A lei do Texas

Março 8, 2010

Rick Barnes vai na sua 12ª temporada como treinador principal da equipa de basquetebol dos Texas Longhorns. Ao longo destes anos conseguiu ter vários dos seus jogadores a ingressarem na liga de basquetebol mais mediática do Mundo, a NBA. Sob a sua alçada chegaram ao patamar mais alto do basquetebol jogadores como Kevin Durant, TJ Ford, DJ Augustine, LaMarcus Aldrige, Chris Mihm e Daniel Gibson. Conduziu os Longhorns a 11 Torneios da NCAA, mas nunca conseguiu ganhar um campeonato. O máximo que conseguiu foi chegar à Final4, corria o ano de 2003.

A presente época da Universidade do Texas não tem sido das melhores – ocupa o 6º lugar da Conferência Big12, já conta com 7 derrotas na Fase Regular, e não se esperam resultados de relevo até final da temporada, apesar de ser previsível que venha a participar no Torneio da NCAA. E quando numa recente entrevista o treinador Rick Barnes afirmou estar mais preocupado em formar jogadores para a NBA do que em vencer o campeonato, os adeptos texanos não devem ter gostado muito do que leram. “We would love to win a national championship, but we’re not obsessed with it because we’re obsessed with these guys trying to live their NBA dream. What’s happened to Kevin Durant, LaMarcus Aldridge, T.J. Ford — I’d give up a national title for all of our guys to be able to live their dream.

Esta frase pode ser avaliada por diversos prismas: o dos adeptos que querem ver a sua equipa ganhar um campeonato, o dos directores do programa de basquetebol dos Texas Longhorns que necessitam de sucessos para continuarem a garantir os fundos monetários que nunca faltaram à famosa Universidade, e o dos jogadores que, regra geral, ambicionam chegar ao Planeta NBA.

Se do lado dos adeptos a afirmação poderá não ser bem aceite, do lado dos jogadores é satisfatório saber que o treinador se preocupa com os seus atletas, e não com anéis que lhe encham os dedos. É satisfatório saber que o treinador tudo fará para os colocar no próximo patamar, e que quem entrar na Universidade do Texas para integrar o programa de basquetebol irá usufruir de uma preparação que os conduza até à NBA. Ou seja, a equipa poderá ser beneficiada no recrutamento de jogadores do High School.

E os directores, como vêem esta situação? Encaram que o sucesso do programa poderá ser a quantidade de jogadores que chegam à NBA, ou estarão também eles a ficar ávidos de títulos e sentem que esse será o caminho necessário para angariar mais fundos que permitam à equipa ter as melhores condições de trabalho?

Qual a vossa opinião sobre este tema e a consequente aplicação ao caso do basquetebol português?

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Inquérito por questionário

Janeiro 26, 2010

Ando há algum tempo a pensar em algo que certamente me deixará desapontado: elaborar um inquérito por questionário dirigido aos atletas dos escalões de Sub14 e Sub16 de alguns clubes da região.

Qual o objectivo? Avaliar o conhecimento que os jovens e as jovens praticantes de basquetebol têm das competições seniores em Portugal (LPB e Liga Feminina) e dos jogadores que nelas competem.

Posso estar a ser pessimista, mas não auguro resultados nada animadores.


Adenda a ‘No jogo como na vida’

Janeiro 24, 2010

Serve este texto para completar as palavras do meu colega e amigo. Porque tal como ele, também eu me revejo no lema ‘No jogo como na vida’. Porque quando crescemos sempe foi isso que nos ensinaram. Porque apesar de todo o amor incondicional que o jogo nos transmite, este mais não é do que uma extensão da nossa essência.

E se por alguma ganância desmedida decidimos adulterar o jogo, sobrepondo-o a valores, sobrepondo-o ao respeito pelos outros, estamos pura e simplesmente a degradar algo que aprendemos a amar, algo que sempre nos pareceu belo. Estamos a desrespeitar quem por este jogo se apaixonou, estamos a desrespeitar aqueles que, no desporto como na vida, usam a fibra e os seus valores para andarem de cabeça erguida.

Serve este texto para completar as palavras do meu colega e amigo. Porque tal como ele, também eu não me revejo nos insultos ao desporto que se fizeram sentir este fim-de-semana na Arena Dolce Vita em Ovar. Porque na minha opinião, os grandes derrotados deste fim-de-semana competitivo da Arena Dolce Vita não foram os emblemas que menos jogos venceram. Os grandes derrotados deste fim-de-semana foram o clube de Vagos, seus treinadores e atletas. Aqueles que se afastaram por completo da responsabilidade social e  da missão formativa que o desporto deverá ter junto daqueles e daquelas que enquanto crescem vão moldando a sua personalidade e a sua forma de estar no campo de jogo e na vida.

Porque no fundo, e acabando este texto como o comecei, estamos no jogo como na vida.


No jogo como na vida

Janeiro 24, 2010

«O que separa o mundo da vida que nele corre é a fibra»
Sophia de Mello Breyner

No jogo como na vida, a questão é de fibra. Quem a demonstra tem sempre mais possibilidades de vencer. Quem a põe em prática na defesa e em cada lance, quem a ela recorre numa penetração para o cesto, quem a usa para não quebrar no momento decisivo, quem faz dela uma aliada para controlar emoções ou ler o jogo. Não quer dizer que o sucesso seja função apenas da fibra, mas a fibra conta.

E depois, como somos animais bípedes, e gostamos de andar de espinha direita, usamos a fibra de que somos feitos para andar de cabeça erguida. Alguns não. Mas isso, lá está, é no jogo como na vida.


Mensagem de veterano

Janeiro 12, 2010

Ao visitar o site Eurohopes.com – dedicado a acompanhar as jovens esperanças do basquetebol europeu – encontra-se no mais recente texto do (ainda) jogador  norte-americano Darryl Middleton um conselho para os mais novos. Se a mensagem não entra quando são os nossos treinadores a dizer, talvez entre quando é transmitida por jogadores que alcançaram sucesso.

All I can say to you -young players with talent-, if you want to make a step up from where you are, use your free time to work. If the coach gives the team a day off go to the gym and work on your game. Don’t be lazy, don’t spend your day on Facebook. This is your future. It’s up to you. You will get what you put into it. If you only show up for your pratices and think that is all you need, great, but if you can do extra shooting and weights to get stronger for sure you will get better and your game will improve.


Sair da escola e ir para casa

Janeiro 4, 2010

No último dia de 2009, como habitualmente, leio no jornal A Bola a coluna de opinião de Vasconcelos Raposo. O tema em questão merece a minha especial atenção, por ser algo com o qual concordo plenamente e que em conversas de amigos já tinha abordado.

Em destaque surge a frase ‘O grande inimigo da preparação desportiva da nossa juventude é o horário escolar’. Não sei se é o grande inimigo, pelo menos no desporto a que estou directamente ligado certamente que não é a única barreira, mas concordo que é um dos grandes obstáculos à prática desportiva em Portugal.

Vasconcelos Raposo referencia os trabalhos publicados em diferentes países que explicam como algumas nações alcançam grandes resultados nos Jogos Olímpicos. E avança ‘É bom ter lido, em todos eles, que a ausência de uma política desportiva para a juventude, por parte dos governos, explica o fracasso no alto rendimento. Ao longo de muito tempo temos vindo a denunciar a incapacidade de sucessivos governos para definirem uma política virada para o desporto juvenil. Pensa-se no imediato. O alto rendimento é tratado numa visão de quatro anos. (…) Nos dias de hoje sabe-se que a formação dos atletas em qualquer modalidade, para chegarem ao patamar da elite desportiva, demora 10 a 12 anos. Caminho longo que de ver ser estruturado e bem coordenado. Exige competências a diferentes níveis.

E eis que após algumas linhas, Vasconcelos Raposo chega ao tema que mais me interessou no texto ‘O grande inimigo da preparação desportiva da nossa juventude é o horário escolar. Sempre o foi. Agora estão piores pois estão a fazer com que muitos abandonem o desporto. Tem sido feita alguma coisa? O primeiro passo tem de passar por solucionar os constrangimentos que a escola está a criar aos jovens. Para isso é preciso um plano que integre todas as variáveis que determinam a participação dos jovens em programas de preparação direccionados a longo prazo.

Será que alguém com poderes nesta área terá lido a coluna escrita por Vasconcelos Raposo no jornal A Bola? Gostava que sim, e que isso mudasse algo nesta nossa realidade.


Duas realidades que se afastam

Outubro 26, 2009

No domingo assistia via RTP2 ao jogo de andebol entre Porto e Benfica, disputado no Dragão Caixa. Ao longo da partida facilmente ia fazendo paralelismos com a modalidade que mais me agrada, o basquetebol.

O primeiro de todos, prende-se com a transmissão do ‘Clássico’ em canal público. É uma realidade que já aqui abordámos, mas que nunca será referida em excesso, dada a sua importância. Dois dos maiores clubes desportivos portugueses em confronto, seja em que modalidade for, suscitam sempre maior atenção por parte do público em geral. O jogo de andebol entre Porto e Benfica foi transmitido na RTP2. Quando houver um Porto vs Benfica em basquetebol, se for transmitido, será na SportTv.

Depois, e quando já decorria a segunda parte do jogo, o Prof. Jorge Tormenta referiu algo no qual o Andebol começa a ganhar uma larga distância em relação ao Basquetebol: o número de jovens atletas que competem neste campeonato! Depois da brilhante participação no Campeonato do Mundo de Sub21, muitos dos jovens jogadores ganham o seu espaço nos Clubes a que pertencem, e até os candidatos ao título apostam em alguns jovens. Mas também jovens das selecções Sub19 começam a ter minutos de utilização no campeonato Andebol 1. Esta é uma grande diferença relativamente ao nosso basquetebol, e que também já abordei.

Esta época surgem alguns jogadores de 20 e 21 anos em algumas equipas da LPB, mas os mais novos continuam agarrados a competições de Sub18 e Sub20. Como falava no outro dia com alguns colegas, em Portugal um jogador de 24 anos ainda é uma jovem promessa. Na Europa, aos 24 anos já é um jogador experiente, pois jogam na equipa de seniores do seu Clube desde os 16 ou 17 anos de idade.

Há uns anos, o Andebol sofreu com o fim da Liga Profissional, e com as picardias entre FPA e a Liga de Clubes (onde é que já vimos isto??). Agora parece caminhar para bom porto, com novos valores a aparecerem na modalidade.

Conseguirá o Basquetebol seguir o mesmo trajecto?