Melhor dia de abertura da história?

Março 19, 2010

Parece que os resultados do dia de abertura da Grande Dança de 2010 querem dar razão ao Comité da NCAA acerca do alargamento do número de equipas participantes no March Madness.

Naquele que já é considerado por alguns como o melhor dia de abertura do Torneio da NCAA, vários foram os jogos em que equipas menos cotadas no ranking da presente temporada bateram e mandaram para férias equipas que à partida estavam melhor posicionadas para avançar para as fases seguintes da Grande Dança. Deixamos aqui os jogos em que as equipas pior posicionadas venceram os seus adversários:

  • Wake Forest (#9) venceu Texas (#8) por 81-80 com um lançamento convertido a 1.3 segundos do fim;
  • Northern Iowa (#9) mandou UNLV (#8) para casa com o resultado final de 69-66. Beneficiou de um triplo convertido nos últimos 5 segundos de jogo;
  • Saint Mary (#10)  derrotou Richmond (#7) por 80-71;
  • Washington (#11) bateu Marquette (#6) por 80-78, convertendo um lançamento com menos de 2 segundos para jogar;
  • Old Dominion (#11), a Universidade de Ticha Penicheiro, venceu Notre Dame (#6) de Luke Harangody por 51-50;
  • Murray State (#13) venceu, ao soar da buzina Vanderbilt (#4) por 66-65;
  • Ohio (#14) bateu a favorita Georgetown (#3) por 97-83.

Mas a grande surpresa esteve para acontecer no jogo entre Villanova (#2) e Robert Morris (#15). A equipa de Scottie Reynolds esteve a perder por 8 pontos perto do final do jogo, mas conseguiu levar o jogo para prolongamento evitando assim um resultado surpreendente. Na próxima ronda, os Wildcats de Villanova irão defrontar Saint Mary, uma das surpresas do primeiro dia do Torneio da NCAA.

Hoje segue a Dança. Continuarão os resultados surpreendentes?

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Vamos para a Grande Dança

Março 17, 2010

Começa amanhã, dia 18 de Março, a Grande Dança!

As quatro equipas que tínhamos apontado como favoritas foram indicadas com o estatuto de #1 para cada uma das 4 Regiões de disputa do Torneio da NCAA. Assim, temos os Kansas Jayhawks na Região Midwest, os Kentucky Wildcats na Região East, os Syracuse Orange na Região West e os Duke Blue Devils na Região South. Então, e após ser conhecida a Árvore de Jogos, quais as perspectivas das equipas sediadas nas primeiras posições?

Teoricamente a equipa mais beneficiada até foram os Duke Blue Devils, que terminaram a Fase Regular como a equipa #4 do país. No seu caminho não surgem grandes oponentes, ou equipas que possam ter um percurso de sucesso consistente na Grande Dança. Villanova, a segunda melhor equipa desta Região, não teve uma época por aí além e até foi eliminada no Torneio da Conferência Big East pela Universidade de Marquette. Aliás, os Wildcats de Villanova são mesmo considerados uma das menos fortes equipas entre as que obtiveram o estatuto de #2 para as respectivas Regiões. As lacunas defensivas de Villanova serão exploradas ao máximo pelo trio Nolan Smith, Jon Scheyer e Kyle Singler, isto se chegarem ao confronto com os Duke Blue Devils já na fase Elite Eight. Antes de chegar a essa fase quem se poderá cruzar com os Blue Devils será a Universidade de Purdue, mas sem Robbie Hummel as perspectivas de sucesso não serão muitas. Desta forma, a equipa de Mike Krzyzewski parece ter uma passadeira vermelha estendida até Indiana, onde se disputará a Final4. Conseguirão os experientes Duke Blue Devils aproveitar o sorteio teoricamente favorável?

Pelo contrário, no pólo oposto estão os Kansas Jayhawks. A equipa de Bill Self foi considerada a melhor do país, mas parece ter calhado na Região mais forte do Torneio da NCAA de 2010! Este grupo está repleto de potências do basquetebol universitário, lideradas por treinador com anos de experiência nesta competição, e com jogadores que sozinhos poderão decidir jogos, alguns deles referenciados nos textos em que demos atenção às individualidades deste ano da NCAA. Assim, na Região do Midwest o comité da NCAA juntou equipas como Michigan State, Maryland, Georgetown, Ohio State e Tennessee. O calendário não parece nada fácil para a Universidade de Kansas, e chegar a Indiana vai ser uma dura guerra, com equilibradas batalhas. Mas os Jayhawks são considerados a melhor equipa do país, e certamente que demonstrarão em campo o porquê de ostentarem esse estatuto, apoiados no trio de luxo composto por Sherron Collins, Cole Aldrich e Xavier Henry.

A época está a ser de sucesso para a nova equipa de John Calipari, os históricos Kentucky Wildcats renovados com o grande talento de John Wall e DeMarcus Cousins. No entanto, em Lexington só chega o sucesso quando se conquistam títulos, e para que Kentucky chegue à Final4 de Indiana vai ter um difícil trajecto, especialmente se se tiver em linha de conta que foi na sua Região que calhou a Universidade de West Virginia, que segundo alguns analistas deveria ter sido considerada como #1 para uma das quatro Regiões de competição, principalmente após se terem sagrado campeões da competitiva Conferência Big East. Há ainda a Universidade de Baylor que deverá receber alguma atenção, pois os seus desempenhos em 2009-2010 fazem desta equipa uma das mais perigosas da NCAA. No entanto, Kentucky e West Virginia parecem ser as mais fortes da Região East, e se ambas se mantiverem afastadas de surpresas e chegarem à Fase de Elite Eight, certamente que será um intenso duelo e um grande jogo de basquetebol em Syracuse, onde se decidirá qual a equipa da Região que passará à Final4.

Por fim, quais os desafios que os Syracuse Orange terão de enfrentar para chegarem a Indiana? Logo à partida, e caso defronte Gonzaga na segunda ronda, os Orange de Syracuse serão postos à prova perante uma equipa surpreendentemente mal posicionada no ranking da NCAA. Os Bulldogs de Gonzaga são uma equipa atlética e com boas soluções individuais, que lhes permite alguma rotação de atletas com o objectivo de manter um ritmo de jogo elevado. Continuando a avançar na Região West, aparecem Universidades como Butler e Vanderbilt confiantes pelos desempenhos na presente época, e capazes de causar dificuldades às principais equipas, como poderão comprovar os Wildcats de Kentucky que por pouco não perdiam com Vanderbilt na Fase Regular da Conferência SEC. Se os Orange chegarem à fase Elite Eight o mais provável é que tenham de defrontar Pittsburgh ou Kansas State. Os Panthers de Pittsburgh fizeram uma grande Fase Regular vencendo algumas das mais conceituadas equipas da renhida Conferência Big East, e na Grande Dança poderão trocar o passo a equipas consideradas favoritas. Com o mesmo estatuto aparecem os Kansas State Wildcats que recentemente caminharam até à Final do Torneio da Big12, onde apenas foram derrotados pelos rivais dos Kansas Jayhawks. Assim, e apesar de não ser a região mais forte de todos, o trajecto dos Syracuse Orange até à Final4 será bastante complicado emotivo. Conseguirão lá chegar?


Alargar para estragar?

Março 15, 2010

No Torneio da NCAA participam 65 equipas, divididas por 4 Regiões: Midwest, West, East e South. 65 equipas parece um número um tanto ou quanto bizarro, explicado pelo jogo inicial disputado entre duas equipas de Conferências ‘inferiores’. Depois desse jogo, são 16 equipas divididas por 4 Regiões, em jogos a eliminar.

À medida que tem aumentado o número de equipas pertencentes à Divisão I, têm aumentado as vagas no Torneio da NCAA. Esta expansão tem resultado em jogos bastante desnivelados nas primeiras rondas do March Madness, quando as grandes potências defrontam as Universidades mais pequenas, com reduzidas aspirações de avançar no Torneio. No entanto, o comité da NCAA está a ponderar alargar o Torneio a 96 equipas!!!

Se isto se verificar serão 31 vagas a mais do que as que existem actualmente… Segundo alguns analistas de basquetebol universitário, esta alteração levará a que algumas Conferências apurem quase todas as suas equipas, tirando muita da emotividade existente à medida que a Fase Regular se aproxima do fim e algumas equipas procuram garantir uma vaga na ‘Grande Dança’.

Se no panorama actual alguns dos jogos das primeiras rondas já são marcados pelo desequilíbrio, como será se o Torneio da NCAA for alargado a 96 equipas? Será que a loucura de Março começará a desvanecer? Ou o entusiasmo das escolas menos consagradas conseguirá contagiar ainda mais o mítico Torneio do basquetebol universitário norte-americano?


Valores Individuais – Juniors

Março 12, 2010

A análise individual aos jogadores que na nossa opinião merecem maior destaque na NCAA segue com o grupo de jogadores com 3 anos de experiência no basquetebol universitário, os Juniors. A ordem pela qual são apresentados os jogadores não pretende ordenar qualitativamente ou preferencialmente os atletas em evidência, simplesmente apresentamos os 5 jogadores que mais nos agradam.

Kyle SINGLER, Duke University, SF, 206 cm

Kyle Singler ilustra o protótipo do típico jogador dos Duke Blue Devils: combativo, colectivo, inteligente, conhece e interpreta bem o jogo, detém um leque de fundamentos ofensivos bem definidos e que lhe permitem ter sucesso no basquetebol universitário. Apesar de não ter melhorado a sua percentagem de lançamento em relação ao último ano, Singler continua a ter no lançamento exterior uma arma letal, apesar de alternar bem o jogo interior com o jogo exterior: a este nível percebe quando tem vantagem de jogar em zonas interiores, conseguindo ter sucesso fruto do seu arsenal de movimentos ofensivos, tanto a jogar dentro como fora.

Esperava-se que este fosse o ano em que Kyle Singler liderasse inquestionavelmente os Blue Devils. Esperava-se que fosse o líder não só dentro de campo, mas também nas folhas de estatística, onde revelava dominar diversos aspectos do jogo. No entanto, tal não tem sucedido, e o extremo da equipa do ‘Coach K’, pode estar a hipotecar algumas das suas hipóteses de ser bem sucedido no Draft da NBA.

Mas ainda falta o mês mais emocionante da NCAA, e tendo em linha de conta a tenacidade de Singler nos momentos decisivos, pode ser que o jogador que figurou no documentário ‘Gunnin for that #1 spot’ realizado por Adam Yauch dos Beastie Boys, assuma as rédeas do jogo de Duke e volta a ter o protagonismo e a qualidade que lhe é apontada desde os seus tempos de High School.

Evan TURNER, Ohio State University, F/G, 201 cm

Evan Turner é um dos grandes candidatos a receber o prémio de Jogador do Ano da NCAA. Juntamente com o base de Kentucky, John Wall, Turner tem sido um dos grandes destaques individuais da temporada, conduzindo a sua equipa de Ohio State à liderança da Conferência Big Ten. E isto acontece numa temporada em que o conjunto de jogadores dos Buckeyes não é assim tão profundo em termos de qualidade individual.

Este é o caso de um jogador com os atributos técnicos e tácticos  de um base, mas com o corpo de um extremo. Evan Turner tem a capacidade de criar lançamentos para si e para os seus colegas, demonstra grande sentido colectivo e conhecimento do jogo, mas também ataca o cesto sem qualquer problema, fruto dos seus fundamentos ofensivos de grande qualidade. Não é de estranhar que seja o líder estatístico da sua equipa no que diz respeito a pontos marcados (19.5), ressaltos conquistados (9.4) e assistências efectuadas (5.8) por jogo. Além disso, na hora de defender Turner não se esconde, e dada a sua versatilidade consegue defender várias posições, sempre com boa eficácia.

Tendo de melhorar o seu lançamento de longa distância para se poder tornar numa verdadeira ameaça global no Planeta NBA, Evan Turner é um dos jogadores mais apetecidos para o Draft de 2010, e neste momento é um dos mais capazes atletas da NCAA, sendo um dos favoritos à conquista do prémio de Jogador do Ano. Conseguirá bater o caloiro John Wall?

Cole ALDRICH, University of Kansas, C, 211 cm

Se Sherron Collins é o grande líder da equipa dos Jayhawks, Cole Aldrich é a presença que domina as áreas próximas do cesto. E quando na temporada anterior os dois jogadores decidiram ficar mais um ano a jogar pela equipa do treinador Bill Self, cedo se percebeu que esta dupla causaria muitos estragos ao longo da temporada e do Torneio da NCAA.

Aldrich, um poste de 2.11m, surpreendeu muitos dos especialistas quando decidiu não avançar para o Draft de 2009, ficando mais um ano na Universidade de Kansas. E essa escolha poderá estar a prejudicar as hipóteses de Cole Aldrich ser escolhido nas posições mais elevadas, uma vez que o poste não tem melhorado os seus dados estatísticos durante a temporada de 2009-2010. Aliás, no que diz respeito à marcação de pontos e aos ressaltos conquistados Aldrich diminui drasticamente. Melhorou no aspecto dos desarmes, ostentando a impressionante média de 3.5 desarmes de lançamento por jogo.

A jogar de costas, perto do cesto, é um jogador muito difícil de ser defendido, já que sabe posicionar-se de maneira correcta a receber as assistências dos seus colegas que desequilibram a partir do exterior. No entanto, revela algumas dificuldades em criar lançamentos para si, e em jogar de frente para o cesto, com o seu lançamento de meia distância a ser uma pecha a corrigir. Na defesa, o seu domínio a este nível é total, e além da sua média de desarmes de lançamento e de ressaltos conquistados, ainda tem a capacidade para intimidar e alterar a trajectória de lançamentos dos seus adversários. Mesmo com estas limitações é candidato a ser escolhido no Top15 do Draft, e sem dúvida será a presença interior que os Jayhawks necessitam para reconquistar o título de campeões da NCAA.

Kalin LUCAS, Michigan State University, G, 183 cm

Um dos melhores bases da NCAA mora em Michigan State, outrora casa de um dos melhores jogadores de todos os tempos – Earvin ‘Magic’ Johnson. Mas em 2010, é Kalin Lucas quem assume o protagonismo de uns Spartans que pretendem repetir a presença na Final4, depois de o terem conseguido na passada temporada onde baquearam apenas na finalíssima.

Lucas é um base extremamente rápido, com uma excelente capacidade de drible, que sabe tirar grande vantagem das situações de bloqueio directo e que tem cada vez mais confiança no seu lançamento exterior e de meia distância, arma que vem usando mais regularmente. A sua maturidade e conhecimento do jogo são uma grande mais valia, e a capacidade que tem de manter os seus colegas a participar activamente no jogo fazem dele um base capaz, que não precisa de marcar 20 pontos para ter feito um grande jogo. No entanto, quando se vê um jogo de Kalin Lucas não se pode deixar de reparar na velocidade que o base dos Spartans imprime nas transições ofensivas da sua equipa, acelerando o jogo e raramente perdendo o controlo e a noção da decisão a tomar.

O sucesso da caminhada de Março dos Spartans dependerá em grande parte de Kalin Lucas, e de como conseguirá envolver os seus colegas para alcançar o sucesso colectivo. Sem dúvida que será um dos jogadores a seguir com mais atenção tanto pelos adeptos de basquetebol, como pelos olheiros da NBA que vêem em Kalin Lucas uma excelente opção para um base que salte do banco e consiga controlar os ritmos correctos a que a equipa deverá jogar e ainda que consiga que execute as jogadas planeadas, mantendo os seus colegas envolvidos no jogo. Poderá ser escolhido na 1ª ronda do Draft de 2010, se decidir candidatar-se.

Patrick PATTERSON, University of Kentucky, PF, 203 cm

Quando a decepcionante época de 2008-2009 dos Kentucky Wildcats terminou, muito se especulou sobre o futuro de dois dos principais jogadores da equipa de Lexington: Jodie Meeks e Patrick Patterson abandonariam o barco e candidatavam-se ao Draft da NBA, ou permaneceriam a jogar na Rupp Arena perante os fiéis seguidores dos Wildcats? Jodie Meeks saiu, Patrick Patterson ficou, muito por culpa de John Calipari, o novo treinador de um dos históricos programas de basquetebol da NCAA.

Ao continuar no basquetebol universitário, ao continuar em Lexington, um dos objectivos de Patterson é, obviamente, ganhar! Devolver a glória aos Kentucky Wildcats e somar o 8º título da NCAA para esta Universidade. Outro dos seus objectivos é melhorar os seus fundamentos, principalmente o drible, os movimentos interiores de costas para o cesto, e as leituras tácticas ofensivas. Pretende melhorar para chegar pronto à próxima fase, a NBA. E apesar de os seus números individuais terem diminuído, percebe-se que assim aconteça já que Kentucky tem agora mais soluções e não precisa de basear o seu jogo em apenas duas referências individuais. Um aspecto que merece destaque e que poderá ajudar Patrick Patterson a receber maior atenção por parte das equipas NBA é o lançamento exterior. Se no passado raramente, ou quase nunca, se aventurava em lançamentos para lá da linha de 3 pontos, este ano tem sido uma constante, e dos 31 jogos realizados, apenas em 4 deles não lançou um único triplo.

Poderá não ter a altura ideal para jogar a PF, mas a sua capacidade atlética, a sua vontade de ganhar, e o medo que não tem, fazem de Patrick Patterson um feroz competidor, daqueles que nunca desiste até que a equipa chegue à vitória. Em Kentucky está, finalmente, a conseguir levar os Wildcats aos triunfos. Conseguirá repetir na NBA? Espera-se que seja escolhido no Top15.

Também considerados no núcleo de melhores jogadores Juniors: Manny Harris (Michigan), Robbie Hummel (Purdue), James Anderson (Oklahoma St.) e Malcolm Delaney (Virginia Tech.)


Valores individuais – Seniors

Março 10, 2010

Começamos esta análise individual pelos jogadores que na nossa opinião merecem maior destaque no grupo dos jogadores Seniors. A ordem pela qual são apresentados os jogadores não pretende ordenar qualitativamente ou preferencialmente os atletas em evidência, simplesmente apresentamos os 5 destaques que mais nos agradam.

Sherron COLLINS, University of Kansas, PG, 180 cm

O pequeno base dos Jayhawks tem sido o grande líder da equipa que por muitos é vista como a grande candidata ao título de campeão. Apesar da sua baixa estatura, Collins apresenta uma capacidade física impressionante, aliada a um excelente controlo de bola e a um cada vez melhor lançamento de meia e longa distância. Nos últimos anos tem melhorado o seu desempenho ao nível do lançamento, principalmente quando tem de lançar após drible.

Estas melhorias no seu jogo fazem dele um base diferente para melhor comparativamente ao jogador que em 2007-2008 integrava a equipa que se sagrou campeã da NCAA. Por essa altura, Collins era um base que entrava para mudar o ritmo do jogo, normalmente para o acelerar. Agora, sabe quando tem de acelerar e quando tem de parar o jogo. E esse conhecimento ajuda-o ainda mais a melhorar uma das suas grandes armas: a liderança, e a capacidade que tem para aparecer nos momentos decisivos das partidas e resolver jogos com alguma naturalidade.

A sua estatura pode ser uma condicionante para a próxima etapa, mas se o mês de Março correr de feição aos Kansas Jayhawks, é provável que Sherron Collins consiga o passaporte para o Planeta NBA.

Luke HARANGODY, University of Notre Dame, PF, 204 cm

Na temporada anterior os seus duelos com DeJuan Blair protagonizaram momentos espectaculares, de uma intensidade incrível. Aliás, a par de Thabeet, foram os dominadores da Conferência Big East. Em 2009-2010, uma lesão não permitiu a Luke Harangody estar presente em alguns dos mais importantes jogos da sua equipa, no entanto o possante extremo de Notre Dame está a fazer uma temporada ao nível da anterior com as médias de 23.3 pontos e 9.7 ressaltos por jogo. É a grande referência da sua equipa, e uma das principais referências da Conferência Big East.

Harangody é um extremo-poste com uma força impressionante, e com uma capacidade técnica acima da média para quem joga em áreas próximas do cesto. Nas últimas temporadas nota-se uma certa tendência para tentar rentabilizar de melhor forma o seu lançamento de meia distância e o seu jogo em zonas mais afastadas da área restritiva. No entanto, a reduzida mobilidade e explosividade em comparação com os seus opositores directos causam-lhe algumas dificuldades e Harangody tende a aproximar-se do cesto para ser bem sucedido.

O que lhe falta em centímetros e explosividade sobra-lhe em vontade e determinação. Luke Harangody deixa tudo em campo, bate-se como um gigante na luta das tabelas, ataca qualquer defensor que tenha pela frente e faz de tudo para conduzir os seus Irish à vitória. As suas limitações físicas poderão ser uma forte condicionante para que prossiga na NBA o sucesso que tem na NCAA, mas não será por falta de esforço que Harangody não construirá uma carreira no Planeta NBA.

Andy RAUTINS, Syracuse University, G, 196 cm

Este base canadiano dos Syracuse Orange tenta seguir as pisadas do seu pai, outrora estrela da equipa da Universidade de Syracuse e que durante duas temporadas alinhou na NBA. Para já, vai sendo uma das figuras dos surpreendentes Orange e uma das principais referências da selecção canadiana de basquetebol.

No seu ano de finalista em Syracuse, Andy Rautins tem evoluído o seu jogo para outras áreas que não a do lançamento, fundamento ofensivo no qual se tem revelado letal. Assim, vários têm sido os jogos em que Rautins acumula interessantes números em diversos capítulos estatísticos do jogo como assistências, ressaltos e recuperações de bola, juntando ainda uma melhorada capacidade defensiva. No entanto, uma das suas principais características continua a ser o seu lançamento de longa distância, tal como demonstrou no jogo contra Providence quando marcou 8 lançamentos em 12 tentativas para lá da linha dos 3 pontos.

Sendo os Syracuse Orange um dos grandes candidatos à vitória final, e uma das formações que melhor se aproximam do perfeito conceito de equipa, a liderança e a intensidade com que Andy Rautins vive cada jogo serão um dos principais factores de sucesso para a equipa de Jim Boheim continuar o sucesso que obtiveram durante a Fase Regular. O canadiano é considerado por muitos como a imagem real do que deve ser um jogador de Syracuse: trabalhador incansável que superou as suas limitações para alcançar o sucesso, emotivo e intenso dentro de campo. Chegará para dar o próximo passo?

Jon SCHEYER, Duke University, G, 196 cm

A temporada de 2009-2010 será a última que Jon Scheyer realizará pelos Blue Devils. E parece que o, agora, capitão de Duke guardou o seu melhor para o fim! As médias de 18.9 pontos e 5.2 assistências por jogo são o melhor registo de Scheyer durante a sua carreira universitária, e a sua excelente forma tem sido umas das chaves para o sucesso da Universidade de Duke, neste momento cotada como a 4ª melhor equipa do país.

Duas características têm saltado à vista nesta última temporada: o lançamento exterior, arma letal da equipa comandada por Mike Krzyzewski, e também o controlo de bola do #30 dos Blue Devils. Aliás, Scheyer é mesmo o melhor no país no que diz respeito ao rácio ‘assistência-turnover’, conjugando a experiência universitária que conquistou com o seu elevado conhecimento do jogo e consequente inteligência e domínio das leituras tácticas a realizar em cada momento. A segurança que o base dá à sua equipa poderá ser um importante trunfo na caminhada para a Final4 de Indiana, onde os Blue Devils querem voltar a marcar presença.

Alguns analistas vêem Scheyer como potencial escolhido na 2ª ronda do Draft da NBA. O seu conhecimento do jogo, o lançamento exterior e o controlo de bola são vantagens que contrapõem as limitações físicas evidenciadas. Outros analistas não acreditam que o base seja escolhido para a NBA, mas nesse caso, e face à sua ascendência judaica, poderá ter facilidade em obter passaporte israelita e brilhar no basquetebol europeu.

Greivis VASQUEZ, University of Maryland, SG, 198 cm

Greivis Vasquez é o grande líder da equipa da Universidade de Maryland. Para o bom e para o meu, Vasquez é o líder incontestável da equipa dos Terrapins. Este base venezuelano tem uma incrível mentalidade de guerreiro, daqueles que nunca desistem e que vivem cada jogo como se fosse o último. Tem uma energia contagiante, tanto para os seus colegas de equipa como para o público que aprendeu a idolatrá-lo ao longo dos 4 anos que Vasquez passou em Maryland.

Com uma confiança tremenda nas suas capacidades, o base venezuelano é um jogador que provoca inúmeros desequilíbrios e capaz de criar os seus próprios lançamentos, mas que também sabe proporcionar lançamentos aos seus colegas de equipa, como demonstram as suas estatísticas de 19.6 pontos e 6.3 assistências por jogo. A sua emotividade por vezes leva-o a alguns exageros e precipitações na hora de tomar decisões mas é Greivis Vasquez que nos momentos decisivos, e à imagem da mascote da sua equipa, anda com a ‘casa às costas’, tal como deixou bem patente na recente vitória da Universidade de Maryland frente à Universidade de Duke.

O seu estilo de jogo poderá não ser compatível com o que as equipas da NBA procuram num base que salte do banco para render o habitual titular, mas Greivis Vasquez poderá ser um dos típicos casos de jogadores que mudam o ritmo das partidas, e que com a sua intensidade conseguem alterar a história do jogo. Pode não conseguir um lugar entre a elite da NBA, mas já fez história ao tornar-se no primeiro jogador estrangeiro a vencer o prémio de Jogador do Ano na forte Conferência ACC .

Também considerados: Damion James (U. Texas), Jerome Dyson (U. Conneticut), Dexter Pittman (U. Texas) e Scottie Reynolds (U. Villanova).


Valores individuais

Março 9, 2010

Primeiro analisámos de forma bastante breve as equipas que parecem reunir maior favoritismo, agora daremos a conhecer, numa série de 4 textos os jogadores que mais se destacam. Este ano poderíamos ter dividido os jogadores por posição, por ranking, por conferência, por mediatismo, ou por qualquer outro contexto. No entanto, decidimos apresentar os jogadores agrupando-os mediante a experiência universitária que adquiriram.

Desta forma, irão ser apresentados em primeiro lugar os Seniors, aqueles que disputam o Campeonato da NCAA pela última vez, que estão no 4º ano de vida académica. De seguida serão os Juniors, os Sophomores e, por fim, os Freshmen.


A lei do Texas

Março 8, 2010

Rick Barnes vai na sua 12ª temporada como treinador principal da equipa de basquetebol dos Texas Longhorns. Ao longo destes anos conseguiu ter vários dos seus jogadores a ingressarem na liga de basquetebol mais mediática do Mundo, a NBA. Sob a sua alçada chegaram ao patamar mais alto do basquetebol jogadores como Kevin Durant, TJ Ford, DJ Augustine, LaMarcus Aldrige, Chris Mihm e Daniel Gibson. Conduziu os Longhorns a 11 Torneios da NCAA, mas nunca conseguiu ganhar um campeonato. O máximo que conseguiu foi chegar à Final4, corria o ano de 2003.

A presente época da Universidade do Texas não tem sido das melhores – ocupa o 6º lugar da Conferência Big12, já conta com 7 derrotas na Fase Regular, e não se esperam resultados de relevo até final da temporada, apesar de ser previsível que venha a participar no Torneio da NCAA. E quando numa recente entrevista o treinador Rick Barnes afirmou estar mais preocupado em formar jogadores para a NBA do que em vencer o campeonato, os adeptos texanos não devem ter gostado muito do que leram. “We would love to win a national championship, but we’re not obsessed with it because we’re obsessed with these guys trying to live their NBA dream. What’s happened to Kevin Durant, LaMarcus Aldridge, T.J. Ford — I’d give up a national title for all of our guys to be able to live their dream.

Esta frase pode ser avaliada por diversos prismas: o dos adeptos que querem ver a sua equipa ganhar um campeonato, o dos directores do programa de basquetebol dos Texas Longhorns que necessitam de sucessos para continuarem a garantir os fundos monetários que nunca faltaram à famosa Universidade, e o dos jogadores que, regra geral, ambicionam chegar ao Planeta NBA.

Se do lado dos adeptos a afirmação poderá não ser bem aceite, do lado dos jogadores é satisfatório saber que o treinador se preocupa com os seus atletas, e não com anéis que lhe encham os dedos. É satisfatório saber que o treinador tudo fará para os colocar no próximo patamar, e que quem entrar na Universidade do Texas para integrar o programa de basquetebol irá usufruir de uma preparação que os conduza até à NBA. Ou seja, a equipa poderá ser beneficiada no recrutamento de jogadores do High School.

E os directores, como vêem esta situação? Encaram que o sucesso do programa poderá ser a quantidade de jogadores que chegam à NBA, ou estarão também eles a ficar ávidos de títulos e sentem que esse será o caminho necessário para angariar mais fundos que permitam à equipa ter as melhores condições de trabalho?

Qual a vossa opinião sobre este tema e a consequente aplicação ao caso do basquetebol português?