desta equipa, é acima de tudo a paixão que demonstra por aquilo que faz, neste caso a prática de Basquetebol, com uma vontade de vencer enorme e consequentemente em melhorar, em termos individuais, o que se reflecte obviamente no colectivo.

A defesa press 3×2 a meio campo (com Tommie Eddie à frente) que o Vitória tem utilizado em alguns jogos nos últimos minutos (com excelentes resultados por exemplo contra o Física na Taça ou em Ilhavo para o campeonato) é inspirada na defesa press do Benfica nos seus tempos áureos?

Esta é uma defesa que usamos em circunstâncias muito especiais, não só, como pode parecer ,para recuperar resultados, mas também para uma mudança de atitude dos meus jogadores. Não é inspirada no Benfica, é simplesmente a defesa que optei usar na minha equipa, por se adequar melhor às características dos meus jogadores.

Na nossa opinião, e na opinião de muitos seguidores de basquetebol, o Vitória é a equipa que melhor defende na Proliga. A importância que atribui à defesa, e a solidez que a sua equipa apresenta são reflexo do excelente defensor que era quando jogava?

Poderá ser sim. No meu ponto de vista a defesa é o parâmetro que menos se desenvolve no Basquetebol do nosso país, e é através dela que se vencem títulos e ao contrário do que muita gente pensa que mudar a atitude dos jogadores relativamente a este aspecto é praticamente impossível, eu não concordo, se lhe dermos a mesma importância que aos outros aspectos os resultados aparecem, agora é verdade que dá muito trabalho.

Que importância atribui ao tempo em que esteve a treinar na formação? Sente-se um treinador de seniores ou acha que um dia se sentirá tentado a voltar a treinar outros escalões?

Foi uma decisão que tomei na minha formação como treinador e de que em nada estou arrependido. Na verdade sinto que a minha formação como treinador não acabou, nem vai acabar nunca, porque quanto mais leio, ouço ou observo mais dúvidas me surgem, aumentando a minha responsabilidade de formação contínua como treinador, no entanto voltar à formação neste momento não faz parte dos meus planos.

Como avalia o trabalho de formação que se faz em Portugal?

Não sou provavelmente a pessoa mais indicada para avaliar o trabalho dos outros e muito menos da formação visto que já não sou treinador destes escalões à algum tempo acredito que se não fazem melhor é porque muitas vezes não lhes são criadas as condições necessárias, no entanto olhando para as nossas provas e observamos que quem continua a fazer a diferença são jogadores de gerações passadas, ex: Nuno Marçal no FCP, Pedro Nuno no Vagos, José Costa no CAB, etc…

Enquanto treinador sénior quais considera serem as principais lacunas dos jogadores nacionais? Perguntando de outra forma, quais considera que deviam ser os aspectos técnicos e tácticos a que os treinadores da formação deveriam dar mais atenção?

A defesa sem dúvida! Temos jogadores muito desenvolvidos tecnicamente, mas sem noções defensivas. Como já referi defender não é só atitude tem muita técnica e muitas noções teóricas para se transmitirem aos nossos jogadores.

Considera a Proliga um bom espaço para o jovem jogador português desenvolver as suas capacidades?

Todo o espaço é bom quando temos paixão por aquilo que fazemos, não é na competição que isso se trabalha. Acima de tudo temos que saber transmitir esse sentimento aos jogadores para que eles não desistam nunca. Os nossos jogadores têm alguma culpa pelo que estão a passar, passam muito a reclamar por oportunidades sem fazerem nada por merecerem. Temos primeiro que dar e provar, para depois recebermos.

O Fernando está muito ligado ao Sporting Clube Vasco da Gama, um clube histórico da modalidade em Portugal, com uma massa adepta muito característica, inserido numa rede social diferente das demais e onde foi treinador e jogador. O que é para si «jogar à Vasco» e «ser do Vasco»?

Ser Vascaíno é algo que eu sei o que é e felizmente já muita gente também o sabe. Muitas das coisas que referi anteriormente, foi neste clube que aprendi, a vontade de vencer, a paixão pela modalidade, o sacrificarmo-nos em prol da equipa, a felicidade que sentimos por precisarmos uns dos outros e para além disso e mais importante, é um sítio que sabemos que vamos sempre encontrar lá AMIGOS, seja em que altura ou com que frequência for.

Muitas vezes referiu em entrevistas que não abdicou da sua carreira de professor porque em Portugal não é sustentável viver apenas do Basquetebol. Gostaria de um dia poder viver apenas do seu trabalho como treinador?

Sim, gostaria de um dia fazer só aquilo que mais gosto de fazer, mas infelizmente o desporto nacional não nos dá estabilidade nenhuma.

Recentemente quando o comparavam com Mourinho referiu que não tinha nada a ver, mas que «ambos compreendiam que para “ganhar” os jogadores, o respeito tinha de ser reconhecido e não imposto». No seu entender, quais são as características necessárias para se conseguir liderar uma equipa?

Principalmente o respeito, a honestidade, justiça e obviamente o trabalho sério e rentável. Tento transmitir aos jogadores constantemente, a necessidade de continuamente traçarem novos objectivos individuais para que a sua evolução seja continua e permanente. A nossa aprendizagem nunca está completa.

Qual a(s) sua(s) referência(s) como treinador de Basquetebol?

Prof. Jorge Araújo.

Que conselhos gostaria de deixar aos jovens que se estão a iniciar na carreira de treinador de basquetebol?

Que não tenham pressa, que criem para eles mesmos novos desafios e sempre que sentirem que quanto mais se formam, mais dúvidas tem, estão no bom caminho.

 

Da Linha Dos Seis 25:

Esquerda ou Direita? Esquerda

Michael Jordan ou Magic Johnson? Michael Jordan

Tripas ou Francesinha? As duas e ao mesmo tempo se possível

No Banco ou dentro de campo? Dentro do campo

Profissionalismo ou Semi-profissionalismo? Profissionalismo


Um dois três, diga lá outra vez

Abril 9, 2008

Aqui, aqui e também aqui. Esta última foi genial, não acham?

E já agora, Fernando Sá em discurso directo, aqui e aqui

Boas leituras